O Congresso em vias de movimentar esta semana os projetos da taxa das blusinhas e o fim da escala 6 X 1. São duas proposições que beneficiam diretamente o povão que sobrevive do trabalho.Mas atraem, pela física capitalista, reação contrária dos donos do capital e meios de produção.
A legitimidade e igualdade dos antagonistas para auto-defesa, esbarra, entretanto, na extraordinária diferença de forças que os separa.E na aptidão de parcela do Legislativo para realçá-la ainda mais, adernando ao lenga-lenga dos empresários na iminência de ganhar menos: iria gerar desemprego e perdas da economia.
Ora, com a isenção de IPI de compras de até US$ 50 (R$ 260,00) o governo prevê deixar de arrecadar R$ 10 bilhões de impostos em três anos. E o consumidor comprará estimados 17% mais barato. Os empresários, que se opõem à taxa das blusinhas, receberam em 2025 próximo de meio trilhão de reais em renúncias fiscais. O equivalente a 4,4% do PIB. Na exportação é zero a alíquota desde FHC (Lei Kandir).
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E os preços no consumo, entretanto, são controlados hoje pela política monetária, taxas elevadas de juros e do dólar que favorece o ganho do capital. E não precificados por ganho de produtividade dos meios de produção.Inflação de demanda. O povão não compra porque não tem dinheiro. O produto encalha e cai de preço. Os empresários e o povão, cada um no seu lugar. Mas assimétricos nas perdas.
Agora, convenhamos: deixar patrões e empregados decidirem por reduzir ou elevar escala de trabalho para contrapor-se à eliminação da 6 X 1, como propôs Flávio Bolsonaro, só pode ser piada. A reforma trabalhista (Michel Temer) – que já havia validado acordos tais – na verdade precarizou as relações de trabalho e não gerou os empregos projetados.
Estamos retomando, “democraticamente”, a mais valia do Século XIX. Não é anacrônico, porque, com o aval dos representantes da população, ela se reinventou de moderna.
Uma velha vestida de nova.