Pesquisa mostra Caiado à frente de Lula em 2º turno

Nova pesquisa nacional revela vantagem numérica de Caiado sobre Lula em cenário de segundo turno presidencial.
Redação NC News
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Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás e candidato do PSD à Presidência, aparece numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva em um cenário de segundo turno, segundo pesquisa Real Time Big Data divulgada hoje. O presidente, candidato à reeleição pelo PT, vê surgir um adversário competitivo fora do eixo tradicional da polarização.

O levantamento nacional, feito por telefone com 2.000 eleitores entre 27 e 31 de agosto, mostra Caiado com 45% das intenções de voto, contra 43% de Lula. A diferença de 2 pontos está no limite da margem de erro, também de 2 pontos percentuais, o que caracteriza empate técnico, mas com peso simbólico relevante para a campanha.

Caiado fraco no 1º turno, forte no duelo direto

Os números ganham impacto porque contrastam com o desempenho modesto de Caiado no primeiro turno. No cenário estimulado em que Pablo Marçal também concorre, o ex-governador de Goiás marca 4% das intenções de voto. Lula lidera com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro (PL), com 29%, Augusto Cury (Avante), com 10%, e Renan Santos (Missão), com 6%.

Sem Marçal na lista de nomes apresentados, Caiado permanece com 4%, o que indica que seu eleitorado ainda não está consolidado na largada da disputa. A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-03490/2026, tem nível de confiança de 95%.

Quando a disputa se reduz a dois nomes, porém, o quadro muda. A Real Time Big Data ressalta que “Ronaldo Caiado é o único adversário que supera numericamente Lula na simulação de segundo turno” entre os cenários testados. Contra Flávio Bolsonaro, Lula aparece empatado em 44% a 44%. Em um confronto com Romeu Zema (Novo), o petista soma 43%, ante 40% do governador mineiro.

Eleitor de Caiado prioriza preparo do candidato

O levantamento também joga luz sobre quem é o eleitor de Caiado e como ele se diferencia das bases de Lula e de Flávio Bolsonaro. Entre os que declaram voto no ex-governador goiano, 65% apontam como razão central da escolha a busca por um nome tecnicamente mais qualificado. Nas palavras da pesquisa, para esse grupo, “a principal motivação é escolher o candidato que consideram mais preparado”.

Outros 19% dizem apoiar Caiado para “mudar os rumos do Brasil”, enquanto 13% afirmam votar nele para impedir que determinado grupo político volte ou continue no poder. Apenas 1% cita a preservação de conquistas recentes como motivo principal. O dado reforça uma distinção em relação ao eleitorado de Lula, mais ligado a programas sociais e à ideia de continuidade, e ao de Flávio Bolsonaro, mais mobilizado por identidade ideológica e rejeição ao petismo.

A própria pesquisa mede o potencial de crescimento de Caiado. Hoje, 2% dos entrevistados afirmam que votariam nele com certeza, mas 43% dizem que poderiam escolhê-lo. Outros 39% afirmam conhecê-lo e rejeitá-lo, e 16% ainda não o conhecem o suficiente para opinar. O espaço para avançar depende de exposição nacional, definição de propostas claras e capacidade de se diferenciar tanto de Lula quanto de Bolsonaro.

Entrevistas no Jornal Nacional elevam exposição

Enquanto os números circulam em Brasília e nas campanhas, Caiado e os principais adversários expõem suas propostas ao público no principal telejornal do país. Entre 24 e 29 de agosto, seis candidatos à Presidência mais bem colocados na pesquisa Quaest de 14 de agosto — Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Lula, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury — concedem entrevistas a Renata Vasconcellos e César Tralli, diretamente dos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro.

As conversas, exibidas após o noticiário, marcam uma mudança de formato nas sabatinas presidenciais e vêm acompanhadas de checagem detalhada de declarações. A ordem de participação é sorteada, com presença de representantes dos partidos, o que busca afastar suspeitas de favorecimento. Nesse ambiente, Caiado tenta se apresentar como alternativa de direita moderada, distinta tanto do lulismo quanto do bolsonarismo, e explora seu histórico como médico, produtor rural e ex-governador.

A checagem das falas, feita a partir de dados públicos e documentos oficiais, pressiona todos os candidatos a calibrar promessas e a explicar de forma objetiva como pretendem financiar programas, alterar leis e lidar com temas sensíveis como segurança pública, desmatamento e geração de empregos. A exposição conjunta, em uma mesma semana, cria um painel comparativo para o eleitor que ainda não decidiu seu voto.

Tabuleiro político se move em direção a Caiado

O resultado da Real Time Big Data tende a reorganizar cálculos de partidos e caciques regionais. No PSD, a leitura é de que Caiado deixa de ser figura periférica na corrida e entra no radar como potencial principal opositor de Lula em um eventual segundo turno, desbancando nomes que até aqui concentravam a insatisfação com o governo, como Flávio Bolsonaro.

Para o PT, os números acendem um alerta diferente. A disputa com Bolsonaro já está precificada pela direção petista, que há anos enfrenta o clã em campanhas acirradas. Um adversário com discurso de gestão, imagem de “técnico” e trânsito em setores do agronegócio, dos quais o partido tradicionalmente mantém relação tensa, exige outra estratégia. A tendência é ampliar o foco na economia, reforçar entregas do governo e disputar de forma mais direta o voto de centro.

Siglas menores também observam. Candidatos como Renan Santos e Augusto Cury, que somam 6% e 10% no cenário de primeiro turno, ganham poder de barganha se a disputa se mostrar aberta em um segundo turno entre Lula e Caiado. A possibilidade de coligações, apoios regionais e acordos de palanque torna-se mais concreta à medida que novas pesquisas confirmem ou não o favoritismo do petista na largada.

O cenário, porém, continua volátil. A margem de erro de 2 pontos percentuais significa que a vantagem de Caiado pode desaparecer ou se ampliar na próxima rodada de levantamentos. A combinação de pesquisas frequentes, entrevistas em rede nacional e campanhas nas redes sociais tende a redesenhar preferências nas próximas semanas. O que hoje é fotografia pode não se manter até a véspera da votação.

Enquanto isso, as campanhas ajustam discursos. Caiado explora o contraste entre sua trajetória de médico, fazendeiro e gestor com forte base em Goiás — estado onde constrói sua carreira desde jovem — e a longa história de Lula na Presidência e no sindicalismo. O petista busca reforçar feitos recentes de seu governo e minimizar o risco de desgaste em meio à exposição intensa. Entre os dois, o eleitor observa, com mais dados e mais checagem, um jogo que deixa de ser previsível.

Ronaldo Caiado é de direita ou esquerda?

Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência, atua politicamente no campo da direita, com discurso liberal na economia, defesa de agronegócio e segurança pública rígida, mas tenta suavizar a imagem para dialogar com centro moderado, buscar votos além do eleitor bolsonarista tradicional e se apresentar como alternativa mais técnica a Lula.

Quais são as principais propostas de Ronaldo Caiado?

As principais propostas de Ronaldo Caiado giram em torno de ajuste fiscal, reforço à segurança pública, apoio ao agronegócio, simplificação tributária e ampliação de programas de formação técnica, discurso que tenta combinar agenda liberal com promessa de gestão eficiente, mirando eleitores que priorizam preparo técnico e estabilidade econômica.


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