PF revela ordem do Banco Master para pagar R$ 3,4 mi sem nota

Investigação aponta pagamentos mensais irregulares do Banco Master ao escritório Barci de Moraes sem emissão de nota fiscal.
Redação NC News
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Relatório sigiloso da Polícia Federal descreve que o Banco Master prioriza pagamentos milionários ao escritório Barci de Moraes, com orientação para repasses de R$ 3,42 milhões “sempre, sem nota” e sem uso de PIX, sob ordem de Daniel Vorcaro.

Mensagens internas e prioridade máxima ao contrato

O documento, datado de 27/08/2026 e ligado ao procedimento 2026.0098110–CGRC/DICOR/PF, integra a chamada Operação Compliance Zero e analisa dados do celular de Daniel Bueno Vorcaro, proprietário do Banco Master. Os investigadores rastreiam, em tempo real, como o banco trata o contrato com o escritório Barci de Moraes como o mais importante da instituição.

Em 08/02/2024, segundo a análise da PF, o funcionário Angelo Silva envia a Vorcaro o comprovante de uma transferência de R$ 3.422.268,14, do Banco Master para o escritório Barci de Moraes, com crédito em conta no Itaú. O valor se torna referência para outros repasses de montante idêntico.

As mensagens indicam pressão para que o fluxo de dinheiro não sofra interrupções. Em 15/03/2024, o ex-ministro Fabio Faria escreve a Vorcaro que “o careca não pode atrasar”, em aparente referência ao responsável pelo escritório. A cobrança funciona como gatilho para uma série de ordens internas.

Na sequência, ainda conforme o relatório, Vorcaro procura Angelo Silva e reforça que o contrato “BARCI DE MORAES” é o mais importante do banco. Manda “pagar imediatamente” e dá instruções para que a área financeira trate o compromisso como prioridade absoluta frente a outros desembolsos.

“Pode pagar sempre, sem nota” e veto explícito ao PIX

As conversas mapeadas pela PF mostram que o comando vai além da pressa. Em diálogo com o funcionário Romy, identificado como ligado ao Banco Master, Vorcaro afirma que o pagamento “não pode atrasar um dia” e que se trata do “pgto mais importante que temos”. Em seguida, crava: “Pode pagar sempre, sem nota” e “Do jeito que for”.

A frase sintetiza, para os investigadores, uma orientação para dispensar controles básicos de documentação. No mesmo conjunto de mensagens, Angelo Silva responde a Vorcaro que vai “pagar antecipado e depois pegamos a NF”, admitindo a possibilidade de repasse antes da emissão da nota fiscal.

O padrão se repete. Em 14/07/2025, o relatório registra novo pagamento de R$ 3.422.268,14 ao escritório Barci de Moraes. A PF destaca que o valor coincide com o da transferência de fevereiro do ano anterior, reforçando a hipótese de um fluxo mensal ou periódico nessa faixa.

Em 01/10/2025, o funcionário Alberto Felix informa em mensagem que “foi pago BARCI DE MORAES”. A resposta, registrada no documento, traz uma orientação clara: “foi pago BARCI DE MORAES, não usar PIX”. O texto da PF ressalta que Vorcaro orienta que os valores para o escritório não sejam pagos por meio do sistema de pagamentos instantâneos.

Esquema interno e risco para controles de compliance

Para a equipe de análise da Polícia Federal, reunida no relatório IPJ-A nº 3298613/2026, o conjunto de diálogos revela um esquema interno no Banco Master que prioriza o escritório Barci de Moraes com pagamentos milionários, adiantados e com instruções para contornar rotinas de controle financeiro.

A prática de autorizar repasses “sem nota” e permitir que a documentação seja providenciada depois esvazia, na avaliação técnica do relatório, o papel da nota fiscal como registro da prestação de serviços e base para verificação tributária. A ordem para evitar o PIX afasta um instrumento que hoje oferece rastreabilidade eletrônica detalhada.

Na prática, esse desenho fragiliza os setores financeiro e de compliance do banco. Sem documentos emitidos no ato e com preferência por meios menos escrutinados, eventuais auditorias internas e externas enfrentam mais dificuldade para reconstituir a trilha dos pagamentos e confrontar valores, datas e serviços prestados.

O escritório Barci de Moraes aparece no relatório como beneficiário direto desse tratamento. Os investigadores registram que o escritório recebe ao menos duas transferências de R$ 3.422.268,14 e é citado repetidamente como prioridade máxima, com direito a pagamentos antecipados. O documento não entra, nesta etapa, no mérito da regularidade dos serviços contratados.

Investigação em curso, sem condenações

O relatório sigiloso é dirigido ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça e busca atualizar o estágio das apurações sobre a suposta rede de influência ligada a Vorcaro. A PF ressalta, nas considerações de contexto, que se trata de análise de material apreendido, não de julgamento definitivo.

Os investigadores afirmam que os indícios podem apontar para tentativas de ocultar ou dificultar o rastreamento dos pagamentos, o que em tese poderia se relacionar a irregularidades fiscais ou mesmo lavagem de dinheiro. O texto deixa claro que essa é uma possibilidade em exame, não uma conclusão fechada.

Ninguém citado no documento é condenado. A investigação está em andamento, não há decisão judicial de mérito sobre responsabilidade criminal, e qualquer imputação ainda depende de novas diligências, oitivas, cruzamento de dados bancários e eventuais perícias complementares.

O Banco Master, o escritório Barci de Moraes, Angelo Silva, Romy e Alberto Felix ainda não se manifestam publicamente, até o momento. A reportagem procura as defesas de todos os envolvidos; o espaço permanece aberto para versões, esclarecimentos e apresentação de documentos que possam contextualizar os pagamentos.

O inquérito caminha agora para uma fase de aprofundamento. A tendência é que a PF peça quebras adicionais de sigilo, documente com extratos cada repasse ao escritório e confronte os pagamentos com contratos e notas fiscais efetivamente emitidas. Se as suspeitas forem confirmadas, o caso pode levar a sanções administrativas, multas e eventuais ações penais.

Além do impacto direto sobre o Banco Master, a apuração tende a acender um alerta em todo o sistema financeiro. Órgãos reguladores podem usar o caso como gatilho para rever normas internas de monitoramento de pagamentos a grandes escritórios de advocacia e apertar o cerco a repasses sem documentação tempestiva e sem meios de pagamento rastreáveis.

O que a PF aponta sobre os pagamentos ao Barci de Moraes?

O relatório sigiloso da PF, de 27/08/2026, aponta que o Banco Master realiza ao menos dois pagamentos de R$ 3.422.268,14 ao escritório Barci de Moraes, trata o contrato como o “pgto mais importante” e recebe ordem de Daniel Vorcaro para pagar “sempre, sem nota”, com veto expresso ao uso de PIX nesses repasses.

Essas mensagens significam condenação de alguém?

O relatório IPJ-A 3298613/2026, da Polícia Federal, não representa condenação de ninguém: ele apenas reúne mensagens, comprovantes e análises técnicas, descrevendo suspeitas em apuração que ainda dependem de novas diligências, manifestações de defesa e julgamento judicial para definir se houve crime e quem, em tese, pode ser responsabilizado.

A investigação está em andamento e as suspeitas descritas são hipóteses da apuração. Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada ou condenada, e todas têm direito à presunção de inocência. O espaço segue aberto para manifestação das defesas.


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