Relatório revela pedido de Vorcaro para acionar PF e PGR hoje

Documento sigiloso mostra estratégia de Daniel Vorcaro para evitar ações contra ele e o Banco Central.
Redação NC News
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Um relatório sigiloso da Polícia Federal transcreve mensagens em que o banqueiro Daniel Vorcaro pede reforço de apoio junto a “Andrei” e “Paulo” para evitar medidas contra ele, em meio a suposta pressão ligada ao Banco Central. As anotações foram enviadas a um contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA” no celular apreendido pela PF.

O documento, classificado como Informação de Polícia Judiciária de Análise (IPJ-A nº 3298613/2026), integra a Operação Compliance Zero e é destinado ao ministro André Mendonça. Segundo o texto, as notas sugerem tentativa de acionar autoridades de cúpula da segurança pública e do Ministério Público para conter riscos de prisão e decisões desfavoráveis.

Notas falam em pressão máxima e pedido de reforço

As mensagens atribuídas a Vorcaro foram localizadas no iPhone 17 Pro apreendido com ele por mandado de prisão e busca pessoal, registrado no procedimento 2026.0098110–CGRC/DICOR/PF. A PF diz ter extraído o conteúdo com ferramentas forenses e vincula as três notas a um único destinatário, descrito nos logs como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

Em uma das notas, datada de 30/10/2025 e identificada na IPJ 144738439/2026 como Figura 2, Vorcaro relata ter recebido “informações informais e em confidencia de turma do banco central” sobre a situação de “G e os diretores”. De acordo com o relatório, o texto registra que todos estariam sob “pressao máxima” por medidas adotadas contra ele.

Nesse contexto, aparece o pedido de mobilização de contatos de alto escalão. “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem…”, escreve Vorcaro, segundo a transcrição da PF. O documento registra que a nota foi modificada às 16:32:25 UTC, mantendo a íntegra da frase.

Os analistas da PF afirmam que, “nesse contexto”, os nomes mencionados “podem indicar” o diretor-geral da PF, Andrei Passos, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O relatório frisa que se trata de interpretação policial, não de identificação formal, e ressalta que não houve aprofundamento investigativo específico contra magistrados ou membros do Ministério Público.

Sequência de mensagens sobre reunião e temor de prisão

A mesma seção do relatório descreve outras duas notas enviadas na sequência para o mesmo destinatário, vinculado ao número 556192664093. Uma delas, identificada como Figura 1, registra nomes de autoridades presentes em uma reunião com o Banco Central, segundo a PF. O teor detalhado não é reproduzido no trecho, mas o documento destaca que a anotação indica encontros institucionais relevantes para o caso.

A terceira nota, descrita como Figura 3, trata explicitamente do risco de encarceramento. De acordo com a IPJ-A, Vorcaro escreve sobre “não ser preso” e discute estratégias de comunicação relacionadas às medidas em curso contra ele. A PF aponta que essa anotação também foi remetida ao mesmo contato salvo como “Alexandre de Moraes BRASILIA”.

O relatório explica que a vinculação das três notas a esse destinatário decorre da análise de logs internos do aplicativo de notas e do sistema do aparelho. Os peritos destacam que as mensagens não foram enviadas por aplicativos de conversa tradicionais, mas por um recurso de anotações que permite compartilhamento direto com contatos específicos.

Em outro trecho, a PF informa que, a partir dessas referências, passou a vasculhar o celular em busca de interações que mencionassem diretamente “Paulo Gonet” ou “Andrei”. As buscas estão detalhadas nas seções 6.1 e 6.2, entre as páginas 201 e 212 do relatório, e incluem pesquisas por termos relacionados aos nomes das autoridades.

Tentativa de influência e limites da apuração

O documento policial descreve o conjunto das mensagens como indício de uma tentativa de Vorcaro de acionar uma “rede de influência e monitoramento” para se proteger de decisões administrativas e judiciais. Em linguagem técnica, a PF afirma que o objetivo seria evitar que “pessoas de nível inferior” nas estruturas institucionais tomassem medidas consideradas prejudiciais.

A análise insere os diálogos no contexto da Operação Compliance Zero, que apura fraudes na cessão de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB, em valor aproximado de R$ 12 bilhões. Vorcaro é apontado como proprietário do Banco Master e alvo central do inquérito, com prisão decretada pela Justiça Federal em Brasília, conforme a contextualização da própria IPJ-A.

O relatório foi produzido após ordem de André Mendonça, que requisitou, no âmbito da Petição 15.556, a identificação de todos os destinatários e mencionados nas mensagens constantes de outro documento, a IPJ-M nº 144738439/2026. O ministro também pediu a íntegra de todas as interações envolvendo essas pessoas, inclusive autoridades com foro por prerrogativa de função.

Os policiais frisam que as informações reunidas são típicas de atividade de polícia judiciária e não significam julgamento antecipado. O texto registra que não há, até aqui, condenação judicial nem decisão de mérito sobre culpa de qualquer dos citados, e que as menções a autoridades de cúpula são apresentadas como dados brutos, ainda sujeitos a verificação.

Risco institucional e próximos passos

A revelação das notas reforça a percepção, dentro da própria PF, de que investigados de grande porte financeiro tentam acionar conexões políticas e institucionais para influenciar investigações e decisões de órgãos de controle. A narrativa registrada por Vorcaro, ao citar “pressão máxima” sobre diretores do Banco Central, sugere um ambiente de tensão entre reguladores e o sistema financeiro.

Na prática, o caso acende alerta sobre a relação entre autoridade policial, Ministério Público, Banco Central e investigados. Se confirmadas as hipóteses da PF sobre a identidade de “Andrei” e “Paulo”, a tentativa de mobilizar o diretor-geral da PF e o procurador-geral da República para conter ações de “gente de baixo” pode fortalecer questionamentos públicos sobre a autonomia das instâncias técnicas.

A IPJ-A não traz conclusão definitiva sobre eventual participação ativa de Andrei Passos, Paulo Gonet ou do próprio ministro Alexandre de Moraes nas tratativas descritas. A PF limita-se a registrar as mensagens, descrever o destinatário conforme aparece no aparelho e apontar possíveis correspondências de nomes, sem atestar qualquer ato concreto praticado por essas autoridades.

O relatório afirma ainda que as menções ao ministro Alexandre de Moraes nos metadados de arquivos analisados são dados técnicos, que exigem perícia independente e contraditório para eventual uso como prova de autoria de documentos ou mensagens. A polícia diz não ter avançado além da descrição dos elementos digitais.

A defesa de Daniel Vorcaro e das demais autoridades mencionadas será procurada para comentar o conteúdo da IPJ-A nº 3298613/2026. Todos os citados têm direito a apresentar sua versão e contestar as interpretações policiais. A investigação segue sob sigilo e supervisão judicial, e novas diligências podem ser determinadas por André Mendonça a partir da análise do material apreendido.

Os próximos passos devem envolver exame mais minucioso das interações encontradas no celular, eventual cruzamento com outros dados da Operação Compliance Zero e decisões sobre manutenção ou revisão de medidas cautelares contra Vorcaro. A forma como o Supremo e os órgãos de controle reagirem às suspeitas de tentativa de influência ajudará a definir o alcance institucional do caso.

O que diz a mensagem de Vorcaro sobre “Andrei e Paulo”?

A nota de Daniel Vorcaro de 30/10/2025, transcrita na IPJ 144738439/2026, afirma que é “importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem”, em meio a relato de “pressao máxima” sobre diretores do Banco Central por medidas contra ele, segundo a Polícia Federal.

Quem a PF entende que são “Andrei” e “Paulo” nas notas?

O relatório da PF registra que, “nesse contexto”, os termos “Andrei” e “Paulo” podem se referir a Andrei Passos, diretor-geral da Polícia Federal, e a Paulo Gonet, procurador-geral da República, respectivamente, mas ressalta tratar-se de hipótese interpretativa, sem identificação formal nem conclusão sobre conduta dessas autoridades.

As mensagens significam que houve crime de autoridades citadas?

A IPJ-A nº 3298613/2026 descreve as mensagens como possíveis indícios de tentativa de influência por Daniel Vorcaro, mas afirma que não houve aprofundamento investigativo sobre ministros ou membros do Ministério Público e que o material não representa condenação nem prova definitiva de crime praticado por autoridades.

A investigação está em andamento e as suspeitas descritas são hipóteses da apuração. Nenhuma das pessoas citadas foi denunciada ou condenada, e todas têm direito à presunção de inocência. O espaço segue aberto para manifestação das defesas.


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