As redes sociais se tornaram uma das principais frentes da disputa pelo Governo de Minas Gerais, mas os candidatos estão apostando de maneiras muito diferentes na publicidade digital. Entre 31 de julho e 29 de agosto, as campanhas analisadas gastaram, juntas, R$ 238 mil em anúncios no Facebook e no Instagram.
A maior parte desse dinheiro saiu da campanha do governador Mateus Simões (PSD). Foram R$ 167,3 mil, o equivalente a cerca de 70% de todo o valor identificado no período.
O levantamento considera os anúncios veiculados nos perfis dos candidatos e registrados na biblioteca de anúncios da Meta. Os números ajudam a revelar não apenas quanto cada campanha está colocando nas redes, mas também quais candidaturas estão tratando a publicidade digital como uma ferramenta prioritária neste início de disputa.
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Simões aposta nas redes para ampliar reconhecimento
O investimento do atual governador chama atenção pela distância em relação aos demais concorrentes. O segundo maior valor registrado foi desembolsado por Flávio Roscoe (PL), com R$ 45,7 mil.
A estratégia de Simões ocorre em um momento em que o reconhecimento do próprio nome ainda é apontado como um dos desafios da campanha. Em pesquisa Quaest divulgada em 25 de agosto, 47% dos eleitores mineiros afirmaram conhecer o governador.
Simões assumiu o comando do Estado em março, após a renúncia de Romeu Zema (Novo), que deixou o cargo para disputar a Presidência da República. Desde então, uma das tarefas políticas do governador é ampliar sua presença junto ao eleitorado.
Nesse cenário, a publicidade nas redes pode funcionar como uma ferramenta para acelerar a exposição do candidato, especialmente entre públicos que ainda não acompanham sua trajetória política.
Roscoe aparece em segundo lugar
Flávio Roscoe ocupa uma posição bastante distante da liderança, mas aparece como o segundo candidato que mais destinou recursos aos anúncios da Meta.
A campanha investiu R$ 45,7 mil no período analisado. Assim como Simões, Roscoe enfrenta o desafio de ampliar o conhecimento do eleitor sobre sua candidatura.
Na pesquisa Quaest mais recente mencionada no levantamento, 69% dos mineiros disseram não conhecer o candidato apoiado por Flávio Bolsonaro (PL).
O investimento digital, portanto, também pode ser interpretado como uma tentativa de colocar o nome do candidato com maior frequência diante do eleitor.
Kalil e Gabriel ficam abaixo dos líderes
Na sequência aparecem Alexandre Kalil (PDT), com R$ 13,2 mil, e Gabriel Azevedo (MDB), que destinou R$ 11,1 mil aos anúncios.
A diferença de investimento entre os quatro primeiros candidatos mostra que as campanhas adotam estratégias bastante distintas para ocupar espaço nas plataformas digitais.
Enquanto Simões concentra uma parcela expressiva dos recursos, os demais candidatos aparecem com valores significativamente menores no período.
Líder nas pesquisas investe pouco
Um dos dados que mais chama atenção no levantamento é o valor destinado por Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Apesar de liderar as pesquisas de intenção de voto citadas na reportagem, o candidato gastou apenas R$ 658 em anúncios na Meta entre 31 de julho e 29 de agosto.
A diferença entre intenção de voto e investimento em publicidade digital mostra que uma campanha não necessariamente utiliza as redes apenas para conquistar eleitores. A plataforma também pode ser usada para ampliar reconhecimento, apresentar propostas ou reforçar uma imagem política já consolidada.
Patrus não registra impulsionamento
O levantamento também mostra uma estratégia diferente por parte de Patrus Ananias (PT).
Não foram identificadas publicações impulsionadas em seu perfil no período analisado.
Isso significa que, entre os candidatos considerados no levantamento, Patrus não destinou recursos à publicidade paga na Meta durante os 30 dias observados.
O que os números revelam sobre a disputa
Os valores não representam o gasto total das campanhas eleitorais. O levantamento considera especificamente os anúncios registrados na biblioteca da Meta entre 31 de julho e 29 de agosto.
Ainda assim, os números oferecem um retrato de como os candidatos estão utilizando uma das principais ferramentas de comunicação direta com o eleitor.
A concentração dos investimentos em Simões sugere uma prioridade clara em ampliar a exposição do atual governador. Já candidatos com maior reconhecimento ou que apresentam outras estratégias de comunicação podem optar por destinar menos dinheiro à publicidade paga.
No início da corrida eleitoral, portanto, o dinheiro colocado nas redes também ajuda a contar uma parte da história da disputa: quem precisa se tornar conhecido, quem busca consolidar uma posição e quem escolhe outros caminhos para chegar ao eleitor.