Vídeo registra ligação de advogada suspeita de cobrar R$ 4 mil para apagar provas em MG

Daniela Gomes Ibrahim virou ré em processo que apura suposta tentativa de suborno a perito da Polícia Civil para excluir dados de celular apreendido em investigação por tráfico de drogas
Redação NC News
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Uma advogada de Ponte Nova, na Zona da Mata de Minas Gerais, virou ré em um processo que apura uma suposta cobrança de R$ 4 mil para que um perito da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apagasse ou suprimisse provas extraídas de um celular apreendido durante uma investigação por tráfico de drogas.

A suspeita envolve Daniela Gomes Ibrahim, que teria pedido o dinheiro a familiares de um cliente preso. Segundo informações presentes em decisão do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o objetivo seria impedir que dados encontrados no aparelho fossem utilizados como prova no processo criminal.

Um vídeo que circula nas redes sociais também registra uma ligação atribuída à advogada e a uma mulher. Na conversa, são mencionados o valor de R$ 4 mil e o suposto pagamento ao perito.

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Entenda o que está sendo investigado

De acordo com a decisão judicial, a suspeita é de que Daniela tenha utilizado conhecimentos, contatos e a própria condição de advogada criminalista para intermediar o pagamento a um perito da Polícia Civil.

O dinheiro seria utilizado para que informações obtidas durante a perícia de um telefone celular fossem apagadas ou deixassem de integrar o conjunto de provas contra o cliente.

O caso é investigado como tráfico de influência. Na decisão que recebeu a denúncia e tornou a advogada ré, o juiz Guilherme Barros Dominato destacou a forma como a suposta conduta teria sido praticada e o uso das prerrogativas profissionais como instrumento para a prática que está sob apuração.

A condição de ré, porém, significa que a acusação será analisada pela Justiça. Não representa condenação.

O que aparece na gravação?

Na gravação divulgada, a mulher conversa com uma pessoa identificada como Daniela e demonstra preocupação sobre a possibilidade de o procedimento dar certo.

Durante o diálogo, ela menciona que havia conseguido parte dos R$ 4 mil e questiona se o perito responsável pelo procedimento seria o mesmo. Veja o vídeo:

“Mas será, doutora, que o perito que tava lá vai conseguir, vai ser o mesmo? Será que vai dar certo mesmo, doutora? Eu fico com medo.”

Na sequência, a mulher afirma que entregaria o dinheiro à advogada para que o valor fosse repassado ao perito.

“Eu consegui o dinheiro, mas só pra poder ajudar eu ia passar, entendeu? Esse valor pra senhora. Pra senhora tá passando pra ele.”

A pessoa que aparece como advogada na ligação responde que não seria necessário que o profissional fosse o mesmo. Na conversa, ela também explica como, segundo o diálogo, seria feito o acesso aos dados do aparelho.

“Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ele puxa no sistema. […] Ele simplesmente vai entrar no sistema e vai entrar dentro do telefone.”

 

Ainda durante a ligação, a advogada pede informações pessoais que seriam necessárias para dar continuidade ao procedimento, como nome completo, CPF, telefone e, preferencialmente, e-mail.

“A gente não pode perder nem mais um dia.”

A mulher afirma que conversaria com os pais do cliente para tentar conseguir o restante do dinheiro.

O que diz a Justiça

Na decisão, o juiz Guilherme Barros Dominato afirmou que a medida considera não apenas a gravidade do crime investigado, mas também a maneira como a suposta prática teria ocorrido.

Segundo o magistrado, a acusação aponta para uma possível utilização de prerrogativas, conhecimentos, contatos e credibilidade relacionados ao exercício da advocacia criminal para a prática do delito.

O processo tramita na Justiça e a advogada responde à acusação. Até o momento, conforme as informações disponíveis, não há condenação definitiva.

Quem é a advogada

Daniela Gomes Ibrahim é inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais (OAB-MG) desde setembro de 2007 e possui vínculo com a subseção de Ponte Nova.

De acordo com o cadastro profissional citado na reportagem de origem, a inscrição consta como ativa e definitiva. A advogada atua nas áreas cível, penal e trabalhista.

Polícia e OAB são procuradas

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e a OAB-MG foram procuradas para comentar o caso.

A defesa de Daniela Gomes Ibrahim também foi procurada para apresentar sua manifestação sobre as acusações e o conteúdo da gravação.

Até a publicação desta reportagem, não havia sido informado posicionamento das instituições ou da defesa da advogada.

O espaço permanece aberto para manifestação das partes envolvidas.

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