O ator e diretor Gracindo Jr., um dos rostos da inauguração da TV Globo e nome central da teledramaturgia brasileira, morre aos 83 anos no Rio de Janeiro. Ele falece em casa, na noite de terça-feira, ao lado da família, e deixa a esposa, cinco filhos, sete netos e um legado de mais de cinco décadas dedicadas à arte.
Despedida no Rio e comoção no meio artístico
Gracindo Jr., nome artístico de Epaminondas Xavier Gracindo, morre por volta das 22h em sua residência, por causas naturais, segundo confirma o filho Pedro Gracindo. A notícia se espalha nesta quarta-feira e provoca uma onda imediata de homenagens de colegas, amigos e fãs, que veem na partida do ator o fim de uma era na televisão.
O velório será aberto ao público nesta quinta-feira, a partir das 12h10, no Crematório e Cemitério da Penitência, no Rio. A cremação está marcada para as 14h10, no mesmo local. A escolha por uma cerimônia aberta reforça o tamanho do vínculo entre o artista e o público, que o acompanha desde os primeiros anos da TV brasileira.
Entre as manifestações mais emocionadas está a do ator Leonardo Bricio, amigo próximo, que acompanha a família no momento final. “Meu amigo amado deu seu último suspiro, e quis Deus que eu estivesse ao lado dos seus filhos de sangue e sua esposa nesse exato momento. Amigo, só posso te dizer que você foi e será sempre muito amado”, escreve ele.
Do rádio à inauguração da Globo
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de maio de 1943, Gracindo Jr. cresce vendo o pai, Paulo Gracindo, dominar o rádio, o teatro e depois a televisão. Ainda adolescente, aos 15 anos, entra na Rádio Nacional, onde atua como ator, redator e disc-jóquei. Mesmo formado em Psicologia, abandona qualquer ambição fora das artes.
O passo decisivo vem com a chegada da televisão moderna no país. Em 1965, ele integra o primeiro elenco da recém-criada TV Globo e participa da inauguração da emissora. A partir dali, se torna presença constante em novelas e programas que ajudam a formatar a linguagem da teledramaturgia brasileira.
No início da carreira na TV, atua em produções pioneiras como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca” e “Os Ossos do Barão”. Ainda jovem, já contracena com o pai em tramas que se tornam parte da memória afetiva do público.
Parceria com Paulo Gracindo e a construção de um legado
A relação com Paulo Gracindo extrapola o vínculo familiar e se torna uma escola profissional. Em novelas como “O Bem Amado” e “O Casarão”, pai e filho dividem cena e, em um dos momentos mais emblemáticos, interpretam o mesmo personagem em fases diferentes da vida.
Em depoimentos ao longo da carreira, Gracindo Jr. sempre atribui ao pai sua ética de trabalho. “O que eu mais aprendi com o meu pai foi responsabilidade no meu trabalho, estima pelo meu trabalho, saber que meu trabalho é uma coisa muito importante”, afirma. Em outra lembrança, resume a trajetória do patriarca: “Meu pai trabalhou 65 anos, e nunca me lembro dele não tendo feito sucesso, em qualquer área de comunicação. Foi um homem que passou em rádio, em circo, em televisão, em cinema, em tudo ele foi sucesso.”
Esse modelo de dedicação se reflete em sua própria trajetória. Ao longo de mais de 50 anos, ele transita com naturalidade entre teatro, rádio, TV e cinema, assumindo papéis de ator, diretor, roteirista e supervisor artístico. Participa de mais de 20 peças, de filmes populares e de programas que formam gerações de espectadores.
Direção, bastidores e o pioneirismo na TV
Fora das câmeras, Gracindo Jr. também se torna peça-chave no desenvolvimento da dramaturgia televisiva. A partir do fim da década de 1970, assume a supervisão do núcleo de novelas das 18h na Globo, acompanhando de perto montagem, edição, sonorização e atuação dos elencos.
Dirige produções como “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé”, participa da estruturação de minisséries e humorísticos e comanda episódios de “Os Trapalhões” e do “Sítio do Picapau Amarelo”. Também apresenta e dirige os primeiros clipes musicais criados para o programa Fantástico, numa época em que o videoclipe ainda engatinha na TV brasileira.
Na década seguinte, se divide entre atuações marcantes em novelas e minisséries de grande audiência e convites para outras emissoras, como a TV Manchete, onde participa de sucessos como “Dona Beija”. Volta depois à Globo e, já nos anos 2000, também aparece em produções de outros canais, sem perder a identificação com o público que o acompanha desde os tempos em preto e branco.
Família, afetos e impacto cultural
Casado há mais de 50 anos com Daisy Poli, Gracindo Jr. constrói uma vida familiar sólida, frequentemente citada por amigos como um porto seguro. Ele deixa cinco filhos e sete netos, que hoje se tornam também guardiões de uma memória que atravessa três gerações de espectadores brasileiros.
No meio artístico, a morte é recebida como a perda de um dos últimos elos diretos com o pioneirismo da TV nacional. Profissionais de televisão, teatro e rádio destacam o papel de Gracindo Jr. como mentor informal, referência de seriedade no trabalho e ponte viva com a época em que tudo ainda estava sendo inventado.
Para o público, a despedida de um rosto tão familiar aciona lembranças de décadas. Ao longo do dia, fãs resgatam cenas, imagens em preto e branco, personagens queridos e depoimentos do ator sobre o ofício. A expectativa agora é que emissoras e instituições culturais organizem retrospectivas, mostras e especiais que revisitem sua obra e, com ela, a própria história da televisão brasileira.
O adeus formal se encerra com a cremação marcada para a tarde desta quinta-feira. A discussão sobre seu legado, porém, tende a se estender por muito mais tempo, num país que ainda aprende a preservar a memória de quem construiu seus palcos, telas e ondas de rádio.
O que aconteceu com Gracindo Júnior?
Gracindo Jr., ator e diretor de 83 anos, morre na noite de terça-feira em casa, no Rio de Janeiro, por causas naturais, segundo a família, após mais de cinco décadas de carreira. Ele é velado em cerimônia aberta ao público e será cremado no Crematório e Cemitério da Penitência.
Quem são os filhos de Gracindo Júnior?
Gracindo Jr. deixa cinco filhos, todos frutos do casamento de mais de 50 anos com Daisy Poli, além de sete netos; os nomes não são detalhados publicamente, mas um deles, Pedro Gracindo, confirma a morte do pai e acompanha a organização do velório e da cremação no Rio de Janeiro.
Qual foi a causa da morte de Gracindo Júnior?
A causa da morte de Gracindo Jr. é informada pela família como causas naturais, ocorridas em sua residência, no Rio de Janeiro, por volta das 22h da última terça-feira, quando o ator e diretor de 83 anos está acompanhado pela esposa, Daisy Poli, e pelos filhos.
Quais foram os principais trabalhos de Gracindo Júnior na televisão?
Os principais trabalhos de Gracindo Jr. incluem novelas pioneiras como “Rosinha do Sobrado”, “Padre Tião”, “A Rainha Louca”, “O Bem Amado” e “O Casarão”, além da direção de tramas como “Memórias de Amor” e “Marron-Glacé” e de episódios de “Os Trapalhões” e do “Sítio do Picapau Amarelo”.
Como foi a relação profissional entre Gracindo Júnior e seu pai, Paulo Gracindo?
A relação profissional entre Gracindo Jr. e Paulo Gracindo é marcada por parcerias em novelas como “O Bem Amado” e “O Casarão”, em que interpretam o mesmo personagem em fases distintas, e por uma admiração explícita do filho, que credita ao pai o aprendizado sobre responsabilidade, respeito ao ofício e amor ao trabalho artístico.
Quais foram as reações de famosos à morte de Gracindo Júnior?
As reações de famosos à morte de Gracindo Jr. incluem homenagens emocionadas nas redes sociais, como a de Leonardo Bricio, que relata ter estado ao lado da família no momento final e afirma que o amigo “foi e será sempre muito amado”, além de manifestações de colegas de TV, teatro e cinema, que destacam seu pioneirismo.