7 de Setembro divide o país: Lula fala em soberania em Brasília, e Bolsonaro reúne direita contra Moraes na Paulista

Enquanto presidente aposta em discurso de união e soberania nacional em Brasília, candidato do PL mobiliza apoiadores na Paulista com ataques a Lula e Alexandre de Moraes
Redação NC News
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O 7 de Setembro de 2026 ganhou um peso político especial por ocorrer a poucas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais. Em lados opostos, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) transformaram a data em uma demonstração de estratégias diferentes para disputar o eleitorado.

Enquanto o presidente participa do desfile cívico-militar em Brasília e tenta associar a Independência à união nacional, soberania e identidade brasileira, Flávio Bolsonaro concentra sua mobilização na Avenida Paulista, em São Paulo, com um discurso de oposição ao governo e de enfrentamento ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A diferença entre os dois movimentos deixa evidente como o feriado passou a funcionar também como um dos primeiros grandes momentos de exposição da disputa presidencial de 2026.

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Lula aposta em união e soberania

Em Brasília, Lula participa do tradicional desfile de 7 de Setembro na Esplanada dos Ministérios. O evento tem como principal mote “Soberania: A Força que Une o Brasil” e foi estruturado pelo governo para evitar a transformação da cerimônia oficial em um ato de campanha.

A programação deste ano destaca três eixos: soberania nacional, combate à violência contra as mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. A cerimônia também reúne integrantes das Forças Armadas, estudantes, atletas e representantes de diferentes instituições.

A escolha do discurso de soberania ganhou força depois dos conflitos comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Lula afirmou que o país não será “colônia de ninguém” e defendeu que recursos estratégicos brasileiros, como petróleo e terras raras, sejam utilizados para gerar desenvolvimento, tecnologia e empregos.

Lula, Alckmin, Haddad, Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França | Foto: Ricardo Stuckert

O presidente também evitou transformar diretamente o 7 de Setembro em um confronto com seus adversários políticos. A estratégia do governo é utilizar símbolos nacionais, principalmente o verde e amarelo, e apresentar a data como um momento de união em torno do país.

A postura também tem uma preocupação eleitoral. Como presidente e candidato à reeleição, Lula precisa conciliar a exposição pública com as restrições impostas pela legislação eleitoral para impedir que uma cerimônia oficial seja utilizada como propaganda de campanha.

Flávio transforma a Paulista em palanque eleitoral

Em São Paulo, a estratégia é praticamente oposta.

Flávio Bolsonaro escolheu a Avenida Paulista para realizar o principal ato de sua campanha neste 7 de Setembro, com concentração prevista para a tarde. O evento foi inicialmente divulgado com o mote “É Agora ou Nunca”, mas passou a ser convocado principalmente com a mensagem “Fora Lula, Fora Moraes”.

A mudança ocorreu depois da divulgação de informações envolvendo Alexandre de Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A crise dentro do STF passou a ocupar espaço central no discurso da campanha de Flávio.

Aliados do candidato avaliam que o episódio pode ajudar a ampliar a mobilização da base bolsonarista e dar novo impulso à candidatura. Flávio vinha evitando colocar o impeachment de ministros do Supremo como eixo principal de sua campanha, mas aumentou o tom contra Moraes nos últimos dias.

Manifestantes e políticos de direita participam do ato ‘Acorda Brasil’ na Avenida Paulista | Foto: Fábio Vieira/Estadão

O candidato passou a defender que o ministro deixe o cargo, seja afastado ou responda a um processo de impeachment. A estratégia também tenta aproximar Flávio do discurso de enfrentamento ao STF que marcou parte da trajetória política de Jair Bolsonaro.

A aposta acontece em um momento importante da eleição. Segundo pesquisa Datafolha divulgada em 3 de setembro, Lula aparecia com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. No segundo turno, os números eram de 46% para Lula e 44% para Flávio, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Por isso, a manifestação da Paulista tem uma função que vai além da pauta contra Moraes. Para a campanha de Flávio, um ato com grande presença de apoiadores pode servir para demonstrar capacidade de mobilização, fortalecer sua imagem dentro do eleitorado de direita e ampliar sua exposição nacional.

A manifestação também busca reproduzir um cenário que já fez parte da estratégia política de Jair Bolsonaro. A Avenida Paulista foi palco de grandes atos bolsonaristas em diferentes momentos e se tornou um dos principais símbolos da mobilização política da direita no país.

Crise no STF vira combustível para a disputa

A ofensiva de Flávio contra Moraes ocorre em meio a uma crise interna no Supremo.

Na semana passada, o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro. Segundo as informações divulgadas, o empresário teria procurado um interlocutor identificado pela PF como Alexandre de Moraes para tratar de questões relacionadas à investigação e chegou a perguntar sobre a possibilidade de deixar o Brasil antes de ser preso.

Moraes reagiu e pediu que Mendonça fosse investigado por possíveis irregularidades relacionadas à condução do caso. O presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem explicações.

A disputa passou a ser explorada politicamente pelo grupo de Flávio.

Para os aliados do candidato, o desgaste envolvendo Moraes ajuda a reforçar a narrativa de que o ministro teria atuado de forma política contra Jair Bolsonaro e seus aliados. A campanha também procura associar Lula ao ministro, embora o presidente não seja diretamente responsável pelas decisões individuais tomadas por integrantes do STF.

A estratégia coloca o Supremo no centro da disputa presidencial e permite que Flávio apresente sua candidatura como uma alternativa de confronto ao que chama de excesso de poder das instituições de Brasília.

A eleição começa a aparecer no 7 de Setembro

O contraste entre Lula e Flávio é também uma disputa pela interpretação política da própria data.

Lula tenta ocupar o 7 de Setembro com uma mensagem institucional, associando a Independência à soberania, ao desenvolvimento e à união nacional. Flávio, por outro lado, utiliza a mobilização popular para reforçar a oposição ao governo e transformar a crise envolvendo Moraes em uma das principais bandeiras de sua campanha.

A distância entre os dois discursos revela duas estratégias eleitorais diferentes.

De um lado, Lula busca preservar a imagem presidencial e apresentar-se como líder capaz de unir diferentes setores do país. De outro, Flávio tenta consolidar-se como principal representante do eleitorado bolsonarista e manter viva a agenda de confronto com o STF e com o governo petista.

O feriado, portanto, deixa de ser apenas uma cerimônia institucional e passa a funcionar como uma espécie de termômetro político para as duas candidaturas.

Outros candidatos também vão às ruas

Além de Lula e Flávio, outros candidatos à Presidência escolheram atividades públicas para marcar o 7 de Setembro.

Romeu Zema (Novo) participa de uma caminhada na Avenida Paulista pela manhã. Renan Santos (Missão) realiza um ato no Obelisco do Ibirapuera, também em São Paulo, com críticas ao STF.

Augusto Cury (Avante) programou caminhada e comício em Copacabana, no Rio de Janeiro, com discurso voltado à pacificação, ao equilíbrio e ao diálogo. Já Ronaldo Caiado (PSD) participa do desfile cívico em Goiânia.

Apesar da presença de outros nomes da corrida presidencial, a disputa entre Lula e Flávio concentra a maior atenção política do feriado por reunir os dois candidatos que aparecem como protagonistas da polarização nacional neste momento da eleição.

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Entenda O Contexto

O 7 de Setembro de 2026 ocorre em um momento decisivo da política brasileira. Com a eleição presidencial se aproximando, Lula e Flávio Bolsonaro disputam não apenas votos, mas também a interpretação política do país. O presidente aposta em uma imagem institucional, associada à soberania nacional e à união, enquanto Flávio busca mobilizar o eleitorado de direita por meio de críticas ao governo e ao Supremo Tribunal Federal.

A crise envolvendo Alexandre de Moraes e as informações relacionadas ao caso Banco Master deram novo combustível ao discurso bolsonarista contra o STF. Ao mesmo tempo, a diferença apertada apontada pelas pesquisas aumenta a importância de cada movimento de campanha. Nesse cenário, o feriado da Independência se transforma em um dos primeiros grandes testes de mobilização pública entre os principais grupos que devem disputar o Palácio do Planalto em 2026.

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