Aluguel no Rio dispara com queda de mais de 30% na oferta de imóveis

Aluguel no Rio dispara com queda de mais de 30% na oferta de imóveis
Redação NC News
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Quem procura um imóvel para alugar no Rio de Janeiro enfrenta um cenário cada vez mais difícil. A oferta de imóveis para locação tradicional caiu 31,8% entre 2023 e 2026, segundo dados do Sindicato da Habitação do Rio (Secovi Rio).

Ao mesmo tempo em que há menos opções disponíveis, a procura continua elevada. O avanço das locações por temporada e os juros altos, que dificultam o financiamento da casa própria, ajudam a explicar a pressão sobre os valores dos contratos.

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Entenda o que está acontecendo

A redução da oferta já mudou a rotina de quem precisa encontrar um imóvel para morar. O produtor cultural Gustavo Canella conta que há seis anos muda de bairro na tentativa de manter o aluguel dentro do orçamento.

Ele já morou na Zona Sul, passou pelo Centro e atualmente vive na região de Vila Isabel. Agora, procura um apartamento na Tijuca, mas afirma que encontrar uma opção para contrato de longa duração tem sido difícil.

“É desesperador procurar casa. Você não acha imóvel para longa temporada, só para fim de semana, mobiliado e com um valor lá em cima”, relata Canella. 

Menos imóveis aumentam a disputa

Segundo o vice-presidente do Secovi Rio, Leonardo Schneider, a redução da oferta ajuda a explicar a valorização dos aluguéis nos últimos anos.

Com menos imóveis disponíveis, aumenta a disputa entre os interessados, principalmente para novos contratos. Nos contratos que já estão em vigor, os reajustes continuam seguindo os índices previstos no momento da assinatura.

A situação também é percebida nas plataformas de aluguel, segundo Gustavo. De acordo com ele, muitos anúncios encontrados são direcionados para estadias de curta duração, reduzindo ainda mais as opções para quem procura uma moradia permanente.

Turismo favorece aluguel por temporada

O crescimento do turismo no Rio também influencia o mercado. Em 2025, a cidade recebeu 10,5 milhões de turistas brasileiros e 2,1 milhões de estrangeiros, segundo dados da Prefeitura.

Para o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita, o aumento do fluxo turístico, junto com a retomada do movimento no Aeroporto Internacional do Galeão, estimulou proprietários a colocar imóveis em plataformas de curta temporada.

“A locação por curta temporada acaba retirando imóveis do mercado tradicional. Com baixa oferta, normalmente há aumento dos valores dos aluguéis”, explica Mesquita.

Zona Sul concentra os imóveis mais caros

O efeito é mais evidente na Zona Sul, onde a procura de turistas é maior. Com menos imóveis destinados à locação tradicional, os preços tendem a subir.

Os dados do Data Secovi mostram que o Leblon lidera o ranking do metro quadrado de aluguel mais caro do Rio, com R$ 129,10.

Na sequência aparecem Ipanema, com R$ 124,97, e Lagoa, com R$ 89,64.

Entre os dez bairros com os maiores valores de aluguel, oito ficam na Zona Sul. Barra da Tijuca e Centro também aparecem entre os primeiros colocados.

Valor do Metro Quadrado na Zona Sul carioca | Foto: Redação NC News

Aluguel também dispara fora da Zona Sul

A valorização não está limitada aos bairros mais valorizados da cidade.

Corretores e representantes do mercado imobiliário apontam aumento da procura e dos preços em regiões como Tijuca, Méier, Vila Isabel, Taquara e Santa Cruz.

Quando o levantamento considera o percentual de aumento nos últimos 12 meses, o Centro aparece na liderança, com valorização de 34,9%.

Na sequência estão Jardim Botânico, com 31,7%; Lagoa, com 26,1%; Botafogo, com 21,9%; e Vila Isabel, com 18,5%.

Entre os dez bairros que registraram as maiores altas, seis ficam na Zona Sul. Também aparecem Barra da Tijuca, Taquara, Centro e Vila Isabel.

Juros altos dificultam a compra da casa própria

Outro fator que pesa sobre o mercado é a taxa básica de juros.

Com o financiamento imobiliário mais caro, parte das famílias adia a compra da casa própria e continua no aluguel. Com mais pessoas disputando os imóveis disponíveis, mas sem um crescimento equivalente da oferta, os preços são pressionados.

Segundo o presidente do Creci-RJ, Wilson Martins, o impacto da Selic ajuda a explicar a valorização dos aluguéis em diferentes regiões.

Enquanto os aluguéis avançam, os imóveis prontos para venda apresentam uma valorização mais lenta. Nos últimos 12 meses, apenas cinco bairros registraram aumento acima da inflação medida pelo IPCA: Centro, Laranjeiras, Copacabana, Flamengo e Leblon.

Ainda assim, os valores de venda continuam elevados nas áreas mais valorizadas. O Leblon aparece com metro quadrado médio de R$ 26.017, seguido por Ipanema, com R$ 24.596.

Aluguel sobe mais de três vezes o ritmo da venda

O levantamento do índice FipeZAP mostra a diferença entre os dois mercados.

Nos últimos três anos, os aluguéis acumulam alta de 38,09%, enquanto os preços de venda dos imóveis cresceram 11,34%.

Para representantes do setor, o descompasso está relacionado à combinação de juros elevados, menor acesso ao crédito imobiliário e redução da oferta de imóveis destinados à locação tradicional.

Também há mudanças no comportamento dos brasileiros. A possibilidade de mudar de cidade ou bairro com mais facilidade, a dificuldade de comprar em regiões valorizadas e a preferência por investimentos financeiros são fatores apontados pelos especialistas para explicar a permanência de mais pessoas no mercado de aluguel.

Mais brasileiros vivem de aluguel

Dados do IBGE mostram que a parcela da população brasileira que vive em imóveis alugados passou de 18,4% em 2016 para 23,8% em 2025.

No Rio de Janeiro, entidades do setor estimam que essa participação já esteja próxima de 28%.

Para o mercado imobiliário, a tendência é de continuidade da pressão sobre os preços enquanto a oferta de imóveis para locação tradicional permanecer reduzida e os juros continuarem elevados.

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Entenda o contexto

O mercado de aluguel do Rio vive uma combinação de fatores que afeta diretamente quem procura uma moradia: menos imóveis disponíveis, maior procura, crescimento das locações por temporada e crédito imobiliário mais caro.

O resultado é uma disputa maior pelos imóveis destinados a contratos tradicionais e, consequentemente, uma pressão sobre os preços. O cenário atinge tanto áreas tradicionalmente valorizadas, como Leblon e Ipanema, quanto bairros de outras regiões da cidade.

Para quem depende do aluguel, a redução da oferta significa menos alternativas para comparar preços e condições antes de fechar um contrato.

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