Conta de luz mais barata pode levar inflação a ter primeira deflação em um ano

Mercado projeta queda de 0,23% no IPCA de agosto, puxada principalmente pelo bônus de Itaipu que reduziu as contas de energia de milhões de brasileiros
Redação NC News
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O IPCA de agosto pode registrar deflação de 0,23%, segundo as expectativas do mercado financeiro. Se a projeção se confirmar, será a primeira queda do índice oficial de inflação em um ano, impulsionada principalmente pelo desconto aplicado nas contas de energia elétrica por meio do chamado Bônus de Itaipu. O resultado oficial será divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (11).

O benefício alcançou aproximadamente 83,8 milhões de consumidores residenciais e rurais em agosto. O desconto veio de um repasse de R$ 872,1 milhões referente ao saldo positivo da usina hidrelétrica de Itaipu e foi aprovado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

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Entenda o que aconteceu

O desconto nas contas de luz foi aplicado a consumidores residenciais e rurais que tiveram consumo inferior a 350 kWh em pelo menos um mês de 2025. Segundo a Aneel, o valor médio estimado do bônus ficou em R$ 10,41 por conta, embora o desconto pudesse ser maior dependendo do histórico de consumo.

A distribuição dos recursos da usina ocorre por meio de um mecanismo que permite repassar aos consumidores parte do saldo positivo de Itaipu. Neste ano, o valor considerado pela Aneel foi de R$ 0,00747181 por kWh.

O efeito sobre a inflação aparece porque a conta de energia elétrica faz parte do cálculo do IPCA. Quando o valor pago pelos consumidores diminui, essa redução também pesa no resultado do índice.

Desconto ajuda a segurar a inflação

A expectativa de deflação não depende apenas da energia elétrica. A prévia da inflação, o IPCA-15, já havia apontado queda de 0,40% em agosto, com contribuição importante da energia e dos alimentos.

Entre os produtos que registraram queda na prévia estavam tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído. O grupo de alimentação e bebidas teve recuo de 0,57% no período considerado pelo IPCA-15.

A conta de luz, porém, aparece como um dos principais fatores para explicar por que o resultado cheio do IPCA pode ficar negativo.

Alívio pode ser temporário

Apesar do impacto positivo para o bolso das famílias em agosto, economistas avaliam que o efeito do bônus de Itaipu é temporário.

Isso significa que a queda registrada na inflação não representa necessariamente uma redução permanente dos preços. Com o fim do desconto, a energia elétrica pode voltar a pressionar o índice nos meses seguintes.

O cenário também depende das condições climáticas e do custo de geração de energia. Em períodos de menor disponibilidade de água nos reservatórios, o sistema pode precisar recorrer mais às usinas termelétricas, que têm custo de geração mais elevado.

Mercado espera primeira deflação em um ano

A projeção atual de -0,23% para o IPCA de agosto representa uma mudança importante em relação aos meses anteriores. Se confirmada pelo IBGE, será a primeira variação negativa do índice desde agosto de 2025, quando o IPCA registrou queda de 0,11%.

A expectativa também chama atenção porque a inflação continua sendo acompanhada de perto pelo mercado financeiro e pelo Banco Central. O resultado mensal influencia as projeções para a inflação acumulada e ajuda a orientar as expectativas para os próximos meses.

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O que acontece agora

O próximo passo é a divulgação do IPCA oficial de agosto pelo IBGE, marcada para esta sexta-feira (11). O número vai mostrar se a projeção de queda de 0,23% feita pelos analistas se confirmou.

Além da variação mensal, o mercado deverá observar quais grupos tiveram maior influência sobre o resultado e como ficaram os índices acumulados no ano e em 12 meses.

Entenda o contexto

O resultado de agosto ocorre em um cenário no qual a inflação brasileira vem desacelerando gradualmente, mas ainda permanece como uma das principais preocupações econômicas. O Boletim Focus divulgado nesta semana mostrou que os analistas reduziram para 5% a projeção para o IPCA de 2026. Mesmo assim, a estimativa continua acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.

A projeção para a taxa Selic também permanece elevada. O mercado espera que a taxa básica de juros termine 2026 em 13,75% ao ano, após uma possível redução de 0,25 ponto percentual. A Selic é uma das principais ferramentas utilizadas pelo Banco Central para controlar a inflação.

Por isso, uma eventual deflação em agosto pode representar um alívio pontual nos preços, mas não significa, sozinha, que a pressão inflacionária tenha desaparecido.

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