O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, utilizou a agenda de campanha em Boa Vista, nesta quinta-feira (10), para intensificar as críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, questionar investigações conduzidas pela Polícia Federal e reforçar promessas de mudanças na composição da Corte caso vença as eleições de 2026.
Durante entrevista à imprensa e posteriormente em um comício no Centro Cívico da capital roraimense, o senador afirmou que indicará ministros contrários ao aborto e à legalização das drogas e acusou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de utilizar instituições para interferir no processo eleitoral.
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Entenda o que aconteceu
A principal declaração de Flávio Bolsonaro ocorreu ao comentar a operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro Flávio Dino que apura suspeitas de irregularidades envolvendo recursos destinados ao filme Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Entre os alvos da investigação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama. A investigação apura suspeitas de desvio de recursos de emendas parlamentares, além de possíveis crimes como lavagem de dinheiro e organização criminosa, segundo a Polícia Federal.
Ao comentar o caso em Boa Vista, o candidato afirmou que a operação teria motivação eleitoral.
“Não tem absolutamente nada de errado com esse filme. O que tem claramente é uma tentativa de interferência política, mais uma vez, agora do ministro Flávio Dino sobre as eleições.”
A declaração ocorre no mesmo dia em que Dino retirou o sigilo da decisão que autorizou a operação da PF.
Ataques ao STF marcaram discurso
Além das críticas à investigação, Flávio voltou a atacar o Supremo Tribunal Federal e, especialmente, o ministro Alexandre de Moraes.
Durante a entrevista, o candidato afirmou que houve uma concentração excessiva de poderes em decisões tomadas por ministros da Corte nos últimos anos e defendeu que o STF discuta internamente os limites de atuação de seus integrantes.
Ele também afirmou que pretende atuar para mudar o perfil das futuras indicações ao tribunal caso seja eleito presidente da República.
“A gente vai colocar pessoas, homens e mulheres do Supremo, que sejam contra o aborto e contra as drogas.”
Candidato eleva tom contra Lula
Em diversos momentos da agenda em Roraima, Flávio Bolsonaro associou decisões do STF ao governo federal e afirmou que Lula estaria buscando apoio dentro das instituições para vencer a eleição presidencial.
Sem apresentar provas para a acusação, o candidato declarou que o presidente estaria tentando obter vantagens políticas por meio de aliados na Corte.
As declarações repetem um discurso adotado pelo senador nos últimos dias, em meio à crise envolvendo ministros do Supremo e decisões relacionadas a investigações que atingem aliados do bolsonarismo.
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Promessa de novas indicações ao Supremo
No comício realizado no Centro Cívico, Flávio Bolsonaro voltou a defender uma mudança de orientação ideológica no STF.
Segundo o candidato, eventuais vagas abertas durante seu mandato seriam preenchidas por nomes identificados com pautas conservadoras e alinhados a posições contrárias à descriminalização das drogas e à ampliação do direito ao aborto.
O tema tem sido recorrente na campanha do presidenciável, especialmente em agendas voltadas ao eleitorado conservador e evangélico.
Visita teve agenda política e eleitoral
Além da coletiva, Flávio participou de reunião com empresários, lideranças do agronegócio e aliados políticos de Roraima.
Também estiveram presentes o candidato ao Governo de Roraima, Arthur Henrique, e os candidatos ao Senado Nicoletti e Hélio Bolsonaro, para quem o presidenciável pediu apoio durante a passagem pelo estado.
A agenda foi encerrada com uma carreata pelas ruas de Boa Vista e um comício no Centro Cívico antes do deslocamento para Manaus.
Entenda o contexto
As declarações de Flávio Bolsonaro ocorrem em meio a uma semana de forte tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal e a campanha presidencial.
A operação relacionada ao filme Dark Horse foi autorizada por Flávio Dino e atingiu aliados próximos do bolsonarismo. O episódio ampliou o embate entre integrantes do PL e ministros da Corte.
Ao mesmo tempo, a campanha do candidato tem explorado politicamente a crise interna no STF e o desgaste envolvendo ministros da Corte para reforçar o discurso de que instituições estariam interferindo no processo eleitoral. Aliados do senador avaliam que o tema deve permanecer no centro do debate político nas próximas semanas.