A procura pela primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) disparou no Brasil em 2026. Entre janeiro e agosto, 7,3 milhões de pessoas deram entrada no processo para tirar a carteira, contra 2,3 milhões no mesmo período do ano passado. O aumento foi de 216%, segundo dados do Ministério dos Transportes divulgados nesta quinta-feira (10).
O crescimento da procura, porém, foi bem maior do que o avanço no número de pessoas que efetivamente receberam a habilitação. No período, foram emitidas cerca de 2 milhões de novas CNHs, alta de 17,1% em relação aos primeiros oito meses de 2025.
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Por que a procura pela CNH aumentou tanto
O salto acontece após mudanças nas regras para obtenção da primeira habilitação. O governo federal adotou medidas com o objetivo de simplificar o processo e reduzir o custo para quem quer tirar a carteira.
Uma das principais alterações foi o fim da obrigatoriedade de frequentar uma autoescola durante todo o processo. Também houve redução da quantidade mínima de aulas práticas, que passou de 20 para duas horas.
Antes das mudanças, o custo para obter a CNH podia variar entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, dependendo do estado, segundo estimativa apresentada pelo governo.
Outra frente foi a digitalização do processo. O aplicativo CNH do Brasil passou a disponibilizar gratuitamente conteúdo teórico para os candidatos estudarem para a prova.
Procura e emissão são números diferentes
Apesar do aumento de 216% na procura, o crescimento das novas habilitações emitidas foi de 17,1%.
Isso significa que milhões de pessoas iniciaram o processo para conseguir a primeira CNH, mas ainda não concluíram todas as etapas necessárias para receber o documento.
O Ministério dos Transportes estima que 20 milhões de brasileiros dirigem atualmente sem CNH. A meta do governo para os próximos cinco anos é aumentar em 25% o número de novos habilitados.
Pessoas mais velhas estão tirando mais a carteira
O levantamento mostra que o crescimento da emissão da primeira CNH foi especialmente forte entre pessoas mais velhas.
Entre brasileiros de 45 a 54 anos, a emissão aumentou 37,4%. Já entre aqueles com 55 anos ou mais, o avanço chegou a 53,4%.
Entre os mais jovens, o crescimento foi menor. Na faixa de 18 a 20 anos, a alta foi de 11,9%. Entre pessoas de 21 a 24 anos, o aumento foi de 6,6%.
O número de mulheres que tiraram a primeira carteira também cresceu. Foram cerca de 1,2 milhão de novas habilitações femininas, alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025.
Tempo para conseguir a habilitação caiu
Além do aumento da procura, o levantamento aponta uma redução no tempo necessário para concluir o processo.
A mediana passou de 210 dias, entre janeiro e agosto de 2025, para 147 dias no mesmo período de 2026.
O governo também informou que a parcela de candidatos que levava cerca de seis meses para conseguir a habilitação caiu de aproximadamente dois em cada três no ano passado para 40,6% em 2026.
Esse é o menor percentual da série histórica iniciada em 2009. Apenas 3,69% dos candidatos conseguiram concluir o processo em até um mês.
Quais estados tiveram maior crescimento
Na emissão de primeiras CNHs, os maiores aumentos foram registrados na Paraíba, com alta de 77%, em Sergipe, com 69,5%, e no Acre, com 55,4%.
Quatro estados, por outro lado, tiveram queda no número de novas habilitações: Tocantins (-2,8%), Goiás (-5,9%), Minas Gerais (-6%) e Rio de Janeiro (-25,6%).
Segundo o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo Catão, o Rio de Janeiro foi o último estado a concluir o processo de adesão às novas regras, o que teria influenciado os resultados.
Já quando o indicador é a procura pela primeira CNH, os maiores aumentos ocorreram no Amapá (+485,8%), Sergipe (+472,5%) e Pernambuco (+468%).
Aplicativo oferece curso teórico gratuito
O Ministério dos Transportes também reformulou o aplicativo CNH do Brasil, que passou a concentrar conteúdo teórico gratuito e online para os candidatos.
Segundo o balanço, o número de cursos realizados pelos candidatos praticamente dobrou, passando de cerca de 2 milhões para 4,4 milhões.
A ferramenta faz parte da estratégia de digitalização do processo e permite que o candidato tenha acesso ao material de preparação sem depender exclusivamente de aulas presenciais.
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Entenda o contexto
O aumento de 216% na procura pela primeira CNH ocorre após uma série de mudanças feitas para tornar o processo de habilitação mais simples e barato.
O dado, no entanto, precisa ser interpretado com cuidado: 216% representa o crescimento no número de pessoas que deram entrada no processo, e não o aumento de brasileiros que já receberam a carteira.
A emissão efetiva cresceu 17,1%, chegando a cerca de 2 milhões de novas CNHs entre janeiro e agosto.
A expectativa do governo é que a flexibilização ajude a ampliar o número de brasileiros habilitados, principalmente diante da estimativa de que 20 milhões de pessoas dirigem sem CNH no país.
Ao mesmo tempo, a formação dos novos motoristas continua sendo uma etapa essencial para a segurança no trânsito. Mesmo com a redução das exigências, o candidato ainda precisa cumprir as etapas previstas e ser aprovado nos exames necessários para receber a habilitação.
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