AirBaltic pede recuperação judicial nos EUA para reestruturar dívidas

Companhia aérea da Letônia entrou com pedido de proteção do Chapter 11 em Nova York e conseguiu compromisso de € 350 milhões para manter as operações durante a reestruturação.
Redação NC News
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A companhia aérea airBaltic, da Letônia, entrou nesta segunda-feira (14) com um pedido voluntário de proteção contra falência nos Estados Unidos, por meio do Chapter 11, procedimento que permite a empresas reorganizar suas dívidas sob supervisão judicial sem necessariamente interromper as atividades.

A medida ocorre em meio à forte pressão financeira enfrentada pela empresa, agravada pelo aumento dos custos de combustível provocado pela guerra entre Estados Unidos e Irã. Mesmo com o processo, a companhia informou que os voos e os serviços aos passageiros continuarão normalmente.

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Entenda o que aconteceu

O pedido foi apresentado no Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York. A estratégia permite que a airBaltic tenha proteção contra determinadas cobranças de credores enquanto negocia uma nova estrutura financeira.

A companhia pretende utilizar o processo para reduzir dívidas, reorganizar contratos e ajustar sua operação, buscando uma estrutura de capital considerada mais sustentável.

Ao contrário de uma liquidação, o Chapter 11 permite que a empresa continue funcionando enquanto o plano de reestruturação é desenvolvido e analisado pela Justiça.

Companhia conseguiu € 350 milhões para continuar operando

Para financiar as atividades durante a reestruturação, a airBaltic garantiu um compromisso de € 350 milhões, equivalente a aproximadamente US$ 405 milhões.

O financiamento envolve instituições como Barclays, Morgan Stanley, Oaktree Capital Management, Hayfin Capital Management e Strategic Value Partners. O acordo ainda depende de aprovação judicial e prevê juros de aproximadamente 12%.

O dinheiro será utilizado para garantir liquidez enquanto a empresa reorganiza suas obrigações financeiras.

Guerra no Irã agravou a situação financeira

Um dos principais fatores que pressionaram a companhia foi a forte alta do preço do combustível para aviação.

A guerra entre Estados Unidos e Irã provocou impactos no mercado de petróleo e elevou significativamente os custos das empresas aéreas. Segundo a Reuters, o preço do combustível para jatos chegou a dobrar, agravando uma crise que já afetava o setor.

A airBaltic também enfrentou dificuldades relacionadas à disponibilidade de motores e à necessidade de ajustar sua capacidade operacional.

A empresa já vinha buscando alternativas para levantar recursos antes de recorrer ao Chapter 11.

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Tentativa de captar € 257 milhões não avançou

Antes do pedido de proteção nos Estados Unidos, a airBaltic buscava autorização para levantar aproximadamente € 257 milhões em financiamento.

A tentativa, porém, não avançou da maneira esperada, aumentando a pressão sobre o caixa da companhia e contribuindo para a decisão de iniciar a reestruturação judicial.

A empresa também já havia recebido apoio financeiro do governo da Letônia, mas novas medidas de auxílio são limitadas pelas regras de ajuda estatal da União Europeia.

Voos continuam normalmente

Para os passageiros, uma das principais informações é que o pedido de Chapter 11 não significa o cancelamento das operações da airBaltic.

A empresa informou que seus voos e serviços continuarão funcionando normalmente durante o processo. Dados de acompanhamento de voos também mostram operações programadas da companhia nesta segunda-feira.

O objetivo da proteção judicial é justamente permitir que a empresa continue funcionando enquanto negocia com credores e reorganiza sua estrutura financeira.

AirBaltic pretende reduzir a frota

A reestruturação também deve envolver mudanças no tamanho da operação.

A airBaltic possui atualmente uma frota de 54 aeronaves Airbus A220-300 e planeja reduzir esse número para 36 aviões até o fim de 2026.

A companhia transportou 5,2 milhões de passageiros em 2025 e opera mais de 70 rotas.

A redução da frota faz parte do esforço para adequar a capacidade da empresa ao cenário financeiro atual.

Empresa busca investidor estratégico

A airBaltic também procura um investidor estratégico para fortalecer sua estrutura financeira.

A companhia é controlada pelo governo da Letônia, que possui 88,37% das ações, enquanto a alemã Lufthansa detém uma participação de aproximadamente 10%.

A busca por um novo parceiro ocorre em meio à tentativa de tornar a operação mais sustentável depois de anos de expansão e de dificuldades provocadas por fatores externos.

Reestruturação pode afetar empregos

A companhia também iniciou conversas com sindicatos sobre possíveis reduções no quadro de funcionários.

Segundo o CEO Erno Hilden, a redução de capacidade planejada deve ter consequências sobre a força de trabalho. O número de possíveis cortes ainda não foi definido, pois as negociações com os representantes dos trabalhadores estão em andamento.

As mudanças também podem atingir a operação de wet lease, modalidade em que a companhia fornece aeronave e tripulação para outras empresas aéreas.

Quando a reestruturação deve terminar

A airBaltic espera concluir o processo de reestruturação até junho de 2027.

Durante esse período, a companhia deverá negociar com credores, reorganizar suas obrigações financeiras, ajustar a frota e buscar uma estrutura de capital que permita a continuidade das operações.

Entenda o contexto

O pedido da airBaltic acontece em um momento de forte pressão sobre o setor aéreo internacional. O aumento dos preços do combustível, associado aos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã, elevou os custos das companhias e atingiu especialmente empresas menores, que possuem menos margem financeira para absorver choques.

A airBaltic é a segunda companhia aérea a entrar em colapso financeiro relacionado aos efeitos econômicos da guerra, depois da americana Spirit Airlines. O Chapter 11, porém, permite que a empresa continue operando enquanto tenta reorganizar suas finanças.

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