A inteligência artificial precisa ser regulamentada com urgência para evitar que a humanidade perca parte de sua autonomia. O alerta foi feito nesta terça-feira (15) pela jornalista Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2021, durante uma visita a Oslo, na Noruega.
Segundo Ressa, o avanço acelerado da IA já passou da fase de simplesmente oferecer novas ferramentas digitais e começa a interferir diretamente no comportamento, na autonomia e na forma como as pessoas se relacionam com a tecnologia.
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Entenda o que aconteceu
Maria Ressa, que ganhou o Nobel da Paz em 2021 por seu trabalho em defesa da liberdade de expressão e do jornalismo, afirmou que leis para limitar a inteligência artificial precisam ser aprovadas agora.
A jornalista filipina-americana também é copresidente de um painel científico internacional das Nações Unidas que acompanha os impactos da IA na sociedade.
Para Ressa, esperar que os problemas apareçam para depois criar regras pode fazer com que governos e cidadãos percam a capacidade de controlar os efeitos da tecnologia.
“Vamos perder o controle”, diz Ressa
A ganhadora do Nobel afirmou que a sociedade está diante de um momento decisivo.
Segundo ela, a regulamentação da inteligência artificial não deve ser tratada apenas como uma discussão sobre liberdade de expressão, mas também como uma questão de segurança pública.
Ressa defende que cidadãos pressionem governos e parlamentares para criar regras capazes de responsabilizar empresas pelos danos provocados por seus produtos.
A preocupação, segundo ela, está relacionada principalmente à velocidade com que os sistemas de IA estão evoluindo.
As três ondas da inteligência artificial
Ressa dividiu a evolução da tecnologia em três grandes fases.
Na primeira, as redes sociais passaram a disputar a atenção dos usuários, contribuindo, segundo ela, para polarização política, isolamento e manipulação do comportamento.
A segunda fase seria marcada pelos chatbots, que passaram a estabelecer interações cada vez mais próximas com os usuários.
Na terceira etapa, Ressa cita o avanço da chamada IA agentiva e multiagentiva, capaz não apenas de responder a comandos, mas de executar ações em nome das pessoas.
É justamente esse estágio que, na avaliação dela, representa uma mudança importante na relação entre seres humanos e máquinas.
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IA pode agir em nome das pessoas
Um dos principais pontos levantados por Ressa é a diferença entre uma ferramenta que apenas responde a um usuário e sistemas capazes de tomar decisões e executar tarefas de forma mais autônoma.
Na avaliação da jornalista, o desenvolvimento de agentes de IA aumenta a necessidade de estabelecer limites antes que essas tecnologias estejam amplamente integradas ao cotidiano.
A preocupação não está apenas no conteúdo produzido pelos sistemas, mas também no poder que eles podem adquirir para influenciar comportamentos e realizar ações.
Ressa critica argumento de “corrida” entre EUA e China
A discussão sobre regulamentação também envolve a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China.
Críticos da regulamentação argumentam que regras muito rígidas poderiam fazer com que os EUA perdessem espaço na corrida pelo desenvolvimento da inteligência artificial diante dos chineses.
Ressa rejeitou esse argumento e afirmou que ele funciona como uma estratégia de relações públicas utilizada pelas empresas de tecnologia.
A jornalista também destacou que a China já possui algumas salvaguardas específicas para seus cidadãos em plataformas digitais, como restrições de idade em determinadas versões de aplicativos.
Empresas de tecnologia também devem ser responsabilizadas
Para Ressa, criar regras não é suficiente. As próprias empresas precisam ser responsabilizadas quando suas tecnologias provocarem danos.
Ela citou processos judiciais nos Estados Unidos envolvendo grandes empresas de tecnologia como exemplo de mecanismos que podem pressionar o setor a modificar determinadas práticas.
A jornalista também defendeu a criação de plataformas de comunicação de interesse público, que não estejam sob controle direto das grandes empresas de tecnologia.
Entenda o contexto
O debate sobre os limites da inteligência artificial ganhou força em 2026 diante da evolução dos chamados agentes de IA, capazes de executar tarefas de forma cada vez mais autônoma.
Ao mesmo tempo, governos, empresas e pesquisadores discutem como equilibrar inovação e segurança. A preocupação envolve desde desinformação e manipulação de usuários até possíveis impactos sobre empregos, privacidade, segurança e autonomia humana.
O alerta de Maria Ressa ocorre em um momento de crescente pressão internacional por regras para o setor. A discussão deixou de ser apenas sobre o futuro da tecnologia e passou a envolver quem terá poder para definir seus limites e como as empresas serão responsabilizadas pelos impactos de seus sistemas.
Para a ganhadora do Nobel, o momento de estabelecer essas regras é agora — antes que a evolução da inteligência artificial torne mais difícil recuperar o controle sobre seus efeitos.
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