O líder da Minoria na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), deputado distrital Gabriel Magno (PT), protocolou nesta segunda-feira (15) um pedido de impeachment contra a governadora Celina Leão (PP). A denúncia por crime de responsabilidade solicita a abertura de um processo de impedimento e aponta supostas violações à probidade administrativa e ao decoro do cargo.
Segundo o parlamentar, a representação reúne três conjuntos de fatos que, na avaliação da oposição, justificariam a instauração do procedimento na CLDF. O documento foi apresentado com base na Lei nº 1.079/1950, que trata dos crimes de responsabilidade, e sustenta haver elementos suficientes para abertura de uma fase de investigação político-administrativa.
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Entenda o que aconteceu
O primeiro eixo da denúncia trata das operações entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, investigadas no âmbito da Operação Compliance Zero. O pedido menciona reportagens recentes e sustenta que a governadora teria tido conhecimento prévio das negociações envolvendo as instituições financeiras, além de apontar suposta omissão na apuração de possíveis irregularidades. A denúncia cita mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, que contradiriam declarações públicas feitas anteriormente por Celina Leão.
No documento, Gabriel Magno argumenta que, caso seja comprovado que a governadora tinha conhecimento das negociações e deixou de agir quando já ocupava o comando do Executivo distrital, poderia haver enquadramento por crime de responsabilidade. O próprio texto da denúncia, porém, ressalta que as acusações dependem de apuração e produção de provas.

Repasses à empresa ligada à família da governadora
O segundo núcleo da representação aborda pagamentos que, segundo a denúncia, somam R$ 1,4 milhão feitos pela empresa Real JG Facilities à Faceng Engenharia, companhia vinculada ao marido e à filha da governadora. De acordo com o documento, os repasses teriam ocorrido por meio de parcelas mensais de R$ 100 mil entre 2025 e 2026.
A oposição sustenta que a situação merece investigação devido ao volume de contratos da Real JG com o Governo do Distrito Federal. A denúncia, contudo, reconhece que a existência dos pagamentos, por si só, não configura automaticamente irregularidade, sendo necessária a análise da efetiva prestação dos serviços e da eventual relação com contratos públicos.
Suposto conflito de interesses em negócio privado
O terceiro ponto do pedido trata de uma operação privada envolvendo a aquisição de um embrião bovino em copropriedade com o empresário Edmundo de Carvalho Pinheiro, ligado ao setor de transporte coletivo do Distrito Federal. Segundo a denúncia, o negócio foi firmado em 2025 por R$ 500 mil, parcelados em 30 prestações.
Para o deputado, a relação comercial poderia configurar um potencial conflito de interesses, já que o empresário possui participação em empresas que atuam em concessões do transporte público distrital. O documento afirma que a questão central não é a compra do embrião em si, mas a eventual participação da governadora em decisões administrativas que afetem o grupo empresarial sem declaração formal de impedimento.
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O que acontece agora
O pedido será analisado pela Mesa Diretora da Câmara Legislativa, que deverá decidir sobre os próximos passos do procedimento. A denúncia solicita a obtenção de documentos, informações de órgãos de controle e oitivas de pessoas citadas nos fatos apresentados. Entre os requerimentos estão pedidos de informações ao Banco Central, Tribunal de Contas do Distrito Federal, Polícia Federal e ao próprio BRB.
Caso avance, o processo seguirá o rito previsto na legislação federal para crimes de responsabilidade de governadores. O recebimento da denúncia não implica condenação nem afastamento automático da governadora, sendo necessária a análise das provas e o cumprimento das etapas legais previstas.
Entenda o contexto
O pedido de impeachment surge em meio ao aumento da pressão política sobre o Governo do Distrito Federal após novos desdobramentos das investigações relacionadas ao Banco Master e às operações envolvendo o BRB. Nos últimos meses, o caso passou a mobilizar órgãos de controle, investigações policiais e debates na Câmara Legislativa.
Até o momento, as acusações apresentadas na representação constituem alegações da oposição e dependem de análise institucional e eventual produção de provas. O documento protocolado por Gabriel Magno sustenta a existência de indícios que justificariam a abertura de investigação, enquanto a governadora já negou irregularidades em episódios anteriores relacionados ao caso BRB-Master e afirmou ter sido contrária à operação envolvendo o banco privado.
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