O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) defendeu nesta terça-feira (15) que qualquer pessoa sob suspeita de cometer uma ilegalidade seja investigada, independentemente do cargo ou posicionamento político. A declaração foi feita em meio à sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a possibilidade de abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Zema também defendeu o afastamento de autoridades durante as investigações, sob o argumento de que a medida seria necessária para garantir a imparcialidade dos procedimentos.
“Sou favorável a investigar toda suspeita. Se eu tiver suspeito, se eu tiver alguma proximidade com o banqueiro, que eu seja investigado também. Ninguém pode ficar acima da lei”, afirmou.
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Entenda o que Zema defendeu
Durante a declaração, Zema afirmou que a investigação deve alcançar pessoas de diferentes posições políticas e partidárias.
“Qualquer um de direita, de esquerda, do Partido Novo, de qualquer partido, se teve ato ilegal, ato ilícito, que seja investigado”, disse.
Na sequência, o pré-candidato questionou se ministros do Supremo deveriam receber tratamento diferente por ocuparem uma cadeira na Corte.
“Agora, porque é ministro do Supremo não pode ser investigado? Ou porque é de esquerda, ou porque é de direita, ou porque é amigo de não sei quem?”, afirmou.
Zema defendeu ainda que eventuais autoridades sob investigação sejam afastadas para evitar interferências no processo.
“Investigação para todos e afastamento para termos imparcialidade nas investigações, no julgamento”, declarou.
Fala ocorre em meio à crise no STF
A declaração ocorre no mesmo dia em que o STF realiza uma sessão extraordinária para decidir se será aberta uma investigação contra Alexandre de Moraes. A análise considera elementos reunidos pela Polícia Federal envolvendo mensagens atribuídas ao ministro e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
A sessão foi marcada por confrontos entre ministros e expôs divergências internas na Corte. Alexandre de Moraes e André Mendonça trocaram acusações, enquanto Flávio Dino e Edson Fachin divergiram sobre a condução dos processos relacionados ao caso.
O julgamento, porém, não representa uma condenação de Moraes. O objetivo é decidir se existem elementos para autorizar uma investigação formal.
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Zema já havia convocado manifestação
Antes da sessão desta terça-feira, Zema havia convocado uma manifestação em Brasília contra Alexandre de Moraes. O ato foi marcado para a manhã desta terça, próximo ao STF, justamente no dia em que a Corte analisaria o caso envolvendo o ministro e Vorcaro.
A mobilização foi apresentada pelo político como uma forma de pressionar o Supremo e demonstrar insatisfação com a atuação da Corte.
Entenda o contexto
A fala de Zema ocorre em um momento de forte tensão dentro do STF. A Corte analisa elementos de uma investigação da Polícia Federal envolvendo mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, enquanto ministros divergem publicamente sobre a condução dos casos relacionados ao Banco Master.
Além das discussões sobre Moraes, a sessão desta terça-feira foi marcada por divergências envolvendo André Mendonça, Edson Fachin, Flávio Dino e Gilmar Mendes. O cenário ampliou a crise interna do Supremo e colocou em evidência o debate sobre imparcialidade, investigação de ministros e limites da atuação da Corte.
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