Caiado critica crise no STF e diz que Brasil vive ‘desencanto total’ por falta de liderança

Presidenciável questionou condução de sessão sobre Alexandre de Moraes, criticou Lula e Flávio Bolsonaro e apresentou propostas para reduzir gastos públicos e enfrentar os juros altos.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O governador de Goiás e presidenciável Ronaldo Caiado (União Brasil) criticou a condução de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que o Brasil vive um momento de “desencanto total” por falta de liderança entre os poderes. As declarações foram feitas nesta quarta-feira (16), durante uma coletiva de imprensa após um almoço com empresários em São Paulo.

VEJA TAMBÉM:

Ronaldo Caiado critica Lula e Flávio e diz que Brasil não pode ter “corrupto de estimação”

Entenda o que aconteceu

Caiado afirmou que a crise institucional se soma a problemas enfrentados pela população, como a insegurança pública e as dificuldades econômicas. Na avaliação do governador, os conflitos entre Executivo, Legislativo e Judiciário provocam insegurança jurídica e prejudicam a confiança dos brasileiros nas instituições.

“O sentimento do brasileiro é de total desencanto e de orfandade. Você não vê um líder no país que ocupe um cargo na Presidência da República, na Presidência da Câmara, na Presidência do Senado, na Presidência do Supremo”, afirmou.

Caiado questiona condução da sessão do STF

Ao comentar a sessão do Supremo, o presidenciável afirmou que a pauta deveria ter sido seguida sem a inclusão de outras discussões. A crítica se referia à análise sobre a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Para Caiado, o presidente da Corte deveria ter rejeitado as questões de ordem apresentadas e encaminhado a votação imediatamente.

“Não tinha questão de ordem para ser avaliada antes. Toda e qualquer questão de ordem devia ter sido excluída imediatamente, rejeitada. A matéria tinha para aquilo que estava na pauta, que cada um apresente o seu voto”, declarou.

O governador também defendeu que os casos envolvendo Alexandre de Moraes e o ministro André Mendonça sejam tratados separadamente.

“Não tem nada uma coisa com a outra. A discussão da pauta é uma só. Vai ser ou não aberta a investigação sobre o ministro Alexandre Moraes”, disse.

Caiado afirmou ainda que a condução dos trabalhos não deveria expor a fragilidade do Supremo Tribunal Federal.

“O poder está acima de qualquer membro do Supremo Tribunal Federal. Não é chicana de lá nem chicana de cá que vai bloquear o fim do objetivo da sua pauta”, afirmou.

Presidenciável critica Lula e Flávio Bolsonaro

Durante a coletiva, Caiado também criticou Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), nomes citados por ele no contexto da disputa presidencial.

O governador questionou se os dois teriam autoridade para pacificar os poderes e conduzir o país diante da crise institucional.

“Eles têm autoridade moral para poder aglutinar os poderes e voltar a governabilidade do país? Vocês sabem que não”, declarou.

Ao ser questionado sobre Flávio Bolsonaro, Caiado mencionou as investigações envolvendo o senador e afirmou que um candidato à Presidência deveria estar acima de qualquer suspeita.

“Para ser presidente da República hoje, o cidadão, o candidato, não tem direito de pedir nem a presunção de inocência. Ele tem que estar acima de qualquer suspeito. Ele tem que ter mãos limpas para poder governar o país”, afirmou.

O presidenciável classificou o cenário como um risco para a democracia brasileira e defendeu que o país não seja governado sem autoridade moral.

LEIA TAMBÉM:

Ronaldo Caiado supera Lula no 2º turno: direita ou esquerda?

Caiado defende presidente atuante diante de crise institucional

Ao falar sobre como agiria caso fosse eleito presidente, Caiado afirmou que respeitaria a independência dos poderes, mas não se omitiria diante de conflitos institucionais.

“Se tem algo que eu respeito é a independência dos poderes. Mas se tem algo que eu sou ainda mais servidor a ele é a democracia brasileira”, disse.

Segundo o governador, caberia ao chefe do Executivo agir antes que uma crise chegasse ao ponto de comprometer a credibilidade das instituições.

“Cabe a um presidente da República chamar previamente, saber da situação que o poder do Supremo está exposta e não deixar chegar naquela situação de descrédito”, afirmou.

Caiado defendeu que o presidente tenha autoridade para reunir representantes dos poderes e buscar uma solução para o país.

“Respeitando os poderes, mas eu tenho como presidente da República a prerrogativa de pacificar o Brasil e governar o país. Eu não me omitirei”, declarou.

Propostas econômicas incluem corte de gastos e décimo terceiro

Além das críticas ao STF, Caiado afirmou que a insegurança jurídica e os juros elevados foram temas centrais do almoço com empresários de diferentes setores.

O governador disse que o cenário econômico tem afetado o orçamento das famílias.

“O cidadão não está dando conta de comprar no final do mês, pagar as contas. Está deixando a luz sem pagar para pagar o aluguel. Esse é o clima reinante aqui”, afirmou.

Entre as propostas apresentadas, Caiado defendeu uma emenda constitucional temporária, com duração de 24 meses, para limitar o comprometimento das despesas do Executivo a 50% do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

O presidenciável também propôs um corte de 25% no décimo terceiro de todos os poderes, além de uma reforma administrativa e uma avaliação dos processos de corrupção na máquina pública.

“Com essa postura, você resgata o país e você devolve a esperança para o brasileiro”, concluiu.

Eleições de 2026 entram no discurso do governador

A coletiva ocorreu a menos de 20 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, conforme mencionado pelo próprio Caiado durante a entrevista.

O governador afirmou que a crise institucional pode levar o eleitor a refletir sobre o futuro do país e sobre quem terá condições de conduzir o governo nos próximos quatro anos.

“O eleitor só tem força até o dia 4 de outubro. Depois, ele realmente não decide mais nada no país”, declarou.

Entenda o contexto

As declarações de Ronaldo Caiado reuniram críticas à condução do Supremo Tribunal Federal, questionamentos sobre a liderança dos poderes e propostas para a economia. O governador utilizou o encontro com empresários para apresentar sua visão sobre a crise institucional e defender medidas de redução de gastos públicos.

A discussão sobre a atuação do presidente da República diante dos demais poderes também fez parte do discurso. Caiado afirmou que respeitaria a independência institucional, mas atuaria para buscar uma solução diante de conflitos que, segundo ele, comprometem a confiança da população.

O encontro ocorreu no contexto da disputa presidencial de 2026, com o governador apresentando suas propostas e críticas aos adversários citados durante a coletiva.

AS MAIS LIDAS DO NC NEWS:

PF deflagra operação contra suspeita de desvios e afasta prefeito de Coari no Amazonas

Bate-boca, acusações e pedido de vista: veja o resumo da sessão do STF sobre Moraes e Mendonça

Crise no STF vira “ganha-ganha” para Flávio Bolsonaro, avaliam aliados

Carregar Comentários