A ADM prepara sua entrada no mercado voluntário de carbono com um projeto capaz de capturar mais de 800 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) por ano em uma unidade de processamento de milho e produção de etanol nos Estados Unidos.
A estratégia prevê transformar parte das remoções certificadas em créditos de carbono que poderão ser negociados voluntariamente por empresas interessadas em suas estratégias climáticas. Os ativos ainda estão em processo de certificação, e a primeira emissão é esperada até o fim de 2026, caso a auditoria seja concluída com aprovação.
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CO₂ é capturado durante produção de etanol
O projeto está instalado na unidade da ADM em Columbus, no estado de Nebraska, e utiliza o dióxido de carbono gerado durante a fermentação do milho para a produção de etanol.
O CO₂ capturado é de origem biogênica, ou seja, está associado ao carbono absorvido anteriormente pelas plantas durante seu desenvolvimento.
Em vez de ser liberado para a atmosfera durante o processo industrial, o gás é capturado, purificado e comprimido.
Depois dessa etapa, o CO₂ segue para armazenamento geológico permanente.
Carbono termina armazenado no subsolo
O gás capturado em Nebraska é transportado para o estado de Wyoming, onde é injetado em formações geológicas profundas.
O processo utiliza a tecnologia conhecida pela sigla CCS, de captura e armazenamento de carbono.
A proposta é manter o dióxido de carbono isolado da atmosfera de maneira permanente.
Os poços utilizados para o armazenamento são autorizados pelas autoridades ambientais estaduais.
Projeto começou a operar em 2025
A captura de carbono na unidade de Columbus entrou em operação em 2025.
O projeto é desenvolvido em parceria com a Tallgrass, companhia americana de infraestrutura energética responsável por etapas relacionadas ao transporte e ao armazenamento do CO₂.
A ADM classifica a estrutura como a maior instalação de captura de carbono associada a uma planta de bioetanol em operação no mundo.
A capacidade anunciada supera 800 mil toneladas de dióxido de carbono por ano.
Créditos ainda precisam passar por certificação
Apesar de a captura já estar em funcionamento, a ADM ainda não iniciou a emissão dos créditos que pretende colocar no mercado voluntário.
Os ativos passam por um processo de certificação e emissão conduzido pela Puro.earth, plataforma especializada em remoção de carbono.
A expectativa da companhia é concluir a primeira emissão até o final de 2026.
Esse cronograma, entretanto, depende da conclusão da auditoria e da aprovação dos créditos segundo a metodologia utilizada pela certificadora.
Projeto pode gerar créditos durante 15 anos
Se a certificação for concluída, a ADM pretende iniciar um período de geração de créditos com duração de 15 anos.
A quantidade efetivamente emitida dependerá do volume de CO₂ capturado e armazenado que seja considerado elegível e verificado dentro das regras aplicáveis ao projeto.
Por isso, a capacidade física de retirar mais de 800 mil toneladas de CO₂ por ano não deve ser interpretada automaticamente como a emissão da mesma quantidade de créditos comercializáveis.
O volume final dependerá dos critérios de monitoramento, verificação e certificação.
O que é o mercado voluntário de carbono?
No mercado voluntário, empresas e outras organizações compram créditos por iniciativa própria, diferentemente de sistemas nos quais a aquisição ocorre para cumprir obrigações regulatórias específicas.
Em linhas gerais, cada crédito representa uma tonelada de dióxido de carbono equivalente que foi reduzida, evitada ou removida da atmosfera conforme determinada metodologia.
Antes de chegar ao mercado, os projetos precisam demonstrar os resultados climáticos que deram origem aos ativos.
Critérios como medição, adicionalidade, permanência e verificação independente são importantes para determinar a integridade ambiental dos créditos.
Agricultura regenerativa também entra na estratégia
A iniciativa de captura de carbono em Nebraska faz parte de uma estratégia ambiental mais ampla da ADM.
A companhia também mantém programas de agricultura regenerativa voltados a práticas como redução do revolvimento do solo, cobertura vegetal e manejo de insumos.
Em 2025, esses programas envolveram mais de 56 mil produtores em aproximadamente 4,6 milhões de acres distribuídos por 11 países.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, as iniciativas resultaram em aproximadamente 946 mil toneladas métricas de CO₂ equivalente em reduções quando comparadas a referências regionais.
ADM quer conectar produção agrícola a mercados de baixo carbono
A estratégia da companhia busca conectar produtores rurais, processamento de commodities e grandes empresas consumidoras interessadas em reduzir a pegada de carbono de suas cadeias.
A ADM mantém projetos de agricultura regenerativa com empresas globais dos setores de alimentos e varejo.
Parte dessas iniciativas está relacionada às chamadas emissões de Escopo 3, que ocorrem na cadeia de valor de uma companhia, mas não diretamente em suas próprias instalações.
Para grandes empresas de alimentos, as emissões provenientes da produção agrícola podem representar parcela relevante de sua pegada climática.
Mercado de carbono abre nova frente para o agro
A expansão dos projetos de carbono cria a possibilidade de novas fontes de receita associadas ao agronegócio.
Além de florestas e projetos energéticos, atividades agrícolas podem gerar ativos ambientais por meio de práticas que reduzam emissões ou removam carbono da atmosfera.
No Brasil, um estudo divulgado em agosto estimou potencial de geração de 314,3 milhões de créditos ligados ao agronegócio até 2035.
O aproveitamento desse potencial, especialmente em operações internacionais, depende da evolução das regras, metodologias e mecanismos de autorização.
Brasil também estrutura regras para créditos internacionais
O mercado brasileiro de carbono atravessa uma fase de estruturação regulatória.
Em julho, o governo federal abriu consulta pública sobre regras para transferências internacionais de créditos de carbono previstas no Artigo 6 do Acordo de Paris.
Essas operações possuem características diferentes do mercado voluntário no qual a ADM pretende atuar, mas fazem parte da construção de uma infraestrutura mais ampla para negociação de resultados climáticos.
O Brasil possui projetos em áreas como agricultura, florestas, energia e remoção de carbono, segmentos que podem participar de diferentes modalidades desse mercado.
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Entenda O Contexto
A ADM é uma das maiores companhias globais ligadas ao processamento e à comercialização de commodities agrícolas e vem ampliando seus investimentos em projetos relacionados à redução de emissões.
Em 2025, a empresa colocou em operação um sistema de captura de carbono em sua unidade de processamento de milho e produção de etanol em Columbus, Nebraska.
Durante a fermentação, o dióxido de carbono de origem biogênica é capturado antes de chegar à atmosfera. Depois de purificado e comprimido, o gás é transportado para Wyoming e armazenado permanentemente em formações geológicas subterrâneas.
A instalação possui capacidade para capturar mais de 800 mil toneladas de CO₂ por ano. Agora, a ADM pretende transformar as remoções elegíveis em créditos para o mercado voluntário.
Os ativos ainda passam pelo processo de certificação. A expectativa é realizar a primeira emissão até o fim de 2026 e, se a auditoria for aprovada, iniciar um ciclo de geração de créditos com duração prevista de 15 anos.
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