Entre guerras e urnas, Trump desembarca na ONU para uma semana decisiva

Presidente americano discursa nesta terça-feira (22) em Nova York em meio à guerra com o Irã, impasse na Ucrânia e proximidade das eleições de meio de mandato
Redação NC News
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chega à semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas cercado por desafios dentro e fora do país. Guerras no Irã e na Ucrânia, tensões com aliados tradicionais e a proximidade das eleições legislativas americanas formam o pano de fundo do discurso que o republicano fará nesta terça-feira (22), em Nova York. Trump será o segundo chefe de Estado a discursar no debate geral, logo depois do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além da participação na ONU, o americano terá uma série de encontros diplomáticos antes de receber o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington, na quinta-feira (24).
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Guerra com o Irã deve ocupar discurso de Trump

A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã é um dos principais assuntos que cercam a participação de Trump na Assembleia Geral. O conflito iniciado no fim de fevereiro já atravessa seu sétimo mês e provocou impactos sobre o mercado internacional de energia e sobre a circulação de embarcações no Estreito de Ormuz. Trump tem defendido a atuação americana e sustenta que impedir o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo Irã é um dos principais objetivos de sua estratégia. Teerã, por sua vez, mantém o confronto com Washington e Israel, enquanto tentativas de encontrar uma saída diplomática ainda não produziram um acordo capaz de encerrar as hostilidades.

Petróleo virou problema político nos Estados Unidos

As consequências econômicas do conflito também passaram a ocupar espaço na política interna americana. A alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio pressionou os preços dos combustíveis nos Estados Unidos e se tornou um dos temas acompanhados pelos eleitores. Trump reconheceu publicamente que os americanos estão pagando mais pela gasolina em consequência da guerra, mas argumentou que o custo seria justificável diante dos objetivos estratégicos de Washington. O presidente também afirmou recentemente acreditar que a guerra poderá terminar depois das eleições legislativas de novembro. Segundo ele, o Irã estaria prolongando o conflito na tentativa de influenciar o processo eleitoral americano. A afirmação é uma alegação de Trump e não foi acompanhada de evidências públicas que comprovem essa intenção de Teerã.

Popularidade de Trump está em nível baixo

O cenário internacional coincide com um momento de baixa aprovação do presidente americano. Pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro registrou aprovação de 35% para Trump, depois de o índice ter atingido 33% em um levantamento anterior, o menor patamar de sua atual passagem pela Casa Branca. O levantamento mais recente ouviu 1.143 americanos e possui margem de erro de três pontos percentuais. A guerra com o Irã e o custo de vida aparecem entre os temas que ajudam a explicar a insatisfação registrada nas pesquisas.

Eleições legislativas acontecem em novembro

O contexto doméstico ganha peso porque os Estados Unidos realizam eleições de meio de mandato em 3 de novembro. Todas as cadeiras da Câmara dos Representantes e aproximadamente um terço das vagas do Senado estarão em disputa. Embora Trump não esteja na cédula, a votação definirá a composição do Congresso para a segunda metade de seu mandato. Pesquisas nacionais registram vantagem dos democratas sobre os republicanos na intenção de voto para o Congresso, mas esses levantamentos nacionais não determinam isoladamente o resultado das disputas individuais por distritos e estados.

Guerra na Ucrânia também pressiona agenda diplomática

Outro tema central na passagem de Trump por Nova York será a guerra entre Rússia e Ucrânia. Representantes do governo americano retomaram nas últimas semanas esforços diplomáticos envolvendo Moscou, Kiev e países europeus. O governo ucraniano busca garantias de segurança e mais sistemas de defesa aérea, enquanto a Rússia mantém reivindicações territoriais e exige garantias relacionadas à entrada da Ucrânia na Otan. Trump indicou recentemente que Washington possui uma nova proposta para tentar avançar nas negociações, mas os detalhes ainda não foram apresentados publicamente.

Aliados europeus buscam diálogo com Washington

A passagem pela Assembleia também colocará Trump frente a frente com líderes de países que mantêm divergências com Washington em temas de política externa, comércio e segurança. O presidente americano deve se reunir com o presidente francês, Emmanuel Macron, e com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Será o primeiro encontro entre Trump e Burnham desde que o britânico assumiu o cargo em julho. Entre os assuntos previstos para a conversa estão a defesa aérea da Ucrânia e a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás.

Relação com aliados passa por período de tensão

As relações entre os Estados Unidos e alguns de seus parceiros tradicionais enfrentam divergências durante o segundo mandato de Trump. Questões envolvendo a defesa europeia, comércio internacional, a guerra no Irã e a política americana para a China produziram atritos entre Washington e governos aliados. Países europeus também ampliaram discussões sobre autonomia militar e sobre a necessidade de reduzir a dependência dos Estados Unidos em áreas estratégicas. Apesar dessas tensões, os canais diplomáticos permanecem abertos, e a própria agenda de Trump em Nova York inclui reuniões com representantes de governos europeus e de outras regiões.

Xi Jinping será recebido por Trump na quinta-feira

A agenda internacional de Trump não terminará na Assembleia Geral. O presidente chinês, Xi Jinping, não participará presencialmente do encontro em Nova York. Em vez disso, deverá se reunir diretamente com Trump em Washington na quinta-feira. O encontro ocorre em meio a negociações entre as duas maiores economias do mundo envolvendo comércio, tarifas, tecnologia e minerais estratégicos. Trump afirmou recentemente que mantém uma boa relação pessoal com Xi, apesar das disputas entre Washington e Pequim.

Lula e Trump discursam em sequência

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva abrirá a sequência de discursos dos chefes de Estado nesta terça-feira. Logo depois, será a vez de Trump subir à tribuna da Assembleia Geral. A proximidade entre os dois discursos criou expectativa sobre a possibilidade de um contato entre os presidentes nos bastidores. Até esta segunda-feira, porém, não havia reunião bilateral formalmente confirmada entre Lula e Trump durante a passagem por Nova York.
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Entenda O Contexto

A 81ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas ocorre em um momento de conflitos simultâneos e aumento das tensões entre grandes potências. A semana de alto nível reúne líderes mundiais em Nova York, enquanto as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia permanecem sem solução definitiva e países discutem temas como segurança internacional, mudanças climáticas, inteligência artificial e reforma das instituições multilaterais. Trump discursará nesta terça-feira, imediatamente depois de Lula. Para o presidente americano, a participação ocorre ainda sob o impacto político e econômico da guerra com o Irã e a poucas semanas das eleições legislativas de 3 de novembro. Ao mesmo tempo, Washington enfrenta divergências com aliados tradicionais sobre comércio, segurança e conflitos internacionais. Apesar dos atritos, Trump terá reuniões com líderes europeus durante a passagem por Nova York. Depois da Assembleia Geral, a atenção da diplomacia americana se voltará para a relação com a China. Xi Jinping deve se reunir com Trump em Washington na quinta-feira, em um encontro que terá comércio, tecnologia e questões estratégicas entre os principais temas.
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