A indústria brasileira perdeu força em agosto e registrou o pior resultado para o mês em 11 anos. O índice de evolução da produção caiu 4,7 pontos, de 51 para 46,3 pontos, mostrando retração da atividade em relação a julho. O desempenho é o mais fraco para agosto desde 2015.
O cenário de cautela também chegou aos investimentos. Em setembro, o índice que mede a intenção dos empresários de investir recuou 1,3 ponto, de 52,6 para 51,3 pontos, menor patamar desde agosto de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Foi a quarta queda consecutiva do indicador.
Produção cai e tem pior agosto desde 2015
A virada entre julho e agosto foi significativa. Em julho, o índice de evolução da produção havia alcançado 51 pontos, indicando crescimento da atividade. Um mês depois, caiu para 46,3 pontos.
Na metodologia da Sondagem Industrial, valores acima de 50 pontos indicam aumento da produção em relação ao mês anterior. Quando o indicador fica abaixo dessa linha, como ocorreu em agosto, o resultado aponta queda.
O desempenho também fugiu do comportamento mais comum para o período. Nos últimos 11 anos, o indicador ficou abaixo dos 50 pontos em agosto apenas duas vezes: em 2025 e em 2026.
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Fábricas operam com menor capacidade
A perda de ritmo também apareceu na utilização do parque industrial. A Utilização da Capacidade Instalada caiu 1 ponto percentual em agosto e chegou a 69%.
O percentual ficou 2 pontos percentuais abaixo da média histórica para agosto, indicando que uma parcela maior da capacidade disponível nas fábricas permaneceu sem utilização.
O emprego industrial também mostrou enfraquecimento. O índice de evolução do número de empregados recuou 0,4 ponto e ficou em 48,2 pontos. Por estar abaixo da linha dos 50 pontos, o resultado indica redução do emprego em relação ao mês anterior.
Intenção de investir é a menor em seis anos
Os sinais de cautela não ficaram restritos à produção. O índice de intenção de investimento caiu de 52,6 pontos em agosto para 51,3 pontos em setembro.
Esse é o menor nível registrado desde agosto de 2020. A sequência de quedas começou em maio e já acumula retração de 3,5 pontos.
Mesmo permanecendo acima dos 50 pontos, o indicador mostra que a disposição para novos investimentos vem diminuindo. A CNI relaciona o movimento à perda de ritmo da atividade e ao aumento das incertezas enfrentadas pelas empresas.

Expectativas também pioraram
Os quatro indicadores usados para medir as expectativas dos empresários industriais recuaram em setembro.
A expectativa para a demanda por produtos caiu 1,4 ponto, para 51,2 pontos. A perspectiva de compra de insumos e matérias-primas recuou 0,8 ponto e chegou a 50,4 pontos.
Nos dois casos, os índices ainda permanecem acima de 50 pontos, o que indica expectativa de crescimento nos próximos seis meses, embora em ritmo mais moderado.
Já a expectativa para a quantidade exportada caiu 0,6 ponto, para 48,9 pontos, enquanto a perspectiva para o número de empregados recuou 0,2 ponto, chegando a 49,2 pontos. Abaixo dos 50 pontos, os dois indicadores apontam expectativa de redução.
Estoques também diminuíram em agosto
O índice de evolução dos estoques caiu 1,5 ponto entre julho e agosto, passando de 51 para 49,5 pontos. O resultado indica redução dos estoques de produtos finais no período.
Apesar da queda, o volume permaneceu próximo ao planejado pelas empresas. O índice que compara o estoque efetivo com o esperado avançou apenas 0,2 ponto e chegou a 50,4 pontos.
A Sondagem Industrial ouviu 1.403 empresas entre os dias 1º e 11 de setembro. Participaram do levantamento 587 pequenas, 487 médias e 329 grandes empresas.
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Entenda o contexto
Os números de agosto interrompem a melhora observada no mês anterior. Em julho, o índice de evolução da produção industrial havia subido 2,6 pontos e alcançado 51 pontos, registrando crescimento da atividade pela segunda vez no ano.
A perda de ritmo da indústria ocorre em um cenário mais amplo de desaceleração da economia brasileira. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, depois de avançar 1,1% nos três primeiros meses do ano. O consumo das famílias também recuou 0,4% no período.
Na última semana, o Banco Central reduziu a Selic para 13,75% ao ano, mas os juros continuam em patamar elevado. Os próximos levantamentos da indústria serão importantes para mostrar se a queda de agosto foi pontual ou se a perda de ritmo continuará nos próximos meses.
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