A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento oral para o tratamento de determinados casos de câncer de mama localmente avançado ou metastático. O Etcamah, cujo princípio ativo é o camizestranto, passa a ter autorização para comercialização no Brasil.
A indicação, porém, é específica. O medicamento é destinado a pacientes adultos com tumores positivos para receptor de estrogênio (ER+), negativos para HER2 (HER2-) e que apresentem mutação no gene ESR1 durante o tratamento de primeira linha.
Outro critério é que o paciente tenha recebido terapia endócrina combinada com um inibidor de CDK4/6 por pelo menos seis meses e ainda não apresente sinais de progressão radiológica ou clínica da doença.
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Como funciona o novo medicamento?
O camizestranto pertence a uma nova geração de medicamentos conhecidos como degradadores seletivos do receptor de estrogênio, chamados pela sigla SERD.
O medicamento atua bloqueando o receptor de estrogênio e promovendo sua degradação nas células tumorais. A estratégia busca reduzir o crescimento dos tumores que dependem desse hormônio.
O tratamento é administrado por via oral e representa uma alternativa terapêutica direcionada para pacientes que apresentam a mutação ESR1 antes mesmo de haver sinais clínicos ou radiológicos de progressão da doença.
O que é a mutação ESR1?
O gene ESR1 é responsável por produzir o receptor de estrogênio. Alterações nesse gene podem surgir durante o tratamento do câncer de mama com terapias hormonais.
Quando a mutação aparece, ela pode estar relacionada ao desenvolvimento de resistência aos tratamentos endócrinos utilizados contra tumores dependentes de estrogênio.
A identificação da alteração molecular pode, portanto, ajudar a equipe médica a definir novas estratégias antes que a progressão do tumor seja identificada por exames de imagem ou por sinais clínicos.
Quem poderá receber o Etcamah?
Segundo a indicação aprovada pela Anvisa, o medicamento é destinado a pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático que atendam a critérios específicos.
- tumor positivo para receptor de estrogênio (ER+);
- tumor negativo para HER2 (HER2-);
- presença da mutação ESR1 surgida durante o tratamento;
- tratamento de primeira linha com terapia endócrina combinada a um inibidor de CDK4/6 por pelo menos seis meses;
- ausência de progressão radiológica ou clínica da doença.
A aprovação não significa, portanto, que o medicamento seja indicado para todas as pessoas com câncer de mama avançado. A definição do tratamento depende das características moleculares do tumor, do histórico terapêutico e da avaliação médica individual.
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Por que detectar a mutação antes da progressão é importante?
Um dos diferenciais da nova indicação é permitir uma estratégia terapêutica baseada na identificação da mutação ESR1 antes que exames ou sintomas indiquem que o câncer voltou a avançar.
A mutação pode aparecer durante o tratamento hormonal e funcionar como um marcador molecular de resistência à terapia utilizada até aquele momento.
Com a identificação dessa alteração, médicos podem avaliar a mudança da estratégia terapêutica de acordo com os critérios estabelecidos para o novo medicamento.
Câncer de mama é o mais incidente entre mulheres
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre as mulheres no Brasil, desconsiderando os tumores de pele não melanoma.
Dados citados pela Anvisa a partir do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam 73.610 casos da doença no período de 2023 a 2025, correspondendo a 30,1% dos cânceres diagnosticados na população feminina.
O câncer de mama também pode ocorrer em homens, embora represente uma parcela pequena dos diagnósticos.
Entenda O Contexto
A aprovação do Etcamah faz parte do avanço dos tratamentos direcionados às características moleculares dos tumores. Em vez de considerar apenas o local onde o câncer surgiu, essas estratégias também levam em conta alterações genéticas e proteínas presentes nas células cancerígenas.
No caso do camizestranto, a indicação aprovada considera simultaneamente a presença de receptores hormonais, o status HER2, a mutação ESR1 e o tratamento que o paciente já recebeu.
O registro concedido pela Anvisa autoriza o medicamento para a indicação estabelecida no Brasil. A escolha do tratamento deve ser feita pela equipe médica de acordo com os critérios clínicos e moleculares de cada paciente.
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