SP: 4 candidatos empatados no Senado; quem vai garantir a vaga?

Quatro candidatos ao Senado em São Paulo estão tecnicamente empatados, aumentando a tensão na corrida eleitoral.
Redação NC News
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A corrida pelas duas cadeiras de São Paulo no Senado chega à reta decisiva com quatro candidatos tecnicamente empatados, segundo pesquisas mais recentes de intenção de voto. Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) disputam voto a voto um eleitorado pressionado a escolher dois nomes em um cenário polarizado.

O quadro mexe não só com o tabuleiro paulista. A definição dessas duas vagas tende a influenciar o equilíbrio de forças no Senado em Brasília e a correlação de forças entre governo federal, oposição e o próprio Palácio dos Bandeirantes.

Cenário acirrado e dinheiro em jogo

O levantamento Real Time Big Data, registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SP-07495/2026, ouviu 2.000 eleitores entre 16 e 19 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. No recorte de intenção de voto médio para as duas opções de senador, a fotografia é de equilíbrio.

“O deputado Guilherme Derrite (PP-SP) está numericamente à frente, com 20%, seguido pelo deputado estadual André do Prado (PL-SP), que tem 18%”, registra o instituto. Simone Tebet aparece com 17%, e Marina Silva, com 14%. Todos permanecem dentro da margem de erro, o que deixa as duas vagas abertas.

Outros postulantes somam 2% e seguem agregados na categoria “outros”, sem capacidade, por ora, de furar a bolha entre os quatro principais. O estudo custou R$ 30.000,00, pagos com recursos próprios da empresa responsável, e adota metodologia presencial.

O pano de fundo financeiro ajuda a explicar parte da vantagem numérica da dupla governista. Dados do TSE mostram desequilíbrio claro na capacidade de investimento: “Os partidos mais à direita destinaram R$ 183,6 milhões para seus candidatos gastarem nas campanhas ao Senado nesta eleição de 2026. O valor é 80,4% maior que os R$ 101,8 milhões das siglas mais à esquerda”, informa a Justiça Eleitoral.

Força de Tarcísio puxa base no Senado

Derrite e Prado surfam na associação direta ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que busca a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Na nova rodada de pesquisa Datafolha em São Paulo, registrada sob o código SP-03730/2026, o governador mantém ampla vantagem sobre o principal adversário, o ex-ministro Fernando Haddad (PT).

No cenário estimulado de primeiro turno, “Tarcísio de Freitas (Republicanos) liderava com 49% das intenções de voto no 1º turno, seguido por Fernando Haddad (PT) com 29%”. Em eventual segundo turno, o governador amplia a margem: 56% a 35%. O instituto ouve 1.610 eleitores entre 22 e 24 de setembro, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O levantamento custa R$ 185.000,00, bancado pelas empresas contratantes.

A força de Tarcísio tende a funcionar como locomotiva para seus aliados ao Senado, especialmente entre eleitores que votam em “chapa completa” e associam o desempenho do governo estadual à escolha dos senadores. A pesquisa Datafolha mede também a avaliação da gestão do governador, com perguntas sobre se o trabalho é ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo, além da aprovação global. Esses índices, ainda não divulgados na íntegra, são observados com lupa pelos comitês de campanha.

Desafio para Tebet e Marina na esquerda paulista

Na outra ponta, Simone Tebet e Marina Silva carregam o peso e as limitações do campo de esquerda no estado. Ambas caminham ao lado da candidatura de Haddad ao governo, que enfrenta dificuldade histórica para furar a resistência de parte do eleitorado paulista, especialmente no interior e em segmentos conservadores da capital.

A pesquisa anterior do Datafolha para o Senado, divulgada em meados do mês, mostrava justamente o inverso: Marina e Simone na dianteira, com 13% cada, seguidas por André do Prado (11%) e Guilherme Derrite (10%). A virada numérica registrada pela Real Time Big Data acende o alerta na campanha de esquerda, que corre contra o tempo para reorganizar discurso e estratégia.

Com menos dinheiro em caixa que os rivais, as duas ex-ministras tendem a apostar em comunicação segmentada, presença em debates e agendas temáticas, como meio ambiente, combate à desigualdade e ética na política. O desafio é transformar capital político e reconhecimento nacional em voto útil para, ao menos, garantir uma das cadeiras.

Voto duplo complica matemática da eleição

A particularidade desta disputa é o voto em dois candidatos ao Senado na mesma eleição. O eleitor pode escolher duas opções diferentes na urna, o que abre espaço para composições cruzadas entre campos ideológicos. Um eleitor de Tarcísio pode, por exemplo, votar em Derrite e Simone, ou em Marina e Prado, desalinhando a lógica das “chapas puras”.

As campanhas trabalham para transformar a preferência espontânea em voto casado, reforçando duplas em materiais impressos, redes sociais e programas de TV. A disputa real, portanto, ocorre em duas frentes: garantir a presença entre os quatro mais lembrados e, dentro desse grupo, tentar colar o próprio nome a um parceiro que maximize o total de votos.

Essa engenharia é ainda mais complexa em um ambiente de forte polarização. O tabuleiro nacional, marcado pela disputa entre governo federal e oposição, contamina a escolha local. A pesquisa Datafolha também mede a percepção sobre o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) e temas éticos envolvendo ministros, além do conhecimento sobre o caso Banco Master e seus reflexos nas imagens de Lula e de Flávio Bolsonaro.

Campanhas apertam o passo na reta final

As primeiras reações às pesquisas indicam uma corrida por ajustes rápidos. No campo de direita, a tendência é consolidar a dianteira com mais investimento em propaganda de massa, eventos regionais e fortalecimento da associação direta com a gestão de Tarcísio. Publicitários e marqueteiros que atuam nessas campanhas já trabalham com cenários em que pequenos deslocamentos de 2 ou 3 pontos decidem as duas vagas.

Na esquerda, a ordem é reduzir dispersão. Equipes de Simone Tebet e Marina Silva tentam desenhar “mapas de nicho” para priorizar segmentos em que ainda há espaço de crescimento, como eleitorado feminino urbano, jovens indecisos e setores ambientalistas. A aposta é que, mesmo sem igualar o volume de recursos, é possível compensar parte da desvantagem com mobilização digital e presença em debates.

As próximas semanas devem trazer novas pesquisas, confrontos diretos em TV e rádio e eventual impacto de fatos externos, como decisões judiciais, desdobramentos do caso Banco Master e crises pontuais de campanha. Em um ambiente tão apertado, qualquer erro estratégico pode custar uma cadeira no Senado. A única certeza, neste momento, é que São Paulo segue no centro da disputa nacional pelo controle do Congresso e, por extensão, pelos rumos da política brasileira nos próximos anos.

Quem lidera hoje as pesquisas ao Senado em São Paulo?

Quatro nomes se destacam na disputa ao Senado por São Paulo em 2026, com Guilherme Derrite (20%), André do Prado (18%), Simone Tebet (17%) e Marina Silva (14%) tecnicamente empatados dentro da margem de erro de 2 pontos, segundo levantamento Real Time Big Data feito com 2.000 eleitores.

Como a disputa pelo governo de São Paulo influencia a eleição ao Senado?

A liderança de Tarcísio de Freitas ao governo paulista, com 49% no primeiro turno e 56% em cenário de segundo turno contra Fernando Haddad, tende a impulsionar seus aliados ao Senado, Guilherme Derrite e André do Prado, ao atrair votos de “chapa completa” e associar continuidade administrativa à escolha dos senadores.


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