Datafolha presidente: Lula tem 40% e Flávio 36% em empate técnico

Levantamento mostra empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para 2026.
Redação NC News
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Lula (PT) aparece com 40% das intenções de voto para a Presidência da República e Flávio Bolsonaro (PL) soma 36% na nova pesquisa Datafolha divulgada hoje. A diferença de 4 pontos está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, o que mantém a disputa em empate técnico.

Cenário apertado no Planalto, com eleitor já decidido

O levantamento, feito com 2.002 entrevistas presenciais entre terça e quarta-feira, indica uma campanha nacional travada e polarizada a poucos dias do primeiro turno. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-00304/2026 e tem nível de confiança de 95%.

No primeiro turno, depois de Lula e Flávio Bolsonaro, surgem Augusto Cury (Avante), com 5%, Ronaldo Caiado (PSD), com 4%, Renan Santos (Missão), com 3%, e Romeu Zema (Novo) e Samara Martins (UP), com 1% cada. Brancos e nulos somam 5%, e indecisos, 2%, total de 7% fora da disputa principal.

Na simulação de segundo turno entre Lula e Flávio, o Datafolha registra 47% para o presidente e 45% para o senador. Também aqui a folga de 2 pontos percentuais fica contida pela margem de erro, reforçando o cenário de indefinição.

O instituto mede ainda um grau de cristalização incomum do voto. Segundo a pesquisa, “80% dos eleitores estão totalmente decididos sobre o voto para presidente. Entre os eleitores de Lula, o índice de decisão é de 87%”. O eleitorado, portanto, se mostra pouco disposto a rever escolhas na reta final.

Polarização com rejeição alta e espaço estreito para terceiras vias

O novo retrato indica que Lula recupera um ponto em relação ao levantamento anterior, passando de 39% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro se mantém em 36%. O movimento é insuficiente para alterar o equilíbrio geral, mas dá fôlego simbólico ao Planalto, que tenta sustentar a narrativa de ligeira vantagem.

Ao mesmo tempo, tanto Lula quanto Flávio carregam um fardo igual: 45% dos entrevistados afirmam que não votariam neles “de jeito nenhum”. O índice de rejeição espelha a divisão do país e abre uma fresta, ainda pequena, para candidaturas alternativas explorarem o cansaço com a polarização.

O Datafolha também apura a intenção de voto espontânea, quando o pesquisador não apresenta uma lista de nomes. Nesse cenário, Lula marca 36%, Flávio Bolsonaro aparece com 27% e Jair Bolsonaro (PL), que não disputa, ainda é citado por 4% dos eleitores, sinal de que o legado bolsonarista segue presente no imaginário de parte do eleitorado.

Na avaliação da diretora do Datafolha, Luciana Chong, os números precisam ser lidos com cautela. “Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para a opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita”, afirma.

Governos estaduais fortes e disputa nacional interligada

Além da corrida presidencial, o instituto mediu os principais embates regionais e a avaliação dos governos federal e estaduais. Os governadores que tentam a reeleição ou apoiam sucessores aparecem, em vários casos, em situação confortável, o que tende a influenciar a disputa presidencial em seus redutos.

Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera com 50% das intenções de voto, contra 30% de Fernando Haddad (PT). A vantagem de 20 pontos coloca o governador em posição de favorito e protege o palanque bolsonarista no maior colégio eleitoral do país.

Em Pernambuco, Raquel Lyra (PSD) tem 48% contra 44% de João Campos (PSB), uma diferença de 4 pontos dentro da margem de erro. O equilíbrio no estado nordestino, estratégico para o PT e para partidos aliados, pode influenciar a capacidade de transferência de votos locais para a disputa presidencial.

No Distrito Federal, Celina Leão (PP) lidera a corrida ao governo, em cenário sem José Roberto Arruda (PSD), com 42% das intenções de voto. Em seguida aparece Leandro Grass (PT), com 23%. Em Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos) mantém a dianteira com 40%, num estado considerado chave para qualquer candidatura ao Planalto.

No Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) segue à frente na disputa pelo governo estadual, enquanto o presidente da Assembleia Legislativa, Douglas Ruas (PL), registra tendência de alta. O desempenho de Paes e Ruas interessa diretamente a Lula e Flávio, que dependem de bases sólidas no estado natal do presidente e reduto político da família Bolsonaro.

Agregadores mostram empate e alimentam guerra de narrativas

Um levantamento paralelo, com 8 pesquisas nacionais compiladas entre os dias 9 e 22 de setembro, reforça a fotografia de país dividido. Nesse conjunto de estudos, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente em 4 levantamentos, enquanto Lula lidera em outros 4, sempre dentro das margens de erro.

Segundo a síntese dos pesquisadores, “as diferenças entre os 2 variam de 0,3 a 7,3 pontos percentuais. Os resultados devem ser analisados considerando a margem de erro de cada levantamento”. Nos cenários mais extremos, “a maior vantagem numérica de Flávio é registrada pela Gerp. O senador marca 50%, ante 43% de Lula – diferença de 7 pontos percentuais”.

Na outra ponta, “na CNT/MDA, Lula tem 47,3% contra 40% de Flávio, vantagem de 7,3 pontos percentuais”. Entre esses extremos, outros institutos mostram distâncias menores, quase todas abaixo de 5 pontos. O conjunto mantém viva a percepção de empate, alimenta narrativas otimistas dos dois lados e incentiva novas rodadas de divulgação de pesquisas.

A disputa metodológica e política em torno dos números acirra também o jogo da comunicação. Campanhas usam recortes favoráveis para animar militâncias, atrair doadores e pressionar indecisos, enquanto atacam pesquisas que apontam desvantagens. Empresas de marketing, consultorias e grupos econômicos acompanham de perto cada oscilação, ajustando estratégias de publicidade, investimentos e alianças.

Campanha entra em reta final sob clima de incerteza

A combinação de empate técnico, alta rejeição e eleitorado já bastante decidido torna a reta final da campanha especialmente imprevisível. Debates de televisão, escândalos de última hora, erros de comunicação e movimentos de aliados podem ter peso desproporcional em um cenário tão apertado.

Para os candidatos fora do eixo Lula–Flávio, a nova pesquisa serve de alerta e oportunidade. A insatisfação de 45% dos eleitores com cada um dos líderes abre espaço para discursos contra a polarização, mas o tempo curto e a cristalização do voto tornam o desafio maior do que em eleições passadas.

As próximas semanas devem ser marcadas por intensificação das agendas de rua, ofensivas segmentadas nas redes sociais e novas disputas em torno da credibilidade de pesquisas e institutos. A expectativa é que outros levantamentos nacionais e estaduais sejam divulgados até a véspera do pleito, buscando capturar eventuais movimentos de última hora.

O quadro que emerge hoje, porém, é claro em um ponto: o país se aproxima das urnas diante de uma escolha novamente dividida em dois blocos quase equivalentes, com governadores fortes em estados-chave e pouca margem para erros estratégicos. A definição, tudo indica, fica para o segundo turno.

O que mostra a nova pesquisa Datafolha para presidente?

A nova pesquisa Datafolha para a Presidência mostra Lula (PT) com 40% e Flávio Bolsonaro (PL) com 36% no primeiro turno, diferença de 4 pontos dentro da margem de erro de 2 pontos. No segundo turno, Lula tem 47% contra 45% de Flávio, configurando novamente empate técnico e uma eleição indefinida.

Por que o cenário é considerado de empate técnico?

O cenário é considerado de empate técnico porque a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro, de 4 pontos no primeiro turno (40% a 36%), está dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Isso significa que, estatisticamente, os dois podem estar empatados, tanto no primeiro quanto no segundo turno.

Qual é o nível de decisão e rejeição do eleitorado?

O nível de decisão é alto: 80% dos eleitores dizem estar totalmente certos do voto para presidente, com índice de 87% entre eleitores de Lula. A rejeição também é elevada, já que 45% dos entrevistados afirmam não votar “de jeito nenhum” em Lula e 45% dizem o mesmo sobre Flávio Bolsonaro.


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