Um temporal com chuva intensa e ventos fortes devasta o Rio Grande do Sul, deixa quatro mortos, uma pessoa desaparecida e expõe um estado já em clima de disputa eleitoral acirrada.
Enquanto cidades lidam com enchentes, deslizamentos e mais de 3,9 mil pessoas fora de casa, a nova pesquisa Quaest revela um cenário de empate técnico na corrida ao Piratini, com Luciano Zucco (PL) à frente.
Rios acima da cota, casas destruídas e apagão em série
As consequências do temporal se espalham pelo mapa do Rio Grande do Sul, das margens do Caí, em São Sebastião do Caí, ao Vale do Taquari, em Lajeado, passando pela Serra e pelo Sul. Rios seguem acima da cota de inundação, alagam ruas inteiras e empurram moradores para abrigos improvisados.
A Defesa Civil confirma quatro mortes. Édson Luís da Silva, de 46 anos, é levado pela correnteza quando tenta desobstruir uma tubulação. Em Caxias do Sul, na divisa com Flores da Cunha, um carro é arrastado pela água e mata os irmãos Juliano César da Silva Rodrigues, de 4 anos, e Joziane da Silva Rodrigues, de 13. A mãe das crianças segue desaparecida. Em Pelotas, Jerson Dias Pereira, de 70 anos, morre ao ser atingido por fios elétricos que caem na rua.
Um bombeiro que atua nas buscas descreve o resgate de um dos corpos como um “momento de muita dor” depois que o próprio filho reconhece o pai levado pela enxurrada. Em outra casa quase submersa, um avô, diante dos pertences destruídos, desabafa: “Eram tudo na minha vida”.
O balanço mais recente aponta 3,9 mil pessoas fora de casa. São 3.248 desalojados, que se abrigam com parentes ou amigos, e 703 desabrigados em ginásios e estruturas públicas. No conjunto do estado, 2.195 casas estão destelhadas, 860 alagadas, 524 danificadas e outras 23 simplesmente deixaram de existir, destruídas pela força da água e dos ventos.
Mais de 110 mil pessoas seguem sem energia elétrica nas áreas atendidas por CEEE Equatorial e RGE. A falta de luz interrompe serviços básicos, afeta unidades de saúde, complica o abastecimento de água e torna ainda mais difícil a comunicação em comunidades isoladas.
Vulnerabilidade exposta nas cidades gaúchas
As cenas se repetem em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Em São Sebastião do Caí, o rio avança sobre bairros inteiros, toma garagens, salas e cozinhas. Em Lajeado, lojas e pequenos comércios ficam submersos, com prejuízo que ainda não cabe em planilhas. Em Caxias do Sul e Flores da Cunha, encostas encharcadas preocupam moradores que já perderam parte de muros e quintais.
Em Pelotas, a morte causada por fios caídos escancara outro ponto frágil: a rede de energia exposta, combinada com ventos fortes, transforma postes e cabos em risco permanente. A Defesa Civil estadual segue em alerta, com equipes em campo para monitorar encostas, vistorias em pontes e apoio a prefeituras.
A resposta imediata envolve abrigos, distribuição de alimentos, colchões e kits de higiene, além do esforço para restabelecer a energia. Secretarias de saúde montam estruturas móveis em áreas mais atingidas, enquanto famílias tentam salvar móveis e documentos ainda úmidos. A cada casa destelhada, o clima típico do Rio Grande do Sul neste fim de inverno, com chuva fria e vento, amplia o desconforto e o risco de doenças respiratórias.
A destruição reforça questões que já rondam o debate público sobre o Rio Grande do Sul clima, urbanização e ocupação de áreas de risco. A combinação de chuvas mais intensas, encostas frágeis e margens de rios ocupadas por moradias populares repete um roteiro conhecido, agora com novas vítimas. O mapa dos estragos atinge regiões industriais, áreas rurais e bairros periféricos, com impacto direto na economia local.
Pesquisa Quaest registra empate técnico no Piratini
Em meio ao cenário de calamidade, a política estadual ganha um novo capítulo. A pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira coloca o deputado federal Luciano Zucco (PL) na liderança da disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, com 29% das intenções de voto. A deputada estadual Juliana Brizola (PDT) aparece com 23%.
Os dois estão tecnicamente empatados, dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos. O vice-governador Gabriel Souza (MDB) surge em terceiro, com 10%. Na sequência aparecem Marcelo Maranata (PSDB), com 3%, e Priscila Voigt (UP) e Rejane de Oliveira (PSTU), com 1% cada. Cesar Pontes (PCO) não pontua.
Segundo o relatório do instituto, “o levantamento ouviu 900 eleitores no Rio Grande do Sul, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%”. O estudo mostra ainda que o apoio a Zucco cresce em relação ao mês passado, enquanto Juliana Brizola mantém o mesmo patamar. “A pesquisa Quaest mostra melhora do candidato do PL, que tinha 26% na pesquisa de agosto, enquanto a pedetista marcava 23%”, registra o documento.
Na sondagem espontânea, quando o pesquisador não apresenta a lista de nomes, Zucco aparece com 20%, seguido por Juliana Brizola, com 10%, e Gabriel Souza, com 5%. Indecisos somam 25%, e 8% dos entrevistados dizem que pretendem votar em branco ou nulo, o que revela um eleitorado ainda disponível a mudanças.
Nos cenários de segundo turno, o deputado do PL abre vantagem. Em um confronto direto com Juliana Brizola, Zucco tem 40% das intenções de voto, contra 34% da pedetista. Em disputa com Gabriel Souza, o placar vai a 42% para Zucco e 26% para o emedebista.
Senado em aberto e crise como teste de gestão
A mesma pesquisa Quaest aponta uma corrida fragmentada para o Senado, com duas vagas em disputa e forte interesse de grupos ligados tanto a Lula quanto a Flávio Bolsonaro, diante da aposentadoria de Paulo Paim (PT) e Luis Carlos Heinze (PP). Manuela d’Ávila (PSOL) lidera com 14%, seguida por Marcel van Hattem (Novo), com 11%.
Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL) aparecem empatados com 10% cada. Germano Rigotto (MDB) tem 9%, e Frederico Antunes (PSD), 2%. Na sequência, Milton Cardoso (PSDB), Daniela Mulheres Socialistas (PSTU) e Tania Peres (UP) surgem com 1% cada, enquanto Luciano do MLB (UP), Renato Jaguarão (Cidadania), Ric Jones (PCO) e Regis Ethur (PSTU) não pontuam. Indecisos somam 30%, e 11% afirmam que pretendem votar em branco ou nulo.
A tempestade que atinge o Rio Grande do Sul capital e o interior funciona, na prática, como um teste antecipado de gestão para todos os postulantes ao Piratini e ao Senado. A forma como propõem enfrentar enchentes, cuidar de barragem rio grande do sul, revisar o planejamento urbano e reforçar a Defesa Civil tende a ganhar peso no debate de campanha.
Enquanto prefeitos cobram recursos e apoio técnico, os candidatos calibram discursos sobre infraestrutura, habitação e políticas ambientais. A tragédia pressiona por respostas imediatas, mas também por compromissos de longo prazo com obras de drenagem, contenção de encostas e revisão de ocupações em áreas de risco nas principais Rio Grande do Sul cidades.
As próximas semanas devem combinar duas frentes. De um lado, o esforço para reconstruir telhados, restabelecer energia e devolver alguma normalidade às famílias atingidas. De outro, uma campanha eleitoral cada vez mais marcada por temas como Rio Grande do Sul bandeira, identidade regional, proteção civil e capacidade de liderar um estado submetido a eventos extremos, alguns com força de verdadeiro Rio Grande do Sul tornado. A forma como o eleitor avalia essa equação pode redefinir o rumo da disputa até o dia da votação.
Quais são os principais números da tragédia no RS?
O temporal no Rio Grande do Sul deixa 4 mortos, 1 desaparecido, mais de 110 mil pessoas sem energia elétrica, 3,9 mil fora de casa (3.248 desalojadas e 703 desabrigadas) e um saldo de 2.195 casas destelhadas, 860 alagadas, 524 danificadas e 23 completamente destruídas em diversas regiões do estado.
O que mostrou a nova pesquisa Quaest para o governo do RS?
A pesquisa Quaest para o governo do Rio Grande do Sul registra Luciano Zucco (PL) com 29% das intenções de voto, Juliana Brizola (PDT) com 23% e Gabriel Souza (MDB) com 10%, em um cenário de empate técnico entre os dois primeiros; o levantamento ouviu 900 eleitores, com margem de erro de três pontos percentuais.
Como está a disputa pelas duas vagas ao Senado no RS?
A disputa ao Senado no Rio Grande do Sul tem Manuela d’Ávila (PSOL) na frente com 14%, seguida por Marcel van Hattem (Novo) com 11%, enquanto Paulo Pimenta (PT) e Ubiratan Sanderson (PL) aparecem empatados com 10%; Germano Rigotto (MDB) marca 9% e Frederico Antunes (PSD), 2%, em cenário ainda muito pulverizado.