Um movimento brusco durante uma montanha-russa pode causar uma lesão cerebral mesmo sem que a pessoa bata diretamente a cabeça. É o que médicos explicam ao comentar o caso de Júlia Bossoni, jovem de 28 anos que sofreu um traumatismo cranioencefálico após andar na atração Montezum, do Hopi Hari.
Segundo a família, Júlia passou mal durante o passeio em abril, perdeu a consciência e apresentou convulsões. Exames identificaram hemorragia intracraniana e edema cerebral. Após o episódio, ela ficou com dificuldades motoras, de fala e memória.
O caso está sendo investigado. A família afirma que laudos médicos apontaram um mecanismo de contragolpe como possível explicação para a lesão, enquanto a perícia deverá analisar as circunstâncias do ocorrido e a relação com a atração.
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O que é o traumatismo por contragolpe?
O traumatismo por contragolpe ocorre quando o cérebro sofre um deslocamento dentro do crânio após uma aceleração ou desaceleração intensa.
O cérebro fica protegido pelo líquido cefalorraquidiano, mas movimentos rápidos podem fazer com que ele se desloque e sofra impactos contra estruturas internas do crânio.
De acordo com especialistas, uma lesão pode acontecer tanto no ponto inicial do movimento quanto no lado oposto, justamente pelo deslocamento provocado pelo impacto indireto.
Esse tipo de mecanismo é conhecido na medicina como lesão por golpe e contragolpe e pode ocorrer em diferentes situações, como acidentes, quedas ou movimentos bruscos de aceleração.
Como uma montanha-russa pode causar esse tipo de lesão?
Montanhas-russas submetem o corpo a mudanças rápidas de velocidade, curvas, acelerações e desacelerações.
Segundo especialistas ouvidos sobre o caso, esses movimentos podem gerar forças capazes de movimentar a cabeça e o cérebro mesmo sem existir uma batida visível contra o equipamento.
A intensidade do efeito depende de diferentes fatores, como velocidade, direção dos movimentos, posição da cabeça, características individuais e condições de saúde da pessoa.
O que aconteceu com Júlia Bossoni?
Júlia Bossoni estava no parque Hopi Hari, em Vinhedo (SP), quando passou mal durante uma volta na montanha-russa Montezum.
Segundo familiares, ela já havia utilizado o brinquedo anteriormente naquele dia. Durante a segunda passagem, retornou desacordada e apresentou convulsões.
A jovem foi levada para atendimento médico e recebeu diagnóstico de traumatismo cranioencefálico, com hemorragia intracraniana e edema cerebral.
Ela permaneceu internada por cerca de 57 dias e, segundo a família, continua em processo de reabilitação.
Por que uma hemorragia cerebral pode causar sequelas?
O cérebro controla funções como movimento, fala, memória e percepção. Quando ocorre um sangramento ou inchaço, determinadas áreas podem ser afetadas.
No caso de Júlia, a família relata perda de movimentos do lado esquerdo do corpo. Médicos explicam que lesões no hemisfério direito do cérebro podem afetar movimentos do lado esquerdo, já que o controle motor ocorre de forma cruzada.
A intensidade das sequelas depende da área atingida, do tamanho da lesão e da resposta ao tratamento e à reabilitação.
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Lesões em brinquedos radicais são comuns?
Casos graves envolvendo montanhas-russas são considerados incomuns, mas estudos médicos já analisaram possíveis lesões associadas a forças de aceleração e movimentos bruscos.
As consequências podem envolver diferentes regiões do corpo, incluindo coluna e sistema neurológico, dependendo das circunstâncias.
Especialistas ressaltam que cada ocorrência precisa ser avaliada individualmente, levando em conta o funcionamento da atração, as condições do usuário e os fatores envolvidos no episódio.
Investigação deve apontar circunstâncias do acidente
O Ministério Público de São Paulo abriu investigação e solicitou perícia relacionada ao caso.
O objetivo é verificar as circunstâncias do episódio e analisar informações técnicas relacionadas à atração.
O Hopi Hari afirma que a Montezum possui certificação internacional, passa por inspeções periódicas e segue normas de segurança.
Entenda O Contexto
O caso de Júlia Bossoni ganhou repercussão após reportagem do Fantástico mostrar a trajetória da jovem após o acidente.
A família afirma que ela sofreu um traumatismo cranioencefálico provocado por um mecanismo de contragolpe durante o passeio na montanha-russa.
A investigação ainda busca esclarecer todos os fatores envolvidos. Até a conclusão das análises técnicas, não é possível afirmar definitivamente a causa do trauma ou atribuir responsabilidade pelo ocorrido.
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