Casal é procurado após norte-americano ser encontrado amarrado e morto em casa de alto padrão no Paraná

Suspeitos jovens são procurados pela polícia após assassinato de cidadão americano em residência de luxo.
Redação NC News
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O desaparecimento de um norte-americano terminou com uma investigação de homicídio em uma das regiões residenciais valorizadas de Maringá, no Noroeste do Paraná. Tamir Nadav, de 46 anos, foi encontrado morto dentro da própria residência, no Jardim Novo Horizonte, com mãos e pés amarrados com fita adesiva e o corpo em um cômodo trancado.

A Polícia Civil identificou dois jovens como suspeitos de envolvimento no crime: Kaua Kazahaya de Arruda, de 20 anos, e Angelina Oliveira da Silva, de 18. Os dois tiveram a prisão temporária decretada pela Justiça, são considerados foragidos e tiveram as fotografias divulgadas pelas autoridades na tentativa de acelerar a localização.

A investigação aponta que o casal teria permanecido temporariamente na casa de Tamir. Os investigadores também encontraram registros de movimentações financeiras realizadas com recursos atribuídos ao norte-americano. Entre os elementos já divulgados está a informação de que os suspeitos teriam utilizado o cartão da vítima para realizar compras antes do desaparecimento, incluindo dois relógios que, juntos, custaram aproximadamente R$ 10 mil.

A Polícia Civil ainda trabalha para esclarecer exatamente como Tamir morreu, quando o homicídio ocorreu e qual foi a participação individual de cada investigado.

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O corpo encontrado dentro do quarto

Tamir Nadav estava desaparecido desde 3 de setembro. Naquele momento, pessoas próximas à vítima começaram a estranhar a ausência do norte-americano e procuraram informações sobre seu paradeiro.

Uma amiga chegou a ir até a residência onde Tamir morava. Na ocasião, segundo informações divulgadas sobre a investigação, ela teria sido recebida por pessoas que afirmaram que o norte-americano havia viajado para São Paulo. A versão, porém, não encerrou as dúvidas sobre o desaparecimento.

Dias depois, a situação ganhou outro contorno.

Na madrugada de 18 para 19 de setembro, o corpo de Tamir foi localizado dentro da residência, no Jardim Novo Horizonte. A Polícia Militar foi acionada depois que pessoas perceberam um forte odor vindo do imóvel.

Os policiais encontraram o norte-americano morto em um quarto. O corpo estava com as mãos e os pés amarrados com fita adesiva. O cômodo também estava trancado pelo lado de fora, segundo relatos divulgados sobre o atendimento da ocorrência.

O estado de decomposição indicava que o corpo poderia estar no imóvel havia vários dias. A identificação oficial foi realizada pela Polícia Científica do Paraná por meio de exame das arcadas dentárias.

A descoberta transformou o desaparecimento em uma investigação criminal de maior complexidade. A partir daquele momento, os investigadores passaram a reconstruir os últimos dias de vida de Tamir e a identificar quem teve acesso à residência.

Corpo estava em casa com sinais de abandono, em Maringá | Foto: Reprodução

A relação entre a vítima e os dois suspeitos

Um dos principais pontos investigados pela Polícia Civil é a relação de Tamir com Kaua e Angelina.

Segundo a investigação, os dois teriam morado temporariamente com o norte-americano na residência. A proximidade com a vítima passou a ser considerada um dos elementos relevantes para reconstruir a dinâmica do crime.

A Polícia Civil também identificou movimentações financeiras associadas a recursos de Tamir.

O delegado Adriano Garcia, responsável pela investigação, afirmou que o casal teria sido visto na residência e que os investigadores identificaram compras realizadas com o cartão da vítima. Entre os gastos estão dois relógios, com valor aproximado de R$ 10 mil.

Esse conjunto de informações fez com que Kaua e Angelina passassem a ser tratados formalmente como suspeitos.

É importante, porém, separar as suspeitas das conclusões definitivas. A Polícia Civil ainda investiga a dinâmica da morte e a motivação do crime. Uma das linhas consideradas é a patrimonial, mas a investigação ainda precisa estabelecer como as movimentações financeiras se relacionam diretamente ao homicídio.

Quem era Tamir Nadav

Tamir Nadav era norte-americano e havia se mudado para o Brasil em 2021 para trabalhar na indústria de jogos eletrônicos. Ele tinha experiência de mais de duas décadas no setor e havia atuado em diferentes áreas de desenvolvimento de games.

Ao longo da carreira, o nome de Tamir esteve associado a projetos conhecidos da indústria, incluindo Minecraft: Story Mode, The Walking Dead: A New Frontier, Batman: The Telltale Series, Marvel’s Guardians of the Galaxy: The Telltale Series e NBA 2K19. Ele também havia trabalhado profissionalmente em cidades como São Francisco, Montreal, Rio de Janeiro e Maringá.

A trajetória profissional ajuda a explicar por que a morte do norte-americano chamou atenção também fora do Paraná. Tamir havia construído uma carreira internacional antes de estabelecer residência em Maringá.

Agora, a investigação busca reconstruir os últimos contatos dele e entender o que ocorreu entre os primeiros sinais de desaparecimento e a localização do corpo.

A fuga e a divulgação das fotografias

Com o avanço do inquérito, a Justiça autorizou a prisão temporária de Kaua Kazahaya de Arruda e Angelina Oliveira da Silva.

Os dois, entretanto, não foram localizados.

Na quinta-feira, 24 de setembro, a Polícia Civil do Paraná divulgou as fotografias dos investigados e pediu ajuda da população para encontrar o casal. A medida busca ampliar as possibilidades de localização, inclusive fora de Maringá.

As autoridades orientam que informações sobre o paradeiro dos dois sejam repassadas de forma anônima. Os canais divulgados pela polícia incluem o telefone (44) 3309-3135, o 197, da Polícia Civil, o 181, do Disque-Denúncia, e o 190, da Polícia Militar.

A divulgação das imagens também marca uma nova etapa da investigação. Com os suspeitos ainda não encontrados, a polícia tenta impedir que o casal permaneça oculto ou deixe a região sem ser identificado.

O que a investigação ainda precisa esclarecer

Apesar dos avanços, várias perguntas permanecem abertas.

A primeira delas é determinar exatamente quando Tamir foi morto. O corpo já estava em avançado estado de decomposição quando localizado, o que dificulta a definição precisa da data.

Também será necessário estabelecer a causa da morte, a dinâmica do homicídio e o que aconteceu dentro da residência nos dias que antecederam a descoberta do corpo.

Outro ponto central é a motivação.

As movimentações financeiras identificadas pelos investigadores levantaram uma possível hipótese patrimonial. No entanto, a existência de compras com recursos da vítima, isoladamente, não encerra a investigação sobre o motivo do homicídio. A Polícia Civil ainda precisa cruzar informações financeiras, depoimentos, perícia e outros elementos obtidos durante o inquérito.

Também permanece sob apuração se houve participação de outras pessoas.

O fato de os suspeitos terem tido convivência com Tamir torna especialmente importante a reconstrução da rotina da residência. A polícia deve analisar quem entrou e saiu do imóvel, quais contatos foram mantidos nos dias anteriores ao desaparecimento e que movimentações ocorreram depois que Tamir deixou de ser visto.

A investigação ainda pode avançar com análises de imagens de câmeras, dados financeiros, aparelhos eletrônicos, depoimentos e exames periciais.

Enquanto isso, Kaua e Angelina permanecem procurados.

O caso chama atenção justamente pela combinação de elementos que já foram identificados: uma vítima estrangeira que vivia em uma residência de alto padrão, dois jovens que teriam convivido temporariamente com ela, movimentações financeiras antes do desaparecimento e um corpo encontrado amarrado dentro de um cômodo trancado.

A prisão dos dois investigados será importante para que a Polícia Civil possa confrontar versões, esclarecer a participação de cada um e avançar na reconstrução da noite ou dos dias em que Tamir foi morto.

ENTENDA O CONTEXTO

O caso de Tamir Nadav começou como uma ocorrência de desaparecimento. O norte-americano deixou de ser localizado no início de setembro e, posteriormente, uma pessoa próxima registrou o desaparecimento após procurar informações sobre ele. A descoberta do corpo dentro da residência mudou completamente o rumo da apuração. A vítima estava amarrada e em um quarto trancado, enquanto a identificação só foi confirmada posteriormente pela Polícia Científica por meio das arcadas dentárias.

A partir da análise dos últimos dias de Tamir, a Polícia Civil chegou a Kaua Kazahaya de Arruda e Angelina Oliveira da Silva. Segundo a investigação, os dois teriam permanecido temporariamente na casa da vítima e foram relacionados a movimentações financeiras realizadas com recursos atribuídos ao norte-americano. Entre os elementos divulgados está a utilização do cartão de Tamir para compras realizadas antes do desaparecimento, incluindo dois relógios avaliados em aproximadamente R$ 10 mil.

A Justiça decretou a prisão temporária dos dois, mas eles não foram encontrados. Por isso, a Polícia Civil divulgou as fotografias e passou a pedir informações da população. A investigação, contudo, ainda não apresenta uma conclusão definitiva sobre a motivação e a dinâmica do homicídio. A hipótese patrimonial é uma das linhas consideradas, mas os investigadores continuam reunindo provas para determinar o que aconteceu e qual foi o papel de cada suspeito.

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