Justiça manda CazéTV entregar contrato de Romário em 48 horas e bloqueia repasses

Decisão judicial determina bloqueio de valores e exige documentos financeiros da CazéTV em disputa com Romário.
Redação NC News
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Decisão determina apresentação de contrato integral, notas fiscais e comprovantes bancários; medida ocorre em processo que cobra R$ 32,4 milhões do senador

A Justiça do Rio de Janeiro deu 48 horas para a CazéTV Produções Ltda. apresentar o contrato integral de prestação de serviços firmado com o senador Romário, além de notas fiscais e comprovantes bancários relacionados aos pagamentos feitos ao ex-jogador.

A determinação foi tomada depois que a empresa apresentou anteriormente um contrato com trechos ocultados por tarjas, impedindo a análise completa dos valores e das condições do acordo. O processo tramita sob segredo de Justiça.

Além da entrega dos documentos, a decisão determina a suspensão dos repasses destinados a Romário, com os valores sendo direcionados para uma conta judicial. O objetivo é permitir que a Justiça identifique o caminho do dinheiro e preserve eventuais recursos que possam ser utilizados na execução de uma dívida atualmente calculada em R$ 32,4 milhões.

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Juiz exige contrato sem qualquer tarja

Na nova decisão, o magistrado determina que a CazéTV apresente o contrato completo, sem ocultação de informações, além das notas fiscais e dos comprovantes bancários dos pagamentos.

O despacho também estabelece uma consequência caso a ordem não seja cumprida dentro do prazo estabelecido. A empresa poderá ser acusada de praticar “ato atentatório à dignidade da justiça”, abrindo possibilidade para aplicação de novas medidas judiciais.

“Diante de tais fundamentos, determino: a) a intimação da CAZÉ TV PRODUÇÕES LTDA. para que, no prazo de 48 horas, apresente aos autos as cópias integrais e sem nenhuma espécie de tarja de censura o contrato de Prestação de Serviços, bem como das referidas Notas Fiscais e dos comprovantes bancários de depósito, sob pena de reconhecimento de ato atentatório à dignidade da justiça.”

A determinação faz parte de uma sequência de medidas adotadas para identificar os valores recebidos por Romário e a forma como a contratação foi estruturada. Em julho, a Justiça já havia determinado a penhora de valores que o senador tinha a receber da CazéTV durante sua participação na cobertura da Copa do Mundo de 2026.

Empresa intermediária também entra na mira

A decisão mais recente vai além da relação direta entre CazéTV e Romário. Segundo o despacho, os pagamentos previstos no contrato seriam realizados por meio de uma empresa ligada a dois sócios que trabalham com o senador.

O juiz determinou que essa empresa interrompa os repasses destinados a Romário e deposite judicialmente os valores que já estejam retidos ou que seriam transferidos.

Também foram solicitados contratos e acordos que expliquem a participação de Romário em trabalhos da CazéTV e da Romário TV, além de recibos e comprovantes bancários capazes de mostrar o destino dos valores eventualmente pagos.

A medida busca esclarecer se recursos que deveriam chegar ao senador estão passando por outras empresas e, consequentemente, se esses valores podem ser alcançados pela execução judicial.

Dívida de R$ 32,4 milhões começou com antigo negócio

A cobrança que motivou as medidas judiciais é antiga e está relacionada ao Café Onze Bar, empreendimento do qual Romário era sócio.

Segundo informações já divulgadas sobre o processo, a empresa Koncretize Projetos e Obras Ltda. foi contratada para administrar o estacionamento do estabelecimento, que utilizava elevadores para veículos. Após o fechamento do bar, em 2011, surgiu uma disputa sobre a rescisão do contrato e a retirada dos equipamentos.

Romário posteriormente assinou um termo de confissão de dívida de aproximadamente R$ 1,65 milhão. Segundo a empresa credora, o compromisso não foi cumprido. Com a incidência de multas, juros, correção monetária e outros encargos, o valor chegou aos atuais R$ 32,4 milhões cobrados na execução.

O processo está em fase de cumprimento de sentença e já resultou em medidas contra bens associados ao ex-jogador.

Imóveis, veículos e até lancha já foram atingidos

A cobrança também já alcançou o patrimônio de Romário. Entre os bens mencionados em decisões anteriores estão um imóvel, uma lancha e um Porsche, além de restrições via Renajud sobre um Audi e um Peugeot.

A participação de Romário na CazéTV durante a Copa do Mundo de 2026 abriu uma nova possibilidade de localização de recursos para a execução. Em julho, a Justiça determinou que o canal apresentasse contratos, propostas comerciais, notas fiscais, recibos e comprovantes relacionados à contratação do senador.

Na ocasião, também foi determinado que fossem identificadas eventuais empresas parceiras, patrocinadoras ou integrantes da cadeia comercial responsáveis pelos pagamentos a Romário.

O que acontece agora

A CazéTV terá 48 horas para apresentar a documentação exigida pela Justiça. O material poderá permitir ao juízo verificar quanto foi pago a Romário, por qual empresa, em que condições e qual foi o destino dos recursos.

A ordem não significa que a dívida de R$ 32,4 milhões tenha sido integralmente recebida pela credora. Trata-se de uma execução judicial em andamento, na qual a Justiça adota medidas para localizar e preservar valores e patrimônio que possam responder pela obrigação.

O processo também permanece sob segredo de Justiça. Até a publicação desta matéria, não havia manifestação pública da CazéTV sobre a nova determinação.

Justiça já havia determinado penhora de valores recebidos por Romário na CazéTV

A primeira ordem relacionada aos pagamentos da CazéTV foi determinada em julho, quando a Justiça autorizou a penhora dos créditos que Romário teria a receber pela participação nas transmissões da Copa do Mundo. A medida foi estabelecida para garantir a execução da dívida de R$ 32,4 milhões.

Entenda O Contexto

A disputa envolvendo Romário e a Koncretize se arrasta há anos e teve origem em um contrato relacionado ao estacionamento do Café Onze Bar. Após o encerramento das atividades do estabelecimento, houve uma disputa sobre equipamentos instalados no local e os custos relacionados à retirada. Romário firmou posteriormente um termo de confissão de dívida, mas a empresa credora afirma que o compromisso não foi cumprido. A cobrança cresceu com a incidência de encargos e chegou ao valor de R$ 32,4 milhões atualmente discutido na execução.

A participação de Romário na CazéTV durante a Copa do Mundo criou uma nova frente para a cobrança. A Justiça passou a buscar informações sobre contratos, pagamentos e eventuais intermediários envolvidos na remuneração do senador. A decisão mais recente amplia esse controle ao exigir documentos sem tarjas, determinar a interrupção dos repasses e direcionar valores à conta judicial.

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