A retenção de macas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em hospitais de Manaus deixou 2.287 atendimentos sem serem realizados entre 1º de janeiro e 21 de setembro de 2026. Segundo dados apresentados à Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM), foram registradas 2.124 ocorrências de retenção no período, comprometendo a disponibilidade das ambulâncias na capital.
Somadas, as ocorrências provocaram 3.431 horas de inoperância das ambulâncias. Em média, cada retenção manteve os equipamentos parados por aproximadamente uma hora e meia. Enquanto a maca permanece no hospital com o paciente, a ambulância não consegue retornar às ruas para atender uma nova emergência.
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Defensoria encontra macas retidas durante inspeção
A situação foi acompanhada pela Defensoria Pública do Amazonas na quinta-feira (24), durante uma visita técnica à Central de Regulação do Samu 192 e uma inspeção no Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto.
Na unidade, os representantes da instituição encontraram quatro macas do Samu retidas. Uma delas estava no hospital havia quase três horas, período em que a ambulância correspondente permanecia impossibilitada de realizar um novo atendimento.
A inspeção faz parte de um Procedimento Coletivo instaurado pelo Núcleo de Defesa da Saúde (Nudesa) para acompanhar o problema. A Defensoria já havia encaminhado ofícios aos órgãos envolvidos para cobrar informações e providências.
Em julho, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) e as organizações sociais responsáveis pela administração dos hospitais João Lúcio, 28 de Agosto e Platão Araújo enviaram respostas à instituição. Segundo a Defensoria, as organizações informaram que haviam adquirido equipamentos para tentar evitar novas retenções.
A vistoria mais recente, porém, mostrou que o problema continua ocorrendo. Segundo o defensor público Arlindo Gonçalves, coordenador do Nudesa, as medidas adotadas até agora não foram suficientes para solucionar a situação. A Defensoria informou ainda que a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) não havia respondido aos questionamentos encaminhados pela instituição.
Ambulância fica indisponível enquanto maca não é liberada
O impacto da retenção ocorre porque a maca é parte do equipamento necessário para o funcionamento da ambulância. Depois de transportar o paciente até uma unidade hospitalar, a equipe precisa receber o equipamento de volta para deixar o hospital e seguir para outra ocorrência.
O gerente técnico do Samu, Eduardo Fernandes, explicou à Defensoria que a demora na liberação das macas provoca desassistência nas regiões que dependem das ambulâncias temporariamente indisponíveis. A situação se torna especialmente relevante em um serviço no qual a rapidez no deslocamento é determinante para responder às urgências.
Atualmente, o Samu de Manaus conta com 34 unidades de suporte básico, seis unidades de suporte avançado e 16 motolâncias, além do atendimento a comunidades ribeirinhas com ambulanchas. Mais de mil profissionais atuam no serviço pré-hospitalar da capital.
Problema já vinha sendo registrado
A retenção de macas não começou em 2026. Um levantamento anterior da Semsa, referente ao período entre julho de 2025 e junho deste ano, contabilizou 1.623 ocorrências, com tempo médio de retenção de uma hora e 42 minutos.
Naquele levantamento, o Hospital 28 de Agosto concentrava 41,8% dos registros, seguido pelo Hospital João Lúcio, com 39,1%, e pelo Platão Araújo, com 12,6%. Juntas, as três unidades concentravam a maior parte das ocorrências identificadas no período.
Os dados mais recentes mostram que a retenção continua afetando a operação do serviço. A Defensoria acompanha o caso e cobra medidas para que as macas sejam liberadas mais rapidamente, permitindo que as ambulâncias retornem às ruas e fiquem disponíveis para novos chamados.