TCE-RJ arquiva processo sobre crise do Rioprevidência e deixa de aplicar multa a Sérgio Cabral

Tribunal apontou irregularidades na gestão do fundo entre 2005 e 2015 e havia determinado multa de R$ 150 mil ao ex-governador; cobrança prescreveu após sete anos.
Redação NC News
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O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) arquivou o processo que analisava irregularidades na gestão do Rioprevidência entre 2005 e 2015, período que atravessou os governos de Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão.

Apesar do arquivamento, o tribunal manteve os apontamentos feitos anteriormente sobre problemas financeiros no fundo previdenciário. A decisão determinou apenas que uma multa aplicada contra o ex-governador Sérgio Cabral não fosse mais cobrada por causa da prescrição.

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro arquivou o processo que analisava irregularidades na gestão do Rioprevidência entre 2005 e 2015.
O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro arquivou o processo que analisava irregularidades na gestão do Rioprevidência entre 2005 e 2015.

 

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TCE apontou dívida bilionária no Rioprevidência

O processo analisou a situação financeira do Rioprevidência durante uma década e apontou que o Tesouro estadual acumulava uma dívida de R$ 10,6 bilhões com o fundo.

Na decisão concluída em 2019, o tribunal identificou medidas que, segundo a análise do órgão, contribuíram para comprometer a capacidade financeira do estado nos anos seguintes.

Entre os pontos destacados estavam a descapitalização do fundo, uma dívida de R$ 3,7 bilhões do governo com o Rioprevidência, a falta de recomposição de cerca de R$ 5 bilhões em certificados financeiros do Tesouro antecipados e a transferência de R$ 450 milhões para o Tesouro em troca de um terreno no Leblon.

Multa contra Sérgio Cabral prescreveu

Em 2019, o TCE havia determinado uma multa de R$ 150 mil contra Sérgio Cabral. Com a atualização monetária, o valor chegaria atualmente a aproximadamente R$ 218 mil.

A cobrança, porém, não será realizada porque o tribunal reconheceu a prescrição do prazo para aplicação da penalidade.

O arquivamento do processo não representa uma revisão das irregularidades apontadas anteriormente. A decisão está relacionada à impossibilidade de aplicar a punição após o prazo previsto.

A decisão reconheceu a prescrição de uma multa aplicada ao ex-governador Sérgio Cabral, mas manteve os apontamentos feitos pelo tribunal sobre problemas financeiros que afetaram o fundo previdenciário estadual.
A decisão reconheceu a prescrição de uma multa aplicada ao ex-governador Sérgio Cabral, mas manteve os apontamentos feitos pelo tribunal sobre problemas financeiros que afetaram o fundo previdenciário estadual.

Antecipação de royalties pressionou contas do fundo

Durante o período de crise financeira, o Rioprevidência passou a utilizar a antecipação de receitas de royalties do petróleo como forma de obter recursos.

Na prática, o mecanismo permitia a entrada antecipada de valores, mas criava compromissos financeiros futuros e aumentava a pressão sobre as contas do instituto.

A crise chegou a afetar o pagamento de servidores, aposentados e pensionistas do estado.

Mais de 205 mil servidores tiveram pagamentos atrasados em 2016

Em 2016, mais de 205 mil servidores entre ativos, aposentados e pensionistas enfrentaram atrasos nos pagamentos.

O período foi marcado por protestos de servidores e mobilizações diante das dificuldades financeiras enfrentadas pelo governo estadual.

Pezão e Gustavo Barbosa foram inocentados no processo

Além de Sérgio Cabral, o processo também analisou a atuação do ex-governador Luiz Fernando Pezão e de Gustavo Barbosa, que presidia o Rioprevidência no período.

Os dois foram inocentados pelo Tribunal de Contas no processo.

Rioprevidência voltou ao centro das atenções com caso Banco Master

Anos depois da crise analisada pelo TCE-RJ, o Rioprevidência voltou ao centro das atenções por causa dos investimentos realizados em fundos administrados pelo Banco Master.

Segundo a Polícia Federal, R$ 3,7 bilhões do fundo foram aportados em investimentos ligados ao banco. O instituto informou que trabalha para recuperar os recursos e afirmou já ter resgatado mais de R$ 1,4 bilhão.

Ex-presidente do Rioprevidência continua preso

O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes continua preso no âmbito das investigações relacionadas aos investimentos realizados pelo fundo.

A defesa informou que não vai se manifestar. Antunes também recorre à Justiça para contestar as acusações e buscar o reconhecimento de sua inocência.

Entenda o contexto

O Rioprevidência administra recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.

O fundo passou por uma grave crise financeira na última década e voltou a ser alvo de questionamentos após investimentos realizados em fundos ligados ao Banco Master.

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