Felipe Nunes aponta ‘três Brasis’ ao analisar pesquisas estaduais para presidente

Diretor da Quaest compara levantamentos nos estados com o resultado de 2022 e destaca força regional de Lula e Flávio Bolsonaro, além do peso dos eleitores independentes na disputa
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O diretor da Quaest e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Felipe Nunes, analisou neste domingo (27) o conjunto das pesquisas estaduais mais recentes sobre a disputa pela Presidência da República. Na leitura apresentada pelo cientista político, o equilíbrio observado no cenário nacional esconde diferenças importantes entre as regiões e uma distribuição do voto semelhante à registrada na eleição de 2022.

A análise considera levantamentos da Quaest realizados em 26 unidades da Federação e dados do Datafolha no Piauí. Segundo Nunes, Lula aparece à frente em dez estados, enquanto Flávio Bolsonaro lidera em oito. Em outros nove, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, os cenários ficam dentro das respectivas margens de erro.
A análise considera levantamentos da Quaest realizados em 26 unidades da Federação e dados do Datafolha no Piauí. Segundo Nunes, Lula aparece à frente em dez estados, enquanto Flávio Bolsonaro lidera em oito. Em outros nove, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, os cenários ficam dentro das respectivas margens de erro.

 

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Felipe Nunes aponta continuidade do mapa de 2022

Um dos pontos destacados por Nunes é a semelhança entre a distribuição atual das intenções de voto e o resultado da eleição presidencial de 2022.

Segundo a análise, a correlação entre a intenção de voto de Lula nos estados e o desempenho obtido por ele no primeiro turno de 2022 chega a 0,98. No caso de Flávio Bolsonaro em comparação com o resultado de Jair Bolsonaro naquela eleição, o índice apontado é de 0,95.

Para Nunes, os números indicam que a polarização continua organizada territorialmente de maneira semelhante à eleição passada, embora existam movimentos específicos em alguns estados.

Lula mantém sua principal concentração de apoio no Nordeste. Flávio, por sua vez, registra seus melhores desempenhos principalmente em estados do Sul, Centro-Oeste e Norte.

Sudeste concentra estados importantes em disputa

São Paulo e Minas Gerais aparecem entre os estados nos quais Lula e Flávio estão dentro da margem de erro. O cenário nesses grandes colégios eleitorais ajuda a explicar por que pequenas mudanças regionais podem alterar a composição do quadro nacional.

No Rio de Janeiro, Flávio aparece numericamente à frente. A análise de Nunes também chama atenção para a presença de eleitores que não se identificam diretamente com os dois principais campos políticos.

Segundo os dados apresentados por ele, os chamados independentes representam entre 24% e 36% do eleitorado nos estados analisados. O maior percentual aparece no Rio de Janeiro, com 36%, seguido pelo Amazonas, com 35%.

Medo dos dois campos também aparece nas pesquisas

Outro aspecto analisado é a rejeição aos principais grupos políticos. No Nordeste, pesquisas registram maior temor entre entrevistados diante de uma eventual volta da família Bolsonaro à Presidência.

Em partes do Norte e do Sul, ocorre o movimento inverso, com percentuais elevados de entrevistados que afirmam temer mais um mandato de Lula.

Nunes também destaca um grupo que manifesta preocupação com as duas possibilidades. Esse segmento aparece em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás.

Parte dos eleitores ainda admite mudar o voto

Apesar da semelhança com o mapa eleitoral de 2022, os levantamentos também mostram que uma parcela dos entrevistados ainda não considera definitiva sua escolha.

Entre aqueles que declaram voto, de 11% a 23%, dependendo do estado, afirmam que ainda podem mudar de candidato. O Paraná apresenta o maior percentual, com 23%, seguido pelo Amapá, com 21%. São Paulo e Santa Catarina registram 20%, enquanto Minas Gerais e Distrito Federal aparecem com 19%.

Os dados representam o momento em que cada pesquisa foi realizada e não constituem projeção do resultado das urnas. Como os levantamentos estaduais possuem amostras, períodos de coleta e margens de erro próprios, os resultados devem ser interpretados individualmente.

A própria Quaest ressalta em suas análises que pesquisas de primeiro turno registram a preferência dos entrevistados naquele momento e não permitem antecipar o resultado da eleição ou transportar automaticamente os números para eventuais cenários de segundo turno.

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