A condenação definitiva da ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como “Mãe Loira do Funk”, foi resultado de um processo marcado por versões opostas sobre o que aconteceu entre os dias 21 e 22 de fevereiro de 2011, na casa onde ela vivia com o então marido, Márcio Costa, em Vargem Grande, no Rio de Janeiro.
Segundo a acusação, Márcio foi mantido em cárcere e submetido a agressões durante cerca de 20 horas por Verônica e parentes dela. A defesa apresentou uma versão diferente: sustentou que ele chegou à residência já ferido e alterado e negou que tenha ocorrido tortura, amarração ou cárcere privado.
Ao longo do processo, a Justiça considerou que a versão apresentada por Márcio encontrava maior respaldo nas provas. Verônica acabou condenada a 10 anos e 8 meses de prisão por tortura, e o processo chegou ao trânsito em julgado em 2026. A ex-vereadora foi presa em 24 de setembro, em Petrópolis, após a determinação para o cumprimento da pena.
LEIA TAMBÉM
Filha de Verônica Costa defende mãe após prisão e afirma: “Era ela ou ele”
Acusação diz que Márcio foi mantido amarrado e agredido
De acordo com a acusação e com os depoimentos de Márcio Costa, o casal havia retornado de uma viagem a Búzios em 20 de fevereiro de 2011. No dia seguinte, os dois participaram de uma reunião política no Centro do Rio e depois seguiram para a residência em Vargem Grande.
Márcio relatou que, depois de entrar no quarto do casal, Verônica teria oferecido a ele um copo de suco de laranja. Desconfiado, afirmou ter descartado a bebida sem que ela percebesse.
Segundo o relato acolhido pela acusação, parentes de Verônica entraram posteriormente na suíte e o imobilizaram. Márcio declarou ter sido amarrado, vendado e amordaçado, permanecendo sob vigilância.

A denúncia sustentou que ele sofreu diferentes formas de violência durante as horas seguintes, incluindo afogamentos no vaso sanitário e na banheira, aplicação de inseticida no rosto, ameaças de morte e gasolina despejada sobre o corpo.
De acordo com a acusação, as agressões estariam relacionadas a cobranças para que Márcio confessasse supostos desvios de recursos de campanha e desse explicações sobre uma possível traição.
Márcio afirmou que conseguiu escapar no fim da tarde de 22 de fevereiro, após perceber uma distração. Segundo o relato, ele pulou o muro da residência, procurou ajuda de vizinhos, acionou a polícia e recebeu atendimento médico antes de registrar a ocorrência na 42ª DP, no Recreio.
Defesa diz que Márcio chegou à residência já ferido
A versão apresentada pela defesa de Verônica é diferente. Segundo a ex-vereadora, ela e Márcio participaram da reunião política no Centro do Rio, mas não teriam retornado juntos para casa.
Verônica afirmou que chegou à residência no início da noite e foi descansar. Conforme a versão da defesa, Márcio apareceu horas depois alterado, agressivo e já com ferimentos pelo corpo.
A defesa sustentou durante o processo que o comportamento estaria relacionado ao suposto consumo de drogas e a um estado de paranoia. Verônica também declarou que o então marido teria exigido R$ 100 mil para quitar uma dívida e feito ameaças contra ela.
Segundo essa versão, Verônica telefonou para familiares por medo. A irmã, o cunhado, o irmão e o padrasto foram até a casa para ajudá-la a lidar com a situação.
A defesa negou que Márcio tenha sido torturado, amarrado ou mantido em cárcere. Sustentou ainda que os familiares cuidaram dele durante a madrugada e a manhã seguinte, inclusive comprando medicamentos e pomadas para ferimentos que, segundo essa versão, já existiam.
Verônica também afirmou que Márcio permaneceu livre dentro da residência e que teria pulado o muro por acreditar que estava sendo perseguido. A ex-vereadora declarou que soube posteriormente das acusações feitas pelo então marido.
Versões divergem sobre horários, ferimentos e agressões
Um dos pontos de divergência envolve o horário em que Márcio chegou à residência. Ele afirmou que os dois voltaram juntos da reunião política por volta das 21h. Verônica declarou que chegou por volta das 19h e que o então marido só apareceu entre 23h30 e meia-noite.
As versões também são diferentes sobre o estado físico dele. Márcio afirmou que chegou à residência sem ferimentos. A defesa de Verônica sustentou que ele já estava machucado e sangrando.
Outro ponto discutido foi o possível consumo de drogas. Márcio negou ter usado substâncias e, segundo os autos citados na apuração, exames toxicológicos tiveram resultado negativo. A defesa de Verônica, por sua vez, alegou que ele estava alterado pelo suposto consumo de cocaína ou ecstasy.
Também houve versões diferentes sobre a chegada dos parentes. Márcio declarou que eles entraram no quarto com materiais usados para imobilizá-lo. Verônica sustentou que os familiares foram chamados para dar apoio e impedir uma possível agressão.
Justiça considerou versão de Márcio mais consistente
Ao analisar o conjunto de provas, os tribunais consideraram que a versão apresentada por Márcio tinha maior respaldo nos elementos reunidos durante a investigação e o processo.
Entre os elementos considerados pelas decisões judiciais estão o laudo do Instituto Médico-Legal (IML), depoimentos de testemunhas e exames realizados durante a apuração.
A condenação passou por instâncias superiores e tornou-se definitiva em 2026. O encerramento das possibilidades de recurso que impediam a execução da pena levou à ordem de prisão da ex-vereadora.
Verônica foi presa em Petrópolis
Verônica Costa foi localizada pela Polícia Civil em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, em 24 de setembro. A prisão ocorreu após a Justiça determinar o cumprimento da pena de 10 anos e 8 meses.
Mesmo após a prisão, Verônica e familiares continuaram contestando a condenação publicamente. A filha dela, Jeniffer Costa, publicou um vídeo defendendo a mãe e afirmando que Verônica teria sido vítima de violência durante o relacionamento.
As declarações da filha representam a versão apresentada pela família. A condenação judicial, por sua vez, é definitiva e decorreu da avaliação das provas reunidas no processo.
AS MAIS LIDAS DO NC NEWS
Vorcaro cita repasses de R$ 3 milhões por mês a grupo ligado a Jaques Wagner na Bahia
Trabalhadores dos Correios de SP encerram greve após duas semanas de paralisação
De Jair a Flávio: como o cenário de Lula mudou entre as eleições de 2022 e 2026, segundo o Datafolha