O candidato a deputado federal por São Paulo Lucas Pavanato (PL) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a cantora Luísa Sonza após a artista pedir voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante um show em Londrina, no Paraná. Em entrevista ao NC NEWS, Pavanato também comentou sua condenação em um processo envolvendo uma estudante da PUC-SP, a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado e a controvérsia eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida.
A representação foi apresentada depois da participação de Luísa Sonza no festival Tropicadelia, realizado no sábado (26). Durante a apresentação, a cantora declarou: “Dia 4 de outubro não esqueçam, é Lula 13!”. O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro. Pavanato sustenta que a manifestação caracterizou propaganda eleitoral irregular em um evento artístico.
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Pavanato acusa Luísa Sonza de fazer “showmício”
Na ação, Pavanato classifica o episódio como um “showmício dissimulado” e argumenta que a estrutura de uma apresentação musical teria sido utilizada para promover uma candidatura. A representação pede uma decisão liminar para impedir novas manifestações eleitorais da cantora durante apresentações.
A existência da ação, porém, não significa que a Justiça Eleitoral já tenha reconhecido a ocorrência de um showmício irregular. A caracterização jurídica da manifestação depende da análise do TSE. Até a apresentação da representação, não havia decisão de mérito reconhecendo que Luísa Sonza tenha cometido uma irregularidade eleitoral no episódio.
Ao falar sobre o caso, Pavanato também afirmou considerar que a cantora teria cometido crime eleitoral. A declaração representa a interpretação do candidato sobre o episódio e não uma conclusão já estabelecida pela Justiça.
Condenação envolvendo estudante da PUC-SP
Durante a entrevista, Pavanato também comentou a decisão da Justiça de São Paulo que o condenou ao pagamento de R$ 7,5 mil por danos morais a uma estudante da PUC-SP. O candidato recorre da sentença.
O processo tem origem em um episódio ocorrido em abril de 2022, durante o lançamento de um livro da ex-deputada Manuela D’Ávila. A estudante afirmou que foi filmada sem autorização e posteriormente teve sua imagem divulgada nas redes sociais.
Na decisão, a Justiça entendeu que a edição do vídeo continha inserções que contribuíram para expor a estudante de maneira vexatória. Além da indenização, foi determinada a retirada da publicação. Pavanato contesta essa versão e sustenta que a jovem consentiu com a gravação e com a publicação do conteúdo.
Questionado sobre a condenação, Pavanato afirmou considerar que existe uma parcela do Judiciário com atuação “militante” e disse se sentir perseguido em razão de suas posições políticas. A declaração expressa a avaliação do candidato e não integra os fundamentos da sentença que determinou a indenização.
Salles deixa disputa pelo Senado e declara apoio a Derrite e André do Prado
Outro assunto abordado foi a desistência do deputado federal Ricardo Salles (Novo) da corrida ao Senado por São Paulo. Salles anunciou nesta segunda-feira (28), a seis dias do primeiro turno, que não seguirá na disputa e declarou apoio a Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL).
Como a desistência ocorreu após o fechamento dos sistemas utilizados na preparação das urnas, o nome e a fotografia de Salles continuarão aparecendo no equipamento no dia da votação. Segundo as regras eleitorais aplicáveis ao caso, os votos eventualmente dados a ele serão considerados nulos.
Pavanato elogiou a decisão de Salles e afirmou que pretende atuar pela eleição de Derrite e André do Prado. Durante a entrevista, também chamou Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), adversárias na disputa pelas duas vagas paulistas no Senado, de “forasteiras”. A expressão representa uma crítica política feita pelo candidato.
Polêmica sobre Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida
Pavanato também comentou a controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida. Nos últimos dias, circularam publicações afirmando que o candidato do PL à Presidência pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro negou a informação. A controvérsia foi associada nas redes sociais a uma proposta apresentada em 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli. O projeto acabou arquivado em 2008 e não corresponde a uma proposta apresentada atualmente por Flávio Bolsonaro.
O ministro André Mendonça, do TSE, determinou a retirada de publicações que apresentassem como verdadeira a alegação de que Flávio Bolsonaro ou integrantes de sua família teriam proposto, apoiado ou pretendido retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. Na decisão, Mendonça classificou a afirmação como “notoriamente inverídica”.
A controvérsia ganhou um novo capítulo no domingo (27), quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), cassou uma decisão de Mendonça que havia determinado especificamente a retirada de uma publicação do humorista Antonio Tabet. Dino considerou, entre outros pontos, que o post não mencionava nominalmente Flávio Bolsonaro e destacou a proteção à liberdade de expressão.
Questionado sobre o episódio, Pavanato criticou Dino e afirmou considerar que existe tratamento diferente do Judiciário em relação a manifestações políticas de direita e de esquerda. A declaração representa a avaliação política do candidato sobre as decisões judiciais.
Próximos passos
A representação contra Luísa Sonza agora depende da análise da Justiça Eleitoral. O TSE poderá avaliar os pedidos apresentados por Pavanato e definir se a manifestação feita durante o festival se enquadra ou não nas restrições previstas pela legislação eleitoral.
Pavanato, por sua vez, afirmou que seguirá a campanha para deputado federal com agendas nas ruas e contato com eleitores durante os últimos dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro.
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