O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) e o candidato ao Senado por São Paulo André do Prado (PL) destinaram, juntos, cerca de R$ 900 mil em recursos de campanha à WBL Gráfica e Editora. A empresa já foi condenada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em um processo envolvendo fraude em licitação e teve recurso negado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Dados dos gastos eleitorais apontam que André do Prado desembolsou R$ 608.160 com materiais de campanha produzidos pela empresa. Renan Santos pagou outros R$ 292.645,41. Somados, os valores chegam a aproximadamente R$ 900,8 mil.
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Gráfica recebeu R$ 6,9 milhões de campanhas
A WBL Gráfica e Editora aparece como fornecedora de 233 campanhas nas eleições de 2026 e já recebeu R$ 6,9 milhões por serviços prestados a candidatos.
André do Prado aparece como o candidato que mais destinou recursos à empresa, com R$ 608,1 mil. Na sequência estão Adriana Ventura (Novo), com R$ 420,5 mil, Luiz Dalben (PSD), com R$ 385,6 mil, Renan Santos, com R$ 292,6 mil, e Sargento Cavalcanti (PL), com R$ 275,2 mil.
A contratação de uma empresa que responde ou respondeu a processo judicial não significa, por si só, irregularidade nos gastos das campanhas. Não há, nas informações divulgadas, indicação de que Renan ou André tenham participação no processo envolvendo a gráfica.
André do Prado diz que empresa apresentou menor preço
Procurada, a campanha de André do Prado afirmou que a WBL foi escolhida como fornecedora depois de apresentar o menor preço e estar com a documentação regular.
“A WBL Gráfica e Editora foi contratada como fornecedora, após apresentar o menor preço e estar com a documentação regular. A campanha não tem qualquer relação com eventuais fatos anteriores e os serviços contratados foram regularmente prestados”, afirmou a campanha.
Renan Santos também foi procurado pela reportagem que revelou os gastos, mas não quis se manifestar sobre a contratação da empresa.
Empresa foi condenada em caso de fraude em licitação
A WBL foi condenada em processo relacionado a um esquema envolvendo o ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos Alcir Filló.
O caso trata de fraude em licitação no município da Grande São Paulo. A condenação ocorreu no Tribunal de Justiça de São Paulo, e um recurso da empresa foi negado no Superior Tribunal de Justiça.
A WBL afirma, entretanto, que o processo ainda tramita no STJ devido à existência de recursos pendentes e destaca que a discussão judicial não foi definitivamente encerrada.
A empresa também sustenta que qualquer responsabilização deve observar exatamente o que foi reconhecido pelas decisões judiciais e o estágio atual do processo.
Outras campanhas contrataram a WBL
A presença da gráfica em campanhas eleitorais não começou em 2026. Nas eleições municipais de 2024, a empresa também prestou serviços relacionados às campanhas de José Luiz Datena e Pablo Marçal à Prefeitura de São Paulo.
Entre os candidatos de 2026, Adriana Ventura afirmou que chegou à empresa por meio de informações disponíveis no sistema de divulgação de candidaturas e contas eleitorais e que houve uma visita ao local para verificar a capacidade de produção.
Segundo a candidata, os materiais contratados foram entregues e os pagamentos ocorreram mediante emissão das respectivas notas fiscais.
Os gastos eleitorais declarados permitem acompanhar fornecedores e valores movimentados pelas campanhas. Eventual irregularidade em uma contratação específica, porém, depende da análise da prestação de contas e das circunstâncias de cada despesa.