O The Town 2027 abre sua nova edição com um golpe de efeito no metal: Slipknot e Marilyn Manson são anunciados hoje como atrações principais do primeiro dia do festival em São Paulo.
Os shows acontecem em 4 de setembro de 2027, no Palco Skyline, no Autódromo de Interlagos. A apresentação do Slipknot será o único show da banda em festival durante a próxima turnê mundial, o que coloca o evento paulistano como parada exclusiva no roteiro de grandes arenas pelo planeta.
Festival aposta em exclusividade e identidade própria
A Rock World, produtora do The Town e do Rock in Rio, confirma que negociou por cerca de três meses para garantir a presença do Slipknot. A banda norte-americana, ícone do metal pesado, volta ao Brasil em um momento de renovação criativa, com novo álbum, cenografia inédita e mudanças de formação.
Entre as novidades está a presença do baterista brasileiro Eloy Casagrande, ex-Sepultura, que integra oficialmente o grupo e participa tanto do disco quanto da turnê. A conexão nacional reforça o apelo do festival junto ao público brasileiro, que acompanha a trajetória de Eloy no metal desde os palcos menores.
O vice-presidente artístico da Rock World, Zé Ricardo, diz que o desafio hoje é concorrer com turnês pensadas para arenas, pouco adaptáveis a festivais. “Neste momento em que há muitas turnês de artistas, muitas apresentações para arenas, shows que não são pensados para festivais, o que inviabiliza muita coisa para a gente, tentamos trazer algo original. E há algum tempo eu queria trazer o Slipknot”, afirma.
Ele destaca a importância simbólica de ter a banda mascarada na abertura do line-up. “São dois artistas muito importantes para a história e para o universo do metal, cada um com uma trajetória e uma identidade artística muito próprias”, resume, ao comentar o pacote que reúne Slipknot e Marilyn Manson no mesmo dia.
Polêmica com Marilyn Manson testa limites do festival
O anúncio de Marilyn Manson, que não se apresenta no Brasil desde 2016, carrega outro tipo de peso. O cantor enfrenta há anos acusações de abuso e conduta violenta feitas por ex-parceiras e ex-funcionárias. Alguns casos foram encerrados, outros tiveram reviravoltas recentes na Justiça, e o histórico recente inclui até condenação a 20 horas de serviço comunitário, em 2023.
A Rock World, porém, decidiu incluí-lo no line-up, amparada no fato de que o artista não tem condenações consideradas graves pelo festival. “É um cara que não foi condenado, não tem uma coisa provada. São histórias que absolutamente não fazem parte de nada do que a gente acredita, mas nesse momento ele é um artista que estará em turnê pelo mundo”, diz Zé Ricardo.
Manson será o ato de abertura fixo da nova turnê do Slipknot, o que também pesou na escolha do The Town. A associação deve reforçar o caráter teatral do primeiro dia do festival, com cenários grandiosos, visual gótico, uso de máscaras e um tipo de espetáculo pensado para provocar tanto quanto entreter.
A decisão, no entanto, não é neutra. Patrocinadores, autoridades e parte do público acompanham com atenção o retorno do artista a grandes palcos, em meio a um ambiente de cobrança crescente por responsabilidade e coerência na escolha de atrações. A organização insiste que não contrata artistas condenados por crimes incompatíveis com os valores do evento.
Dias temáticos, economia aquecida e disputa por público
O The Town 2027 será realizado em cinco datas: 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027, novamente em Interlagos. A aposta é em dias temáticos, com jornadas dedicadas ao metal, ao rock, ao trap e a outros universos musicais, aprofundando uma curadoria que busca diferenciação em um calendário cada vez mais congestionado de grandes festivais.
Zé Ricardo reforça que o festival quer reforçar a própria cara, sem virar apenas uma extensão do Rock in Rio. A presença de nomes repetidos em relação a outras praças, como o próprio Slipknot, é tratada como parte de uma estratégia de marca. “A marca The Town, mesmo sendo nova, ela já é tão forte e tão cobiçada que a gente tem artistas como o Slipknot deixando de fazer turnê em arena para vir tocar no festival”, afirma.
Os números ajudam a explicar a ambição. Na última edição do Rock in Rio, foram cerca de 680 mil ingressos vendidos. Em 2025, o The Town recebeu aproximadamente 500 mil pessoas em Interlagos, com impacto econômico calculado em R$ 2,2 bilhões na cidade de São Paulo e geração na casa de 26,3 mil postos de trabalho temporários. A expectativa é repetir ou superar essa escala em 2027.
O efeito se espalha pela cadeia do turismo: hotéis lotados, restaurantes mais movimentados, transporte por aplicativo em alta, comércio informal reforçado nos entornos de Interlagos. A confirmação de um único show em festival do Slipknot na turnê mundial tende a atrair fãs de outros estados e países, ampliando o alcance do evento para além do eixo Rio-São Paulo.
Curadoria em disputa e próximos anúncios
Nos bastidores, o The Town tenta equilibrar demanda por grandes nomes com a necessidade de renovar o cardápio. A chegada de Eloy Casagrande ao Slipknot é interpretada internamente como símbolo de uma capacidade de reinvenção que a curadoria quer para o próprio festival. “O interesse em trazer o Slipknot para o festival já existia há algum tempo. O que a chegada do Eloy reforça é justamente uma característica da banda que me interessa muito: essa capacidade de se reinventar”, diz Zé Ricardo.
O executivo antecipa que a próxima edição deve ampliar o espaço da música eletrônica, um ponto visto como frágil na edição passada. A ideia é aproximar o festival de linguagens que hoje dominam pistas e plataformas digitais, sem diluir o foco em grandes shows de rock e pop que sustentam a imagem da marca.
As vendas de ingressos para o The Town 2027 ainda não começam. A organização promete divulgar o line-up de forma gradual, a partir da estreia com Slipknot e Marilyn Manson. Até lá, o festival precisa administrar a empolgação pelo ineditismo do show em festival da banda mascarada e a pressão em torno da presença de um artista controverso no mesmo dia.
O cenário aponta para uma edição mais madura, em que decisões artísticas se cruzam com debates públicos sobre comportamento e responsabilidade. A forma como o The Town navegar esse terreno, conciliando espetáculo, exclusividade e pressão moral, deve ajudar a definir seu lugar definitivo no mapa dos grandes festivais do país.
Quando será o The Town 2027 e quem toca na abertura?
O The Town 2027 acontece em 4, 5, 6, 11 e 12 de setembro de 2027 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e tem Slipknot e Marilyn Manson escalados para o primeiro dia, 4 de setembro, no Palco Skyline, com o show do Slipknot sendo o único em festival durante a nova turnê mundial da banda.
Por que o show do Slipknot no The Town é tratado como exclusivo?
O show do Slipknot no The Town 2027 é tratado como exclusivo porque será a única apresentação da banda em festival durante sua nova turnê mundial, focada em grandes arenas na Europa, América do Norte e América do Sul, o que transforma o Palco Skyline de Interlagos em exceção estratégica dentro de uma agenda pensada para estádios.