Aposentados, pensionistas e outros beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que comparecerem às urnas nas eleições de 2026 poderão ter o registro da votação utilizado automaticamente como prova de vida. A informação do comparecimento será compartilhada pela Justiça Eleitoral e processada pelo instituto.
Na prática, o beneficiário não precisará apresentar comprovante de votação ao INSS nem procurar uma agência apenas para informar que participou das eleições. O cruzamento das bases de dados permite que o registro eleitoral seja identificado pelo sistema utilizado para verificar se o titular do benefício continua vivo.
Como o voto vira prova de vida do INSS
O comparecimento às eleições faz parte dos registros que podem ser considerados pelo INSS para a comprovação de vida desde a publicação da Portaria PRES/INSS nº 1.408/2022.
Com o modelo atual, o próprio poder público procura movimentações registradas em bases oficiais que demonstrem que o beneficiário está vivo. A votação é uma delas.
Depois das eleições, os dados de comparecimento são cruzados com as informações dos beneficiários. Quando o sistema identifica o registro necessário, a prova de vida pode ser atualizada sem uma ação específica do segurado.
Sistema já foi utilizado nas eleições de 2024
O mecanismo não será utilizado pela primeira vez. Nas eleições de 2024, o INSS identificou 20.957.288 registros eleitorais relacionados a beneficiários.
Segundo o instituto, aproximadamente 5 milhões de provas de vida foram atualizadas a partir dessas informações.
A experiência integra a mudança no modelo de comprovação, que passou a priorizar o cruzamento automático de dados em vez de exigir que todos os segurados compareçam periodicamente a bancos ou unidades de atendimento.
Quem não votar não perde o benefício
A ausência nas eleições, por si só, não provoca suspensão ou cancelamento do pagamento do INSS.
Isso é especialmente importante para beneficiários com mais de 70 anos, para quem o voto é facultativo. O comparecimento eleitoral é apenas uma das diferentes informações que podem ser utilizadas pelo instituto.
Caso o segurado não vote, o sistema continuará procurando outros registros governamentais capazes de comprovar que ele está vivo.
Entre as movimentações consideradas estão acessos ao Meu INSS com conta Gov.br Ouro, empréstimos consignados realizados com reconhecimento biométrico, atualizações do CadÚnico, emissão de documentos e recebimento de benefícios com biometria.
Prova de vida é feita prioritariamente pelo governo
O INSS atende atualmente cerca de 40 milhões de beneficiários entre aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais.
No modelo atual, a responsabilidade pela busca das informações necessárias à prova de vida é prioritariamente do próprio instituto, por meio do cruzamento de bases governamentais.
O segurado só precisa tomar providências adicionais quando o sistema não encontra registros suficientes para comprovar sua situação e há uma comunicação específica para regularização.
Beneficiário pode consultar situação no Meu INSS
Quem quiser verificar se a prova de vida foi processada pode consultar o serviço “Prova de Vida” no aplicativo ou site Meu INSS. Quando a situação está regularizada, o sistema apresenta a data da última comprovação.
A consulta também pode ser feita pela Central 135.
O INSS alerta ainda que não solicita pagamentos, senhas ou dados bancários para realizar a prova de vida. Mensagens ou contatos com esse tipo de pedido devem ser tratados como suspeitos.