A nova pesquisa AtlasIntel para a Presidência em 2026 mantém Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na frente no primeiro turno e expõe um empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo. O levantamento, divulgado hoje, é o último grande termômetro a cinco dias da votação.
Cenário de primeiro turno consolida polarização
O estudo quantitativo ouviu 5.005 eleitores entre 23 e 28 de setembro, por questionários na internet, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Os dados mostram um país dividido entre petistas e bolsonaristas, com pouco espaço para alternativas.
Em números brutos, o instituto resume: “No primeiro turno, Lula tem 45,3% das intenções, enquanto Flávio aparece com 42,2%”. Quando se consideram apenas os votos válidos, o presidente sobe a 46,2% e o senador alcança 43,1%. A distância, de cerca de 3 pontos, garante a liderança de Lula, mas não afasta o risco de virada.
Os demais nomes permanecem na faixa residual. Samara Martins (UP) registra 0,4%, enquanto Rui Costa Pimenta (PCO) marca 0,1%. Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB), Hertz Dias e o Veterinário Wilson Grassi (Democrata) não pontuam. O quadro reforça a polarização e reduz o campo para candidaturas de terceiro caminho.
Empate no segundo turno aumenta peso da reta final
Os números do segundo turno explicam o clima de tensão nas campanhas. A AtlasIntel descreve o quadro assim: “No segundo turno o quadro se inverte, com ambos empatados tecnicamente e leve vantagem numérica de 0,1 ponto para o senador de direita”. Na prática, Flávio Bolsonaro aparece com cerca de 50% e Lula com 49,9% ou 50%, a depender do recorte, dentro da margem de erro.
Na rodada anterior da pesquisa, Lula tinha uma vantagem de 0,2 ponto. A oscilação, embora mínima, alimenta a narrativa de recuperação do bolsonarismo e aumenta a pressão sobre o Planalto e o comando da campanha petista. Com a diferença inferior a 1 ponto percentual, qualquer movimento de indecisos, abstenção ou voto útil pode definir o resultado.
O instituto simulou ainda quatro cenários de segundo turno em que Lula enfrenta outros adversários. “Lula venceria Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) ou Renan Santos (Missão), com vantagens que vão dos 2,5 aos 24,7 pontos percentuais”, registra o relatório. Nos cenários alternativos, o presidente aparece mais confortável, com margens folgadas sobretudo contra Renan Santos.
Rejeição ao governo pressiona estratégia de Lula
Além da disputa eleitoral, a pesquisa testa o humor do eleitorado em relação ao terceiro mandato de Lula. A avaliação é desfavorável. Segundo o instituto, “no geral, a gestão é mais desaprovada (para 53,6%) do que aprovada (para 45,2%)”. A diferença de mais de 8 pontos indica desgaste acumulado e oferece munição à oposição.
A desaprovação majoritária tende a ser explorada por Flávio Bolsonaro e por candidaturas da direita tradicional, como Ronaldo Caiado e Romeu Zema, mesmo que estes não se destaquem hoje na corrida presidencial. A crítica ao custo de vida, à segurança pública e à relação com o Congresso entra com força na propaganda final.
Para o PT, o dado funciona como alerta. A campanha precisa convencer o eleitorado de que a continuidade do projeto de governo representa estabilidade e melhorias econômicas, apesar da percepção negativa atual. A poucos dias do voto, a margem para reposicionar a narrativa é estreita, mas o peso da máquina federal e o recall do presidente seguem relevantes.
Mercado, mídia e indecisos entram no centro do tabuleiro
O desenho apertado do segundo turno coloca lupa sobre três atores centrais: a mídia, o mercado financeiro e o eleitor indeciso. Veículos de comunicação ganham ainda mais responsabilidade na cobertura dos debates finais, na checagem de falas e na exposição de propostas, num ambiente em que um ponto percentual pode decidir o pleito.
No mercado, a leitura é pragmática. Analistas acompanham a oscilação diária das pesquisas para ajustar expectativas sobre câmbio, juros e agenda de reformas. A perspectiva de vitória de Lula contra nomes de centro-direita, somada ao empate com Flávio Bolsonaro, mantém em aberto cenários distintos de política econômica, regulatória e ambiental.
Os indecisos e os eleitores de candidatos sem dois dígitos se transformam em alvo prioritário. Sem espaço para erros, as campanhas intensificam agendas de rua, inserções na TV e ofensivas digitais. A mobilização de bases fiéis, sobretudo nas periferias urbanas e no interior conservador, deve ser decisiva para definir quem chega ao Planalto em 2026.
Até o fechamento das urnas, o quadro pode sofrer novas inflexões. A AtlasIntel registra a fotografia de um país partido ao meio, em que um punhado de votos decide o rumo da política nacional pelos próximos quatro anos.
O que diz a nova pesquisa AtlasIntel para presidente em 2026?
A nova pesquisa AtlasIntel para a Presidência em 2026, com 5.005 eleitores e margem de erro de 1 ponto percentual, mostra Lula com cerca de 45,3% no primeiro turno, Flávio Bolsonaro com 42,2% e empate técnico no segundo turno, com vantagem numérica mínima de 0,1 ponto para o senador, dentro da margem.
Como está a aprovação do terceiro governo Lula na AtlasIntel?
A avaliação do terceiro governo Lula na pesquisa AtlasIntel divulgada hoje indica que 53,6% dos entrevistados desaprovam a gestão e 45,2% aprovam, num cenário de polarização intensa e disputa apertada pela Presidência, no qual o desempenho do governo tende a influenciar diretamente o comportamento do eleitorado.
Qual o impacto do empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro?
O empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com diferença de apenas 0,1 ponto percentual dentro da margem de erro de 1 ponto, torna decisivas as ações de reta final, como mobilização de militâncias, disputa de indecisos, controle de abstenção e narrativas nos meios de comunicação e redes sociais até o dia da votação.