O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou o soldado da Polícia Militar Vinicius Costa da Silva, de 26 anos, pelo feminicídio da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29. A técnica em radiologia foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro da casa onde o casal vivia, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
A denúncia foi apresentada na segunda-feira (28) e representa um novo avanço no caso, que começou sendo registrado como morte suspeita. Vinicius está preso desde 7 de setembro, um dia após a morte de Larissa.
O policial sustentou desde o início que a esposa teria tirado a própria vida. A investigação, porém, reuniu elementos periciais que levaram a Polícia Civil a considerar também a hipótese de feminicídio. Agora, o Ministério Público atribui formalmente o crime ao soldado. A denúncia ainda precisa passar pela análise da Justiça.
Caso Larissa: investigação tenta esclarecer morte de técnica em radiologia em SP
Laudo identificou 17 lesões no corpo de Larissa
Um dos elementos incorporados à investigação é o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML). O exame identificou ao menos 17 lesões no corpo de Larissa, entre elas hematomas nas mãos e nas pernas, além de escoriações na região cervical e no joelho esquerdo.
O documento não estabelece quando todas essas lesões foram produzidas. Por isso, os achados precisam ser analisados em conjunto com os demais elementos reunidos no inquérito.
A perícia também determinou a trajetória do disparo que provocou a morte. Segundo o laudo, o projétil entrou pela região posterior da cabeça, acima da orelha esquerda, seguindo de trás para frente e da esquerda para a direita até sair pela região da têmpora direita.
Fios de cabelo soltos também foram encontrados presos à calça da vítima. Material das unhas de Larissa foi coletado para possível análise complementar.
Policial está preso desde o dia seguinte à morte
Larissa foi encontrada morta no dia 6 de setembro. A arma funcional de Vinicius estava sob o corpo da vítima quando o atendimento chegou ao local.
O soldado afirmou aos policiais que a esposa havia cometido suicídio. O caso, porém, foi registrado inicialmente como morte suspeita diante da necessidade de esclarecer a dinâmica do disparo.
No dia seguinte, Vinicius foi preso durante o velório de Larissa após a Justiça autorizar a prisão temporária. A Polícia Civil havia identificado elementos periciais que, segundo a investigação, divergiam da versão apresentada inicialmente pelo policial.
Ele foi posteriormente encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte da capital paulista, onde permanece preso.
Irmã do policial também passou a ser investigada
A investigação avançou também sobre as circunstâncias que antecederam a morte. No dia 10 de setembro, cinco testemunhas, incluindo familiares de Larissa, foram ouvidas pela Polícia Civil.
Thamires Costa Mathias, irmã de Vinicius, também passou a ser investigada. Ela tinha 19 anos e estava na residência do casal quando ocorreu o disparo, segundo o boletim de ocorrência.
A Polícia Civil cumpriu mandado de busca e apreensão relacionado a Thamires. Ela posteriormente compareceu à delegacia acompanhada de advogado e entregou o celular às autoridades.
Segundo o relato apresentado à polícia, Thamires estava na residência para cuidar do sobrinho, filho de Larissa e Vinicius.
Defesa sustenta versão de suicídio
A defesa de Vinicius contesta a hipótese de feminicídio e sustenta que Larissa teria cometido suicídio. Os advogados afirmaram anteriormente que o casal havia encerrado o relacionamento no dia da morte, mas negaram histórico de violência.
A defesa também informou que apresentaria mensagens e outros materiais atribuídos a Larissa para sustentar sua versão sobre as circunstâncias da morte.
Familiares da técnica em radiologia contestam essa narrativa e afirmaram publicamente não acreditar que Larissa tenha tirado a própria vida.
Até a publicação da reportagem que revelou a denúncia nesta quarta-feira (30), a defesa do soldado ainda não havia apresentado uma nova manifestação específica sobre a acusação formal do Ministério Público.
Próximos passos
Com a apresentação da denúncia pelo MPSP, caberá à Justiça analisar a acusação. Caso seja recebida, Vinicius passa da condição de investigado para réu em uma ação penal por feminicídio.
A denúncia representa a acusação apresentada pelo Ministério Público e não equivale a uma condenação. A responsabilidade criminal será definida no decorrer do processo, com análise das provas e garantia do direito de defesa.