A disputa pelo Planalto entra na reta final com o país dividido ao meio. Pesquisas recentes apontam empate técnico entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no cenário nacional, enquanto o Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país, se inclina hoje para o candidato bolsonarista.
Os levantamentos realizados nesta semana medem o humor do eleitorado às vésperas do primeiro turno e ajudam a redesenhar as últimas 48 horas de campanha. Nenhum dos dois favoritos abre vantagem fora da margem de erro, o que mantém em aberto o resultado tanto do primeiro quanto de um eventual segundo turno.
Retrato nacional: corrida cabeça a cabeça
O Datafolha encerra hoje uma nova rodada de entrevistas sobre intenção de voto para presidente, feita entre 28 de setembro e 1º de outubro, com 2.506 eleitores e margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-08039/2026 e tem divulgação prevista até o fim da semana.
Na pesquisa anterior, divulgada no dia 24, Lula aparecia com 40% das intenções de voto no primeiro turno, contra 36% de Flávio Bolsonaro. A diferença de 4 pontos ficava dentro da margem de erro. Em um eventual segundo turno, os dois já apareciam tecnicamente empatados: 47% para Lula, 45% para o senador.
Em nota oficial, o instituto reforça que os números não funcionam como aposta sobre o resultado das urnas. “Os dados de levantamentos eleitorais não devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições. Eles servem de termômetro para a opinião de eleitores no momento em que a pesquisa é feita”, afirma o Datafolha.
O instituto prepara ainda uma transmissão ao vivo para comentar os dados, com a diretora Luciana Chong, a colunista Mônica Bergamo e o diretor da sucursal de Brasília, Bruno Boghossian. A leitura fina dos resultados deve orientar as mensagens da campanha até o limite legal para atos públicos e propaganda.
Último fôlego antes da urna
O PoderData também entra em campo nesta reta final. O instituto programa para o sábado, véspera do primeiro turno, a divulgação de sua última pesquisa presidencial antes da votação. O levantamento em andamento entrevista 4.000 eleitores entre hoje e sexta-feira, com margem de erro de 2 pontos percentuais.
A rodada mais recente, divulgada no dia 24, já mostrava o cenário travado. No primeiro turno, Lula liderava numericamente, com 41%, contra 39% de Flávio Bolsonaro. A diferença, novamente, ficava dentro da margem de erro, configurando empate técnico. Na simulação de segundo turno, o quadro se invertia, ainda sem vantagem clara: 46% para Flávio, 45% para Lula.
Os dois principais candidatos leem esses números como sinal de que cada voto se torna decisivo. As campanhas investem num esforço milimétrico para reduzir abstenção entre seus eleitores cativos e disputar indecisos em segmentos específicos, como mulheres de baixa renda, trabalhadores de serviços e evangélicos urbanos.
A tensão se reflete também em Brasília e no mercado financeiro. Aliados do governo temem um Congresso ainda mais refratário a pautas sociais se Flávio Bolsonaro ganhar fôlego na reta final. Investidores acompanham os números com atenção, à espera de sinais sobre a política econômica que emergirá das urnas.
Rio de Janeiro pende para Flávio Bolsonaro
No tabuleiro regional, o Rio de Janeiro ganha peso especial. Pesquisa Quaest focada no estado, divulgada nesta semana, indica vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula entre os eleitores fluminenses. O levantamento ouviu 1.302 pessoas entre 25 e 28 de setembro, com margem de erro de 3 pontos percentuais, e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo RJ-04419/2026.
No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio aparece com 38% das intenções de voto, contra 31% de Lula. O registro da pesquisa resume o quadro: “Flávio Bolsonaro aparece com 38% das intenções de voto, contra 31% de Lula no Rio de Janeiro.” Outros candidatos somam percentuais menores, enquanto 11% dos entrevistados ainda se declaram indecisos.
Na simulação de segundo turno entre os dois, a vantagem bolsonarista se amplia no estado. Flávio chega a 44% das intenções de voto, contra 34% de Lula. Brancos, nulos e eleitores que dizem não votar somam 15%, e 7% ainda não sabem em quem votariam.
As variações em relação à rodada anterior da Quaest permanecem dentro da margem de erro, sugerindo estabilidade da liderança de Flávio no Rio. O dado reforça o simbolismo do estado, berço político do bolsonarismo e palco de disputas decisivas para a formação de maiorias no Congresso.
Polarização, risco democrático e cenário global
O quadro de empate técnico nacional, somado à vantagem regional de Flávio no Rio, alimenta a percepção de uma eleição plebiscitária. Mais do que programas de governo, a campanha gira em torno de identidades políticas e memórias recentes de crise institucional.
Analistas apontam que a disputa não se encerra no rito das urnas. A leitura do resultado, a reação dos perdedores e a capacidade de acomodar forças no Congresso devem testar, novamente, a resiliência das instituições. Em análise recente, um texto de circulação entre políticos e acadêmicos resume o clima: “A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.”
A combinação entre polarização interna e ambiente internacional tenso amplia a responsabilidade do próximo governo em temas como política externa, segurança pública e redes sociais. Investidores estrangeiros e governos parceiros monitoram a campanha brasileira como parte de um tabuleiro maior, em que a ascensão de líderes nacionalistas e autoritários altera alianças e rotas comerciais.
A poucos dias da votação, a única certeza é a incerteza. As pesquisas convergem para um cenário em que qualquer deslize, qualquer fala mal calculada ou qualquer fato novo pode deslocar pontos cruciais da intenção de voto. O termômetro dos institutos ainda muda, mas o relógio eleitoral corre mais rápido do que nunca.
As pesquisas já definem quem vai vencer a eleição?
As pesquisas eleitorais com 2.506 a 4.000 entrevistas, margem de erro entre 2 e 3 pontos percentuais, não definem quem vai vencer a eleição, porque medem o humor do eleitor apenas no momento da coleta, podem oscilar até o dia da votação e não substituem o resultado oficial das urnas.
Qual é o peso do Rio de Janeiro na disputa presidencial de 2026?
O Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do país e palco de pesquisa Quaest com 1.302 eleitores, tem peso decisivo na disputa presidencial de 2026 porque concentra milhões de votos, hoje majoritariamente alinhados a Flávio Bolsonaro, e pode influenciar tanto a diferença nacional quanto a composição do futuro Congresso.