O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a atacar Luiz Inácio Lula da Silva e reforçou seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil. Em entrevista à revista francesa Le Point, o argentino chamou Lula de “ladrão” e retomou acusações contra o governo brasileiro.
As declarações aprofundam uma sequência de confrontos entre Milei e Lula em pleno período eleitoral brasileiro. O presidente argentino já participou da convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio e afirmou publicamente que considera o senador seu aliado político.
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Milei volta a atacar Lula
Na entrevista, Milei retomou críticas pessoais ao presidente brasileiro e voltou a questionar o processo que permitiu a Lula recuperar os direitos políticos antes da eleição presidencial de 2022.
O argentino chamou Lula de “ladrão” e associou a trajetória judicial do petista à atuação de magistrados brasileiros. As declarações representam a avaliação de Milei e não vieram acompanhadas de novas evidências que sustentem as acusações feitas contra o presidente brasileiro.
Lula foi condenado em processos da Operação Lava Jato, mas as condenações foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal em 2021. A decisão considerou que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos. Com a anulação, Lula recuperou os direitos políticos. Posteriormente, o STF também confirmou a parcialidade do então juiz Sergio Moro em um dos processos.
Os ataques de Milei não são inéditos. Em agosto, o presidente argentino já havia chamado Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário”, elevando a tensão entre Brasília e Buenos Aires.

Milei reforça apoio a Flávio Bolsonaro
Ao falar sobre a eleição brasileira, Milei voltou a manifestar apoio a Flávio Bolsonaro.
A aproximação entre os dois ganhou força ao longo de 2026. Em junho, Flávio foi recebido por Milei em Buenos Aires. No mês seguinte, o presidente argentino veio ao Brasil para participar da convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura do senador ao Palácio do Planalto.
Na ocasião, Milei declarou que Flávio era, em sua avaliação, o único candidato capaz de derrotar Lula.
A afirmação representa uma posição política do presidente argentino. As pesquisas eleitorais divulgadas na reta final do primeiro turno mostram uma disputa apertada entre Lula e Flávio, mas não permitem concluir antecipadamente quem vencerá a eleição.
O primeiro turno das eleições brasileiras está marcado para domingo, 4 de outubro.

Milei acusa brasileiros de interferência na Argentina
Outro ponto da entrevista envolve a eleição argentina de 2023. Milei voltou a acusar brasileiros de terem atuado politicamente contra sua candidatura durante a disputa vencida por ele contra Sergio Massa.
O presidente argentino associou profissionais brasileiros à estratégia eleitoral de seu adversário e afirmou que pessoas teriam sido enviadas para interferir no processo político argentino.
Profissionais brasileiros de comunicação efetivamente trabalharam na campanha de Massa em 2023. Esse fato, porém, não comprova as acusações mais amplas feitas por Milei sobre uma operação comandada pelo governo Lula para interferir na eleição argentina.
O presidente argentino já havia feito acusações semelhantes anteriormente, inclusive afirmando que Lula teria financiado ações contra sua candidatura. Até o momento, não foram apresentadas provas públicas que confirmem essas alegações.
Argentina ampliou hipóteses para expulsão de estrangeiros
As declarações também ocorrem depois de o governo Milei endurecer regras migratórias.
O Decreto de Necessidade e Urgência 681/2026, publicado em 30 de julho, modificou a Lei de Migrações argentina e passou a prever impedimento de entrada e possibilidade de expulsão de estrangeiros que tenham dirigido mensagens de ódio ou incitado violência contra argentinos em razão da nacionalidade, além de casos envolvendo ultraje aos símbolos nacionais.
O texto do decreto estabelece, entretanto, uma ressalva expressa: divergências ideológicas e críticas políticas, acadêmicas ou feitas por cidadãos no exercício legítimo de direitos constitucionais não podem ser enquadradas nessas hipóteses.
Por isso, a norma não estabelece genericamente a expulsão de estrangeiros classificados pelo governo como “agitadores políticos”, como sugerem algumas interpretações da medida.
Relação entre Brasil e Argentina atravessa período de tensão
As declarações de Milei se somam a uma série de episódios que deterioraram a relação política entre os dois governos em 2026.
Depois dos ataques feitos pelo argentino durante sua passagem pelo Brasil em julho, o governo brasileiro convocou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas em Brasília.
O governo argentino, por outro lado, afirmou que as divergências políticas não deveriam provocar rompimento das relações diplomáticas.
Apesar dos atritos entre Lula e Milei, Brasil e Argentina mantêm uma relação econômica estratégica e integram o Mercosul. Até agora, as divergências políticas não resultaram em ruptura formal das relações entre os dois países.
Com o primeiro turno da eleição brasileira marcado para domingo, as novas declarações de Milei acrescentam outro episódio à aproximação pública do presidente argentino com a candidatura de Flávio Bolsonaro e ao confronto político mantido com Lula.