Goldman Sachs discute John Waldron como sucessor de David Solomon no comando do banco

John Waldron deve assumir a liderança global da Goldman Sachs em 2026, sucedendo David Solomon em uma transição planejada.
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

O conselho de administração do Goldman Sachs discute um plano de sucessão que pode levar John Waldron, atual presidente e diretor de operações (COO), ao comando de um dos maiores bancos de investimento do mundo. A possibilidade é que ele substitua David Solomon como CEO no fim de 2027 ou no início de 2028.

A mudança, porém, ainda não está definida. Após a divulgação das discussões internas, o Goldman Sachs afirmou que não existe um cronograma definitivo para Solomon deixar o cargo. O executivo permanece como chairman e CEO, enquanto Waldron segue como presidente e COO.

LEIA TAMBÉM

Wall Street cai com inflação nos EUA e temor de alta dos juros pelo Fed

Waldron aparece no centro do plano de sucessão

As discussões do conselho foram reveladas pelo Wall Street Journal, que ouviu pessoas familiarizadas com o processo. De acordo com a publicação, Waldron pode assumir o posto de CEO por volta do fim de 2027 ou no início de 2028.

Nesse desenho, Solomon poderia permanecer como presidente executivo do conselho por mais um ou dois anos depois de deixar a função de CEO.

O plano ainda depende de decisões do conselho e pode sofrer alterações. Por isso, Waldron deve ser tratado neste momento como o principal nome discutido para a sucessão, e não como CEO já escolhido formalmente.

Solomon comanda o Goldman Sachs desde outubro de 2018. Waldron assumiu no mesmo ano as funções de presidente e COO e, desde então, ocupa a segunda posição executiva mais importante da instituição.

Goldman pagou US$ 80 milhões para reter Waldron

A importância de Waldron dentro do banco ficou ainda mais evidente em 2025.

Naquele ano, o Goldman Sachs concedeu a ele um pacote de retenção avaliado em US$ 80 milhões em ações restritas. David Solomon recebeu uma premiação do mesmo valor.

De acordo com documentos apresentados pelo banco aos reguladores americanos, os papéis têm prazo de cinco anos para aquisição definitiva dos direitos.

O Goldman explicou que os pacotes tinham como objetivos preservar a estabilidade da alta liderança, manter a execução das prioridades estratégicas e fortalecer o planejamento de sucessão.

A concessão ocorreu depois de Waldron receber abordagens de outras empresas do setor financeiro. Entre as companhias que buscaram o executivo estava a Apollo Global Management.

Waldron entrou para o conselho em 2025

Outro movimento ampliou o espaço do executivo na estrutura de comando.

Em fevereiro de 2025, Waldron foi nomeado integrante do conselho de administração do Goldman Sachs. Ele permanece como membro não independente e não participa dos comitês do board.

Na ocasião, Solomon afirmou que a experiência de Waldron com os negócios, clientes e prioridades de execução da instituição acrescentaria uma perspectiva importante às decisões do conselho.

A posição consolidou uma trajetória de mais de 25 anos dentro do Goldman Sachs.

Quem é John Waldron

John Waldron tem 57 anos e entrou no Goldman Sachs em 2000.

Antes de chegar aos atuais cargos de presidente e COO, ocupou diferentes funções ligadas ao banco de investimento. Foi co-chefe de Leveraged Finance, co-chefe global do Financial Sponsors Group, chefe global de Investment Banking Services e, posteriormente, co-chefe da divisão de Investment Banking.

Em outubro de 2018, passou a exercer as funções de presidente e COO.

Waldron é formado em Inglês pelo Middlebury College, onde concluiu a graduação em 1992. Atualmente, além das funções executivas, integra diferentes organizações e conselhos ligados aos mercados financeiros e ao ambiente empresarial internacional.

No Goldman Sachs, ele também atua como copresidente do Firmwide Enterprise Risk Committee, estrutura responsável por discussões relacionadas ao gerenciamento de riscos da instituição.

Denis Coleman absorve novas responsabilidades

A preparação da estrutura de liderança também envolve Denis Coleman, atual diretor financeiro do Goldman Sachs.

Ao longo dos últimos anos, Coleman passou a supervisionar novas áreas. Documentos do próprio banco mostram que ele assumiu em 2025 a supervisão de Human Capital Management e Corporate & Workplace Solutions, além de participar de mudanças nas plataformas operacionais e tecnológicas.

Reportagens sobre o processo de sucessão apontam que parte das responsabilidades operacionais anteriormente concentradas em Waldron está sendo transferida para Coleman.

Uma eventual promoção de Waldron também poderá provocar mudanças entre outros executivos da instituição.

Entre os principais integrantes da atual cúpula estão Dan Dees, Ashok Varadhan e Marc Nachmann. Os três fazem parte do Management Committee do Goldman Sachs e comandam áreas relevantes dos negócios globais do banco.

Goldman diz que transição ainda não tem data

Apesar das discussões do conselho, o Goldman Sachs buscou reduzir a percepção de que a troca de comando já está marcada.

A instituição afirmou que não existe um cronograma definitivo para David Solomon deixar a posição de CEO.

Isso significa que as datas de fim de 2027 e início de 2028 representam o período discutido internamente e divulgado pela imprensa, mas não constituem um anúncio oficial do banco.

Por enquanto, Solomon continua como chairman e CEO, Waldron permanece como presidente e COO e Coleman segue como CFO.

Os próximos movimentos do conselho devem indicar se o desenho discutido será formalizado e quando o Goldman Sachs pretende iniciar oficialmente a transição no comando.

Carregar Comentários