Wall Street fechou em queda nesta quinta-feira (10) depois que novos dados de inflação dos Estados Unidos reforçaram a preocupação de que o Federal Reserve (Fed) possa voltar a elevar os juros já na próxima semana. O movimento atingiu os três principais índices acionários americanos.
O Índice de Preços ao Produtor (PPI) avançou 0,4% em agosto, após alta revisada de 0,1% em julho. Em 12 meses, a inflação ao produtor acelerou de 4,8% para 5,4%. O resultado mensal ficou em linha com as expectativas, mas detalhes do relatório mostraram pressões persistentes sobre os preços.
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Entenda o que aconteceu
Os dados divulgados pelo Departamento do Trabalho americano mostraram que os custos de energia tiveram papel importante na alta dos preços. O segmento avançou 4,2% no mês, enquanto o diesel disparou 24,1%. Passagens aéreas também subiram 4,2%.
A inflação persistente é importante porque pode influenciar diretamente a decisão do Fed. O banco central tenta levar a inflação de volta à meta de 2%, utilizando os juros como uma das principais ferramentas para controlar a demanda na economia.
Mercado aumenta aposta em alta dos juros
Depois da divulgação do PPI, operadores passaram a atribuir aproximadamente 70% de probabilidade a uma alta de pelo menos 0,25 ponto percentual na reunião do Fed marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Antes dos números desta quinta, essa possibilidade estava na faixa de 62% a 65%.
Atualmente, a taxa básica americana está no intervalo de 3,50% a 3,75%. O mercado também acompanha o comportamento dos títulos do Tesouro americano, cujos rendimentos avançaram diante das expectativas de juros mais altos.
Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq recuam
O movimento de aversão ao risco levou os principais índices de Wall Street para o campo negativo. No fechamento, o S&P 500 caiu 0,58%, aos 7.591,75 pontos, enquanto o Nasdaq recuou 0,65%, para 26.081,73 pontos. O Dow Jones perdeu 0,60%, aos 52.064,10 pontos.
As ações de tecnologia estiveram entre as pressionadas. A Nvidia perdeu 2,3% e a Micron Technology caiu 4,7%. Na direção contrária, a Apple avançou 3,6%.
Petróleo acima de US$ 100 aumenta pressão
O cenário ficou ainda mais delicado com a disparada do petróleo. O Brent chegou a superar US$ 100 por barril, pressionado pelas tensões no Oriente Médio e pelas interrupções nas rotas de abastecimento.
A alta da energia pode alimentar a inflação porque aumenta custos de transporte, produção e logística. Para investidores, isso amplia o risco de os bancos centrais precisarem manter uma política monetária mais restritiva.
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Próximo dado pode definir expectativa para o Fed
Agora, a atenção se volta para o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto, previsto para esta sexta-feira (11). O calendário oficial do governo americano confirma a divulgação às 8h30 no horário do leste dos Estados Unidos.
O CPI poderá ajudar a esclarecer se a pressão inflacionária observada nos preços ao produtor também está chegando com força aos consumidores. Analistas destacam que esse resultado pode alterar significativamente as expectativas para a reunião do Fed.
Entenda o contexto
Juros mais altos costumam pressionar o mercado acionário porque aumentam o custo de financiamento das empresas e tornam investimentos de renda fixa relativamente mais atraentes. Empresas de tecnologia e crescimento, cujas avaliações dependem mais de lucros futuros, podem ser particularmente sensíveis ao aumento dos rendimentos dos títulos.
A decisão do Fed, portanto, tornou-se o principal evento no horizonte imediato de Wall Street. O PPI manteve aberta a possibilidade de uma alta dos juros, mas o CPI desta sexta-feira poderá ser decisivo para determinar como o mercado chegará à reunião de 15 e 16 de setembro.
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