A abstenção pode ter impacto relevante no resultado do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para este domingo (4). A avaliação é de Felipe Nunes, diretor da Quaest, que chama atenção para a diferença entre declarar intenção de voto em uma pesquisa e efetivamente comparecer às urnas.
Na reta final da disputa presidencial, o instituto passou a considerar também um modelo de “eleitor provável”, conhecido como likely voter. A metodologia busca estimar a probabilidade de comparecimento dos entrevistados e avaliar como a abstenção pode alterar o retrato apresentado pelas pesquisas.
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Abstenção entra no cálculo da reta final
O ponto destacado por Nunes é que uma pesquisa tradicional registra a preferência declarada pelo entrevistado, mas nem todos aqueles que indicam um candidato necessariamente irão votar.
Por isso, em uma disputa com diferenças estreitas entre candidaturas, a composição do grupo que efetivamente comparece às urnas pode alterar a distribuição dos votos válidos em relação à intenção de voto registrada previamente.

O que é o “eleitor provável”
O modelo de likely voter tenta estimar quais entrevistados apresentam maior probabilidade de comparecer à votação. Em vez de considerar apenas em quem a pessoa pretende votar, a metodologia acrescenta informações relacionadas à possibilidade de participação efetiva no pleito.
A proposta é produzir um recorte adicional da pesquisa, especialmente próximo ao dia da eleição, quando a decisão de comparecer ou não às urnas passa a ter maior importância para a interpretação dos levantamentos.
Intenção de voto e comparecimento são medidas diferentes
Os números de intenção de voto não devem ser interpretados como uma previsão exata do resultado das urnas. Além da margem de erro dos levantamentos, o resultado depende de quais eleitores efetivamente participam da votação.
Isso significa que dois grupos com percentuais semelhantes de intenção de voto podem apresentar níveis diferentes de comparecimento. Nesse cenário, a abstenção pode modificar a composição do eleitorado que efetivamente deposita votos válidos.
Não é possível antecipar quem seria mais afetado
O impacto da abstenção depende de quais segmentos do eleitorado deixam de comparecer. Por isso, não é possível concluir apenas pelo percentual geral de ausência qual candidatura seria beneficiada ou prejudicada.
Outros especialistas ouvidos durante a campanha também ressaltaram essa incerteza. O cientista político Jairo Nicolau, por exemplo, afirmou que diferentes características demográficas podem produzir efeitos em sentidos distintos e que a distribuição da abstenção só poderá ser conhecida com precisão depois da eleição.
Quaest divulga pesquisa na véspera da votação
A discussão ganha relevância porque a Quaest divulga neste sábado (3) seu último levantamento presidencial antes do primeiro turno. A pesquisa foi realizada entre os dias 2 e 3 de outubro e ouviu 3.702 eleitores.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-02197/2026. Nesta rodada, a Quaest utiliza a ponderação pelo modelo de eleitor provável como um recorte para analisar o possível comparecimento às urnas.
Primeiro turno acontece neste domingo
O primeiro turno das Eleições 2026 será realizado neste domingo (4). O resultado dependerá exclusivamente dos votos efetivamente registrados nas urnas, e as pesquisas representam o cenário observado entre os entrevistados durante o período de coleta.
O comportamento da abstenção poderá ser analisado após o encerramento da votação, quando a Justiça Eleitoral divulgar os dados oficiais de comparecimento em todo o país.