O Brasil decide hoje quem será o próximo presidente da República em uma eleição que pode terminar já no primeiro turno ou seguir para um embate decisivo em 25 de outubro. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) travam a disputa central, cercados por candidaturas menores que ainda podem definir se haverá ou não segunda rodada.
Disputa apertada e aposta no voto útil
As urnas eletrônicas recebem votos desde as 8h, no horário de Brasília, em todo o país, e seguem funcionando até as 17h. Para vencer hoje, qualquer candidato precisa obter mais de 50% dos votos válidos, excluídos brancos e nulos. Caso ninguém alcance essa marca, os dois mais votados voltam a se enfrentar no fim do mês.
Pesquisas divulgadas na reta final mostram Lula com 45% dos votos válidos e Flávio Bolsonaro com 40%. Juntos, os dois concentram 85% das intenções. Os demais concorrentes – Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) – somam cerca de 15 pontos. Há ainda 8% de eleitores indecisos na sondagem agregada mais recente, que aponta 42% para Lula e 39% para Flávio.
O quadro numérico mantém o segundo turno como desfecho mais provável, mas alimenta a hipótese de decisão antecipada se parte dos eleitores indecisos e dos candidatos menores migrar em massa para um dos polos. Esse movimento é o chamado voto útil, quando o eleitor abre mão do candidato preferido para tentar impedir a vitória de quem rejeita.
Lula tenta transformar essa dinâmica em fôlego final. “Eu sinceramente acho que vou ganhar as eleições em primeiro turno. Acho que as eleições vão ser definidas domingo”, afirma o presidente. Ele insiste que a escolha está polarizada e que os eleitores devem decidir entre continuidade de seu governo e retorno ao campo bolsonarista.
Flávio Bolsonaro reage com o mesmo tom de confiança. “Eu não vou perder essa eleição. Eu digo mais, vou ganhar no primeiro turno”, diz o senador, que pede “voto de revolta” a quem quer derrotar Lula. Em transmissões ao vivo, ele tenta captar justamente os eleitores que hoje se distribuem entre Cury, Caiado, Renan e Zema.
O peso dos candidatos menores e do ‘antipetismo de chegada’
Nos bastidores das campanhas, a conta é simples e cruel. Com 85% dos votos válidos concentrados em Lula e Flávio, restam 15 pontos espalhados entre adversários sem chances reais de chegar ao segundo turno. Lula precisa conquistar cerca de um terço desse estoque para superar os 50%; Flávio, algo em torno de dois terços.
O cientista político Hilton Fernandes observa que esse processo já ganha corpo na última semana antes da votação. “Na última semana, os dois principais candidatos somaram dois pontos percentuais cada em suas intenções, depois de um longo período de estabilidade, ao mesmo tempo em que os demais candidatos foram perdendo eleitores”, afirma. Para ele, o cenário ainda aponta mais para a realização do segundo turno, mas não descarta a possibilidade de uma guinada surpresa na reta final.
A analista política Cila Schulman enxerga um componente adicional que pode favorecer Flávio numa decisão antecipada. “Temos esse fenômeno que chamo de ‘antipetismo de chegada’, que é quando esse eleitor, que está indeciso ou que está num desses candidatos que a gente chama de terceira via, migra para o candidato que ele julga ser mais forte para vencer o Lula”, diz. Nessa lógica, o voto útil acabaria inflando o candidato do PL se o humor anti-PT ganhar força nas últimas horas.
Para a cientista política Luciana Santana, o desfecho em turno único é improvável, mas possível, e vale para os dois principais campos. “Apesar de não ser tão provável, não é impossível que aconteça agora uma definição da eleição”, afirma. Ela lembra que Cury, Caiado e Zema ocupam espaços ideológicos parecidos com Lula ou Flávio e podem ver parte de seus eleitores migrar diante da percepção de que não têm chances.
Abstenção, rejeição alta e impacto imediato no país
O comportamento de quem decide não comparecer às urnas também entra na conta. Quanto maior a soma de abstenções, votos brancos e nulos, menor será o universo de votos válidos e, portanto, mais fácil matematicamente para alguém romper a barreira dos 50%. Especialistas calculam que, se o não-voto rondar a faixa de 31% a 32%, a chance de definição ainda hoje aumenta de forma sensível.
Lula e Flávio carregam níveis altos de rejeição, o que leva parte do eleitorado a escolher “o menos pior”. Essa rejeição cruzada ajuda a consolidar a polarização, mas também limita o potencial de crescimento de ambos, especialmente entre os indecisos. É nesse grupo, mais os simpatizantes dos candidatos menores, que se trava a disputa silenciosa deste domingo.
Uma vitória em primeiro turno teria efeito imediato sobre a política e a economia. O candidato eleito conquistaria demonstração clara de força e maior previsibilidade para montar base de apoio no Congresso. Partidos alinhados a esse campo passariam a negociar cargos e prioridades já a partir desta semana, com horizonte definido.
O mercado financeiro costuma reagir rapidamente. A confirmação de um nome ainda hoje tende a reduzir incertezas e a influenciar o preço do dólar, dos juros futuros e das ações de empresas sensíveis ao cenário político. A ausência de segundo turno encurtaria o período de discursos mais agressivos e promessas maximalistas, abrindo espaço para conversas de transição e negociação orçamentária.
Se a eleição seguir para 25 de outubro, o país entra em três semanas de campanha ainda mais tensa. As frentes hoje divididas entre Cury, Caiado, Renan e Zema terão de escolher lado, e acordos regionais para governos estaduais podem pesar nessas decisões. O tempo extra dará nova chance a quem aposta na virada e quer ampliar o leque de alianças.
Os próximos passos dependem da velocidade da apuração. Com a votação encerrada às 17h, a expectativa é que, poucas horas depois, o Tribunal Superior Eleitoral já indique se a eleição termina hoje ou se Lula e Flávio voltam ao confronto em 25 de outubro. A resposta vai orientar, a partir desta noite, o rumo da política e da economia brasileiras pelos próximos quatro anos.
Quantos porcentos precisa para ganhar no primeiro turno?
Para ganhar no primeiro turno, o candidato à Presidência precisa obter mais de 50% dos votos válidos, isto é, das cédulas efetivamente atribuídas a algum nome, excluídos votos brancos e nulos, independentemente do número de eleitores que deixem de comparecer às urnas.
Vai ter segundo turno na eleição presidencial de 2026?
O segundo turno da eleição presidencial de 2026 só acontece se nenhum candidato ultrapassar hoje 50% dos votos válidos; nesse caso, os dois mais votados voltam às urnas para um novo confronto nacional já marcado para 25 de outubro, repetindo a votação em todo o país.
Quando é o segundo turno das eleições de 2026?
O segundo turno das eleições de 2026 para presidente e governadores está marcado para 25 de outubro, um domingo, com votação novamente das 8h às 17h, no horário de Brasília, nos mesmos locais destinados ao primeiro turno em cada cidade brasileira.
Quantos por cento o presidente do Brasil precisa para não ter segundo turno?
O presidente do Brasil, seja candidato à reeleição ou não, precisa superar 50% dos votos válidos para evitar o segundo turno, o que significa alcançar a metade mais um dos votos dados a candidatos, sem contar os votos brancos e nulos registrados nas urnas.