O Ibovespa ainda pode avançar mais de 30% nos próximos meses caso o Brasil passe por uma mudança na condução econômica acompanhada de um ajuste fiscal mais profundo. A avaliação é do banco suíço UBS, que passou a considerar esse cenário como sua principal hipótese após o primeiro turno das Eleições 2026.
A projeção foi divulgada no mesmo dia em que a Bolsa brasileira ultrapassou pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. Nesta segunda-feira (5), o mercado reagiu ao resultado das urnas e às novas expectativas para o cenário político e fiscal a partir de 2027.
Para o UBS, o desempenho de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, aliado à nova composição do Congresso, aumentou a possibilidade de implementação de medidas mais duras para equilibrar as contas públicas. A análise representa uma avaliação do banco e está condicionada tanto ao resultado do segundo turno quanto às políticas que efetivamente forem adotadas pelo próximo governo.
Ibovespa dispara quase 8% e supera 207 mil pontos após Flávio ficar à frente de Lula
UBS vê potencial de alta superior a 30% para o Ibovespa
Em relatório enviado a clientes, o UBS afirmou que o cenário classificado pelo banco como de “ajuste fiscal profundo” passou a ser sua hipótese-base depois do primeiro turno.
Na avaliação dos analistas, uma combinação de mudança na Presidência e nova composição do Congresso aumentaria a possibilidade de adoção de uma âncora fiscal considerada crível pelo mercado.
Entre as medidas consideradas nesse cenário estão uma regra mais rígida para os gastos públicos, mudanças nas despesas obrigatórias e uma trajetória de resultado primário capaz de reduzir as preocupações dos investidores com as contas públicas.
A concretização desse cenário, porém, não está garantida. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno em 25 de outubro, e as propostas econômicas apresentadas durante as próximas semanas deverão continuar influenciando os preços dos ativos.
Ibovespa poderia negociar em múltiplo maior
O UBS calcula que uma melhora significativa das expectativas poderia fazer o Ibovespa passar a ser negociado em um patamar equivalente a até 11,8 vezes os lucros projetados para as empresas nos 24 meses seguintes.
Atualmente, segundo os cálculos apresentados pelo banco, esse múltiplo vinha sendo negociado em média a 8,7 vezes. A média histórica indicada pelo UBS é de 9,7 vezes.
Com uma eventual redução dos juros reais e melhora das expectativas para os resultados das empresas, essa reprecificação poderia resultar em valorização superior a 30% para o índice.
A projeção não representa garantia de desempenho. O comportamento da Bolsa depende de fatores como resultado eleitoral, política fiscal, trajetória dos juros, inflação, atividade econômica, cenário internacional e desempenho das empresas.
Bancos, varejo e construção podem ser beneficiados
O banco suíço também apontou os setores que poderiam responder de maneira mais intensa a uma eventual mudança no cenário econômico.
Entre eles estão bancos, varejistas, construtoras, empresas de energia e saneamento, educação, saúde e companhias de menor valor de mercado, conhecidas como small caps.
Esses segmentos tendem a ser mais sensíveis às condições domésticas de crédito e juros. Uma redução das taxas reais pode diminuir custos financeiros e favorecer investimentos e consumo.
Bolsa supera 200 mil pontos após primeiro turno
A projeção do UBS foi divulgada em meio a uma forte valorização dos ativos brasileiros.
O Ibovespa ultrapassou os 200 mil pontos pela primeira vez nesta segunda-feira, primeiro pregão depois da votação. Durante a manhã, o índice chegou a superar os 207 mil pontos.
A movimentação ocorreu depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
A reação reflete uma mudança nas expectativas dos investidores para a política econômica e fiscal do próximo governo, mas não uma alteração imediata dos fundamentos da economia.
Com o segundo turno ainda pela frente, o mercado deverá continuar acompanhando as propostas econômicas dos candidatos, as articulações no Congresso e as sinalizações sobre controle dos gastos, dívida pública e política fiscal.