Lula avalia anunciar Alckmin como ministro da Fazenda se for reeleito

Plano em discussão prevê que o atual vice-presidente acumule o cargo no comando da economia a partir de 2027; movimento busca reforçar a agenda fiscal e ampliar diálogo com eleitores de centro
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Luiz Inácio Lula da Silva discute com aliados anunciar Geraldo Alckmin como futuro ministro da Fazenda em um novo mandato, mantendo-o também como vice-presidente. A articulação ganha força após o primeiro turno, em que Lula ficou atrás de Flávio Bolsonaro, e mira o eleitorado de centro e o mercado financeiro.

Lula reage à derrota no primeiro turno e ao avanço da direita

O movimento nasce como resposta à vantagem de Flávio Bolsonaro nas urnas e à formação de um Congresso majoritariamente de direita. No Palácio do Planalto, auxiliares admitem reservadamente que a campanha precisa reorganizar o discurso econômico para o segundo turno, reforçando o compromisso com a responsabilidade fiscal.

LEIA MAIS:

Alckmin vota em São Paulo e diz ao NC News: “É o povo que fala através do voto”

Nas conversas internas, a avaliação é que a indicação antecipada de Alckmin para a Fazenda pode reduzir a desconfiança de investidores diante da escalada da dívida pública. A dívida bruta do país supera hoje 82,9% do PIB, após subir mais de 10 pontos percentuais desde o início do atual mandato, e se torna um dos principais flancos de crítica ao governo.

O mercado financeiro reage com alívio à possibilidade de um comando mais ortodoxo na economia sob um eventual novo governo Lula. A alta da Bolsa após o primeiro turno é lida por interlocutores do presidente como recado claro de preferência por uma agenda de ajuste fiscal e previsibilidade.

Alckmin acumularia vice-presidência e comando da economia

Pelo desenho em estudo, Geraldo Alckmin acumularia a vice-presidência com o Ministério da Fazenda, numa configuração incomum em Brasília. O cálculo político é que um vice-ministro da Fazenda ganha autoridade reforçada sobre a política econômica e passa a ser visto como virtualmente blindado contra demissões, o que ampliaria a estabilidade das regras fiscais.

Alckmin, quatro vezes governador de São Paulo e hoje ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, é tratado na campanha como trunfo para dialogar com empresários e investidores estrangeiros. Seu perfil de centro-direita e a imagem de moderado, somados ao papel de interlocutor com Washington, são considerados ativos centrais para atrair capital e aliviar a pressão sobre o câmbio e os juros.

A ideia de entregar a economia ao vice não é totalmente nova. Lula já avaliou internamente esse desenho na eleição anterior, mas acabou optando por outro nome para a Fazenda. Agora, a derrota no primeiro turno e a leitura de que o bolsonarismo teria mais facilidade para aprovar um pacote duro de contenção de gastos recolocam Alckmin no centro da estratégia.

Guinada ao centro busca conter desgaste com populismo econômico

A possível nomeação de Alckmin também tenta conter o desgaste junto a eleitores de centro incomodados com o que veem como guinada populista na política econômica. O pacote de gastos, a expansão de programas sociais sem contrapartidas claras e o avanço da dívida alimentam o discurso de que o governo relaxou na disciplina fiscal.

Lula passou a destacar publicamente o papel do vice nesse campo. Em discurso após o primeiro turno, o presidente afirmou que “ninguém neste país tem autoridade moral para falar de política fiscal e seriedade fiscal pra mim e para o Alckmin, pelo que ele fez no Estado de São Paulo e pelo que nós fizemos no Brasil”. A fala foi interpretada por aliados como um sinal explícito de que o vice ganhará protagonismo caso venha um novo mandato.

Nos bastidores, auxiliares de Lula dizem que a campanha pretende contrastar o currículo administrativo de Alckmin com a inexperiência de aliados de Flávio Bolsonaro na área econômica. A mensagem ao eleitor buscado no segundo turno é simples: um governo Lula com Alckmin na Fazenda seria mais previsível e menos sujeito a improvisos.

Resistências na base e disputa por rumo econômico

O arranjo, porém, está longe de ser consenso na base governista. Setores mais identificados com uma agenda de maior intervenção do Estado e expansão de gastos sociais temem perder espaço para uma linha mais ortodoxa caso Alckmin assuma a Fazenda. Líderes de esquerda avaliam em privado que o gesto pode frustrar parte do eleitorado que esperava uma guinada ainda mais progressista na economia.

No Congresso, a leitura é ambígua. Parlamentares de partidos de centro e centro-direita veem com bons olhos um ministro da Fazenda com histórico de diálogo, mas lembram que medidas de ajuste, como cortes de despesas e revisão de benefícios, enfrentam resistência eleitoral. Já a direita bolsonarista tenta emplacar a narrativa de que Lula só recua no populismo sob pressão das urnas e dos mercados.

Se confirmada a estratégia e garantida a reeleição, a transição econômica deve ser rápida. A expectativa entre interlocutores do governo é que o anúncio formal sobre a Fazenda ocorra logo após a definição do segundo turno, para ancorar expectativas, reduzir a volatilidade dos mercados e abrir negociações imediatas com o novo Congresso sobre metas fiscais e reformas.

Geraldo Alckmin é de direita ou de esquerda?

Geraldo Alckmin constrói sua trajetória política na centro-direita, com perfil conservador em costumes e defensor de responsabilidade fiscal, mas hoje atua como vice-presidente de um governo de esquerda e tenta ocupar um espaço de moderação, dialogando com empresariado, mercado financeiro e setores progressistas da base de Lula.

Quem é o vice de Lula nesta eleição?

O vice de Luiz Inácio Lula da Silva nesta eleição presidencial é Geraldo Alckmin, político veterano, quatro vezes governador de São Paulo, atual ministro do Desenvolvimento e interlocutor-chave com o empresariado e governos estrangeiros, que agora é cotado para assumir também o Ministério da Fazenda em um eventual novo mandato.

Por que Lula cogita Alckmin na Fazenda?

Lula cogita nomear Geraldo Alckmin ministro da Fazenda para reforçar a credibilidade fiscal do governo, responder à dívida bruta em 82,9% do PIB, acalmar o mercado financeiro, reduzir o temor de populismo econômico e conquistar eleitores de centro após ter ficado atrás de Flávio Bolsonaro no primeiro turno.

 

Carregar Comentários