Nenhum dos dez candidatos que respondem ou responderam a ações relacionadas aos atos de 8 de Janeiro de 2023 conseguiu se eleger nas Eleições 2026. O grupo disputou vagas na Câmara dos Deputados, assembleias legislativas e no Senado por cinco partidos diferentes.
As situações jurídicas dos candidatos não são iguais. Oito celebraram Acordos de Não Persecução Penal (ANPPs) com a Procuradoria-Geral da República, uma candidata é ré em ação penal no Supremo Tribunal Federal e outro foi condenado pelo STF, mas a defesa sustenta que a decisão ainda não transitou em julgado.
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Quem são os dez candidatos
Entre os nomes que disputaram as eleições está Vanderson Alves Nunes, o Vandinho Patriota (Novo-MT), candidato a deputado estadual. Ele foi condenado pelo STF a um ano de reclusão, com a pena convertida em restrição de direitos. A defesa afirma que ainda não houve trânsito em julgado e, por isso, sustenta que os direitos políticos permanecem válidos.

Maria Elena Lourenço Passos (PL-ES), também candidata a deputada estadual, é ré em uma ação penal no STF relacionada aos acontecimentos de 8 de Janeiro e está submetida a medidas cautelares.

Os outros oito candidatos firmaram acordos de não persecução penal com a PGR: Gennaro Vela Neto, o Gennaro Vela (Podemos-PR); Henrique Fernandes de Oliveira, o Sargento Fernandes (Republicanos-SP); Marcos José Pereira, o Marcos Vanucci (PL-SP); Marcos Soares Moreira, o Marcos Muralha (Novo-ES); Regina Aparecida Silva, a Regina Tio Ivo (Novo-RR); Thiago Nunes dos Santos Souza, o Thiago Nunes (Democrata-RJ); Renata Sousa Massa, a Renata Massa (PL-BA); e Rogério Souza Lima, o Roger Galetos (PL-BA).
Nenhum deles obteve votos suficientes para conquistar o cargo disputado.
Acordos não significam mesma situação jurídica
Os acordos de não persecução penal foram oferecidos a investigados por condutas consideradas de menor gravidade relacionadas ao 8 de Janeiro. O instrumento prevê o cumprimento de condições estabelecidas entre o Ministério Público e o investigado e evita o prosseguimento da ação penal nos termos definidos no acordo.
Por isso, os dez candidatos não podem ser tratados juridicamente da mesma maneira. A lista reúne desde pessoas que celebraram ANPPs até uma ré em ação penal e um candidato condenado em decisão que, segundo a defesa, ainda pode ser questionada.
8 de Janeiro segue no centro do debate político
Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto, em Brasília.
Os episódios resultaram em investigações, acordos e centenas de condenações. Balanço divulgado pelo STF em abril de 2026 apontava que mais de 1,4 mil pessoas haviam sido responsabilizadas criminalmente em processos relacionados aos atos.
O tema também permaneceu presente durante a campanha eleitoral deste ano. A discussão sobre uma eventual anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro foi defendida por candidatos e integrantes da direita, enquanto outros grupos políticos se posicionaram contra a medida.
Uma pesquisa do Instituto Palver divulgada em setembro mostrou divisão entre os eleitores: 48% dos entrevistados declararam apoio à anistia e 44% disseram ser contrários. A diferença estava dentro da margem de erro do levantamento.
Resultado encerra tentativa de chegar ao Legislativo
Com o resultado do primeiro turno, nenhum dos dez nomes conseguiu transformar a candidatura em mandato eletivo.
Os processos, acordos e demais questões jurídicas envolvendo cada um deles seguem os respectivos trâmites, independentemente do resultado obtido nas urnas.