Semana Mundial do Espaço 2026: NASA planeja comprar foguetes para erguer base de US$ 30 bilhões na Lua

Agência americana quer garantir capacidade para transportar toneladas de equipamentos à superfície lunar e evitar que a falta de lançadores atrase o projeto
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A NASA planeja uma grande contratação de foguetes para viabilizar a construção de uma base permanente na Lua, projeto estimado em cerca de US$ 30 bilhões. A agência americana estuda reservar lançamentos com diferentes empresas para transportar equipamentos, módulos e outras estruturas necessárias à instalação lunar.

A estratégia busca resolver um dos principais desafios do projeto: levar grandes volumes de carga da Terra até a Lua. A demanda deverá crescer nos próximos anos à medida que os Estados Unidos avançarem na construção de infraestrutura para manter astronautas por períodos mais longos na superfície.

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NASA pode contratar vários modelos de foguetes

A ideia é não depender de apenas um lançador para transportar os equipamentos. Segundo Carlos García-Galán, gerente do programa de base lunar da NASA, a agência avalia contratar quatro ou cinco modelos de foguetes em uma mesma rodada.

A medida permitiria distribuir as missões entre diferentes veículos e empresas, diminuindo o risco de atrasos caso algum foguete enfrente problemas técnicos ou indisponibilidade.

A NASA ainda não definiu quais lançadores farão parte da eventual contratação.

A NASA planeja uma grande contratação de foguetes para viabilizar a construção de uma base permanente na Lua | Foto: Reprodução

Base exigirá toneladas de equipamentos na Lua

O desafio logístico deve aumentar significativamente no fim desta década.

A partir de 2029, os planos analisados pela agência podem exigir o transporte de até 60 toneladas de equipamentos para a superfície lunar.

Entre as cargas necessárias estão sistemas de energia, veículos, equipamentos científicos e estruturas destinadas à permanência de astronautas.

Diferentemente das missões Apollo, nas quais as tripulações permaneceram poucos dias na Lua, o objetivo agora é criar condições para missões cada vez mais longas.

Falta de foguetes preocupa agência

Um dos motivos para a antecipação da NASA é a disponibilidade de lançadores no mercado.

Foguetes utilizados atualmente em missões governamentais também atendem empresas privadas, constelações de satélites e outros clientes. Com o aumento da demanda espacial, conseguir uma janela de lançamento pode se tornar mais difícil.

O Falcon 9, da SpaceX, é um dos principais exemplos. O veículo realiza grande número de missões, mas informações publicadas pela Bloomberg indicam que a empresa começou a limitar novos lançamentos dedicados para clientes depois de 2028.

Não existe, porém, anúncio oficial da SpaceX estabelecendo uma data para aposentadoria do Falcon 9.

SpaceX, Blue Origin e outras empresas entram no radar

O mercado americano possui outros veículos que podem ajudar a atender à demanda lunar.

Entre eles estão o New Glenn, da Blue Origin, e o Vulcan, da United Launch Alliance. Novos foguetes desenvolvidos por outras empresas também podem ampliar as opções disponíveis até o fim da década.

A SpaceX ainda possui um papel importante no próprio programa lunar da NASA.

A empresa desenvolve uma versão da Starship para transportar astronautas até a superfície da Lua. A Blue Origin também possui contrato para desenvolver um sistema de pouso lunar para missões posteriores.

Blue Origin também está na conta | Foto: Reprodução

Por que a NASA quer construir uma base na Lua?

O objetivo dos Estados Unidos não é apenas voltar à superfície lunar.

A estratégia é estabelecer uma presença de longa duração que permita desenvolver tecnologias, realizar pesquisas e aprender a utilizar recursos disponíveis na própria Lua.

Um dos locais de maior interesse é o polo sul lunar, onde existem evidências de depósitos de gelo de água em regiões que praticamente nunca recebem luz solar.

No futuro, esse gelo poderá ser utilizado para produzir água potável e oxigênio. Seus componentes também podem ter aplicação na produção de propelentes.

Projeto também mira futuras viagens a Marte

A base lunar deverá funcionar como um laboratório para tecnologias necessárias a viagens mais distantes.

Sistemas de geração de energia, habitats, veículos, aproveitamento de recursos locais e operações de longa duração poderão ser testados antes de uma futura missão humana a Marte.

Antes de chegar a essa etapa, entretanto, a NASA precisa solucionar o transporte de toda essa infraestrutura.

É por isso que a disponibilidade de foguetes passou a ocupar posição central no planejamento: sem lançamentos suficientes, equipamentos de bilhões de dólares podem ficar prontos na Terra sem conseguir chegar à Lua.

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