Imigrante é condenado à morte na Arábia Saudita por comentário nas Redes Sociais

Anojan Sivarasa, de 24 anos, apagou a publicação e pediu desculpas, mas tribunal de apelação agravou sentença inicial de cinco anos de prisão; governo do Sri Lanka tenta impedir a execução.
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Um trabalhador imigrante do Sri Lanka foi condenado à morte na Arábia Saudita após publicar no Facebook um comentário considerado ofensivo ao profeta Maomé. Anojan Sivarasa, de 24 anos, chegou a apagar a mensagem e publicar um vídeo pedindo desculpas, mas uma captura de tela já havia sido encaminhada ao empregador e, posteriormente, às autoridades sauditas.

O jovem foi preso em julho. Inicialmente, o Tribunal Penal de Al-Ahsa o condenou a cinco anos de prisão e ao pagamento de uma multa de 3 milhões de riais sauditas, equivalente a cerca de US$ 800 mil. A situação mudou depois de recursos no processo e a pena acabou elevada à morte.

Agora, o governo do Sri Lanka e familiares tentam impedir a execução. Até o momento, não foi divulgada uma data para o cumprimento da sentença.

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Comentário surgiu durante discussão no Facebook

O episódio começou no fim de junho, durante uma discussão religiosa nas redes sociais.

Um vídeo mostrava um jovem muçulmano chutando um cachorro que acompanhava peregrinos hindus no Sri Lanka. As imagens provocaram uma discussão no Facebook.

Durante a troca de mensagens, uma publicação fez um comentário depreciativo sobre uma divindade hindu. Anojan respondeu com palavras consideradas ofensivas ao profeta Maomé.

O trabalhador apagou posteriormente a mensagem e publicou um vídeo no qual se desculpava pelo conteúdo.

Antes da exclusão, porém, usuários fizeram capturas de tela. O material chegou ao empregador de Anojan na Arábia Saudita, que comunicou o episódio às autoridades.

Jovem foi preso em julho

Anojan estava havia cerca de nove meses na Arábia Saudita quando foi detido, em julho.

Após a prisão, aparelhos eletrônicos foram apreendidos pelas autoridades.

O Tribunal Penal de Al-Ahsa inicialmente aplicou uma pena de cinco anos de prisão e multa de 3 milhões de riais sauditas.

A defesa tentou reduzir a punição, mas o recurso não prosperou.

Sentença foi elevada para pena de morte

O processo ganhou uma nova dimensão em setembro.

Em 17 de setembro, a acusação pediu que o caso fosse analisado com base na lei islâmica, a Sharia, em vez de permanecer enquadrado apenas na legislação relacionada a crimes informáticos.

O tribunal de apelação aceitou o pedido e a condenação anterior foi substituída pela pena de morte por blasfêmia.

Não há, até o momento, informação pública sobre uma data definida para a execução.

Família pede clemência

A condenação provocou uma mobilização no Sri Lanka.

A mãe de Anojan, Rasamanickam Yogalakshmi, fez um apelo para que as autoridades sauditas concedam clemência ao filho.

“Imploro misericórdia pelos erros cometidos pelo meu filho. Perdoem-no e mandem-no de volta para nós”, declarou.

A família também afirma estar sem contato com Anojan desde 28 de setembro.

O presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake, chegou a se reunir com familiares do jovem, enquanto autoridades do país trabalham em diferentes frentes para tentar reverter a sentença.

Sri Lanka tenta impedir execução

O governo do Sri Lanka passou a atuar diplomaticamente no caso e busca alternativas jurídicas para impedir que a condenação seja executada.

Entre as possibilidades estão novos recursos perante a Justiça saudita e um pedido de clemência.

Lideranças religiosas e representantes da sociedade civil também se mobilizaram em defesa do trabalhador.

O ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka, Vijitha Herath, confirmou que o país acompanha o processo e tenta encontrar uma saída para evitar a execução.

Enquanto as negociações continuam, a ausência de contato entre Anojan e seus familiares aumenta a preocupação sobre a situação do jovem.

Arábia Saudita mantém aplicação da pena capital

A Arábia Saudita está entre os países que mais aplicam a pena de morte no mundo.

Organizações internacionais de direitos humanos têm criticado o uso da pena capital no país, especialmente em processos envolvendo estrangeiros e crimes que não resultaram diretamente na morte de outras pessoas.

O caso de Anojan agora entra nessa discussão internacional, enquanto o governo do Sri Lanka tenta evitar que a sentença seja cumprida.

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