Vitória da extrema direita aumenta temor entre imigrantes e ativistas na Alemanha

Após resultado histórico na Saxônia-Anhalt, estrangeiros relatam aumento da hostilidade, enquanto entidades de apoio se preparam para possíveis mudanças nas políticas de imigração
Redação NC News
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A vitória da Alternativa para a Alemanha (AfD) na eleição estadual da Saxônia-Anhalt aumentou a preocupação entre imigrantes, refugiados e organizações de apoio no leste do país. Estrangeiros que vivem na região relatam episódios de hostilidade e dizem avaliar mudanças diante da possibilidade de a legenda participar do próximo governo estadual.

A AfD terminou a eleição de 6 de setembro como a força mais votada, com mais de 44% dos votos, mas não conquistou maioria absoluta no Parlamento. A formação do governo ainda depende das negociações entre os partidos, e a vitória nas urnas, por si só, não garante que a legenda assumirá o Executivo estadual.

Imigrantes relatam preocupação após resultado eleitoral

Em Magdeburgo, capital da Saxônia-Anhalt, imigrantes entrevistados após a eleição relataram aumento da hostilidade e da discriminação durante o período eleitoral.

Entre os entrevistados estão estrangeiros que vivem há décadas no país, trabalhadores com residência permanente, cidadãos alemães naturalizados e refugiados que ainda aguardam decisões sobre pedidos de asilo.

Parte deles afirmou considerar uma mudança para outros estados alemães ou até para fora do país caso as condições para estrangeiros se tornem mais restritivas.

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AfD fez campanha com propostas mais rígidas para imigração

A imigração ocupou posição central na campanha da AfD na Saxônia-Anhalt. A legenda defendeu medidas mais rígidas para refugiados e estrangeiros e propostas para ampliar deportações.

Dirigentes do partido também defenderam mudanças em políticas estaduais relacionadas à integração de imigrantes e ao financiamento de organizações que prestam assistência a estrangeiros.

Parte dessas propostas, no entanto, envolve competências do governo federal e não poderia ser implementada exclusivamente por uma administração estadual.

Organizações temem perder financiamento

Entidades que trabalham com refugiados e migrantes também passaram a discutir estratégias para manter suas atividades caso haja mudanças no financiamento público.

Uma das organizações que manifestaram preocupação foi a Casa Um Só Mundo, em Magdeburgo, que oferece espaço e apoio a entidades responsáveis por assistência jurídica e social a migrantes.

Cerca de 30% do orçamento anual da instituição, estimado em aproximadamente US$ 2,6 milhões, vêm do governo da Saxônia-Anhalt. A direção afirma que uma eventual retirada desses recursos colocaria a continuidade das atividades em risco.

População estrangeira cresceu no estado

A Saxônia-Anhalt possui cerca de 2,1 milhões de habitantes e historicamente recebeu menos imigrantes do que outras regiões alemãs.

Dados estaduais indicam, porém, que o número de estrangeiros passou de aproximadamente 47 mil em 2014 para 192 mil em 2025.

Cerca de um terço desse grupo é formado por refugiados, principalmente pessoas originárias da Síria e da Ucrânia.

Imigração está no centro do debate político

O crescimento da população estrangeira passou a ocupar espaço crescente no debate político da região, principalmente em temas relacionados a emprego, segurança e integração.

A AfD associa parte de sua plataforma eleitoral à defesa de controles migratórios mais rígidos. Seus apoiadores também citam preocupações com criminalidade e pressão sobre serviços públicos.

Especialistas e entidades de apoio aos migrantes, por outro lado, destacam a contribuição de trabalhadores estrangeiros para setores que enfrentam falta de mão de obra qualificada.

Resultado não garante que AfD comandará o estado

Apesar da vitória eleitoral, a AfD não conquistou maioria absoluta no Parlamento estadual. Por isso, a legenda depende de apoio de outras forças políticas para formar uma maioria capaz de sustentar um governo.

Os principais partidos tradicionais alemães mantêm resistência a coalizões com a AfD. As negociações após a eleição, portanto, serão determinantes para definir a composição do próximo governo da Saxônia-Anhalt.

Enquanto o cenário político permanece indefinido, organizações ligadas aos direitos dos migrantes começaram a buscar novos doadores e preparar alternativas para uma eventual redução do financiamento estadual.

AfD volta a avançar em outra eleição estadual

O desempenho na Saxônia-Anhalt não foi um caso isolado. Neste domingo (20), a AfD voltou a ampliar sua votação em eleições estaduais realizadas na Alemanha.

Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, resultados provisórios colocaram a legenda em primeiro lugar, com 38,3% dos votos. O SPD, da atual governadora Manuela Schwesig, ficou próximo.

Mesmo liderando a votação, a AfD enfrenta novamente dificuldades para chegar ao governo porque outras legendas descartam uma coalizão com o partido.

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Entenda o contexto

A AfD foi criada em 2013 e, ao longo dos anos, deslocou seu foco para temas como imigração, nacionalismo, segurança e críticas à integração europeia. A classificação da legenda como de extrema direita é amplamente utilizada na cobertura política alemã; setores e estruturas do partido também foram classificados como extremistas por autoridades de proteção constitucional do país.

O crescimento eleitoral da legenda tem sido especialmente forte nos estados que integravam a antiga Alemanha Oriental. Na Saxônia-Anhalt, a AfD recebeu mais de 44% dos votos em 6 de setembro e ficou perto de alcançar maioria parlamentar.

Duas semanas depois, o partido voltou a terminar em primeiro lugar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, enquanto em Berlim alcançou 16,3% dos votos nos resultados provisórios e ficou em terceiro lugar.

Os resultados ampliam o debate sobre imigração e sobre a estratégia dos demais partidos diante da AfD. Ao mesmo tempo, a capacidade da legenda de comandar governos estaduais continua dependendo da formação de maiorias parlamentares e das negociações entre as forças eleitas.

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