“A mulher precisa saber que não está sozinha”. A mensagem resume um dos pontos centrais da conversa de Mariza Angélica Laitano Bessa, diretora da Casa da Mulher Brasileira de São Paulo, com a jornalista Katlen Costa, do NC News. Na entrevista, ela fala sobre a importância de reconhecer situações de violência, buscar ajuda e romper ciclos que muitas vezes se prolongam por anos.
A conversa também aborda o funcionamento da Casa da Mulher Brasileira, os serviços disponíveis para vítimas e a estrutura criada pelo município para oferecer atendimento em diferentes áreas. A proposta é fazer com que a mulher encontre acolhimento, orientação e encaminhamento sem precisar enfrentar sozinha uma rede de órgãos públicos.
Em São Paulo, a Casa da Mulher Brasileira está localizada no Cambuci e reúne serviços especializados de diferentes instituições. A Prefeitura informa que o equipamento conta com atendimento da Delegacia de Defesa da Mulher, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Ministério Público, Guarda Civil Metropolitana e equipes de atendimento psicossocial.
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“A mulher precisa saber que não está sozinha”
Na conversa com Katlen Costa, Mariza destaca que enfrentar a violência não depende apenas de uma denúncia. O primeiro passo pode ser reconhecer que determinados comportamentos não são normais dentro de uma relação e entender que existem serviços preparados para orientar e proteger a vítima.
A violência também nem sempre começa com uma agressão física. A mulher pode estar submetida a ameaças, controle, humilhações, violência psicológica, patrimonial ou outras formas de abuso que, quando não identificadas, podem fazer parte de um ciclo cada vez mais difícil de romper.
Por isso, a orientação e o acolhimento são importantes mesmo quando a vítima ainda não sabe exatamente qual medida pretende tomar. A busca por informação pode ser uma etapa para compreender a situação e conhecer as alternativas disponíveis.
Identificar a violência também é uma forma de proteção
Um dos pontos abordados na entrevista é a necessidade de ampliar a percepção sobre o que caracteriza uma situação de violência. Nem sempre a vítima chega a um serviço público dizendo que sofreu uma agressão. Muitas vezes, ela procura ajuda diante de uma situação de ameaça, medo ou controle.
O atendimento especializado permite que profissionais avaliem a situação e orientem a mulher sobre os caminhos possíveis. A existência de uma rede estruturada também é importante para que o atendimento não termine no primeiro contato.
Casa da Mulher Brasileira reúne diferentes serviços
A Casa da Mulher Brasileira foi criada justamente para integrar diferentes áreas de atendimento. A estrutura reúne serviços que envolvem segurança, Justiça, assistência e apoio psicossocial em um mesmo espaço.
Na unidade de São Paulo, localizada no Cambuci, a Delegacia de Defesa da Mulher funciona 24 horas. Também há serviços do Tribunal de Justiça, Defensoria Pública e Ministério Público, além de atendimento psicossocial e atuação da Guarda Civil Metropolitana.
A estrutura inclui ainda brinquedoteca para crianças de zero a 12 anos e atendimento em Libras para mulheres surdas, segundo informações da Prefeitura.
Atendimento busca evitar que a vítima fique sozinha
A integração dos serviços ajuda a reduzir um dos obstáculos enfrentados por mulheres que procuram proteção: a necessidade de percorrer diferentes instituições para conseguir orientação sobre segurança, medidas judiciais, atendimento psicológico e assistência.
Além da Casa da Mulher Brasileira, a rede municipal conta com Casas da Mulher, Centros de Defesa e de Convivência da Mulher, Postos Avançados e Unidade Móvel. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania também mantém programas como Auxílio-Aluguel e Não se Cale.
Rede de proteção precisa chegar a diferentes regiões
Para uma cidade do tamanho de São Paulo, concentrar todos os atendimentos em um único endereço não seria suficiente. Por isso, a política municipal também utiliza equipamentos descentralizados e unidades móveis para ampliar o acesso das mulheres aos serviços.
Os Postos Avançados funcionam em locais de grande circulação, enquanto a Unidade Móvel leva atendimento para diferentes regiões. A ideia é aproximar a rede de mulheres que podem encontrar dificuldades para chegar aos equipamentos especializados.
Autonomia também faz parte da proteção
Outro aspecto importante da proteção é a autonomia. Em muitos casos, a dependência financeira pode dificultar a saída de uma relação violenta e aumentar a vulnerabilidade da vítima.
Por isso, a política pública voltada às mulheres também envolve ações de assistência, geração de renda e acesso a programas que podem ajudar na reconstrução da vida após uma situação de violência.
O Auxílio-Aluguel e outras iniciativas da rede municipal fazem parte desse conjunto de políticas. A Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania mantém uma estrutura específica de programas e equipamentos voltados às mulheres.
Violência também pode ser denunciada pela internet
A tecnologia passou a fazer parte da rede de proteção. Em São Paulo, a Delegacia da Mulher Online registrou 44,7 mil boletins de ocorrência entre janeiro e agosto de 2026, segundo levantamento publicado pelo NC News. O número representa alta de 11% em relação ao período anterior analisado.
A capital e o estado também ampliaram o atendimento por videoconferência, com 235 salas virtuais disponíveis. O recurso permite que determinadas etapas do atendimento sejam realizadas remotamente, reduzindo barreiras de deslocamento.
Quebrar o ciclo exige apoio
O rompimento de um ciclo de violência pode envolver medo, dependência financeira, filhos, ameaças e dificuldades para reorganizar a vida. Por isso, o atendimento precisa considerar a realidade de cada mulher e não apenas o registro de uma ocorrência.
A rede de proteção pode atuar em diferentes momentos, desde a identificação da violência e a orientação inicial até medidas de proteção, atendimento psicológico, acompanhamento jurídico e apoio para reconstrução da autonomia.
Esse olhar integrado está no centro da atuação da Casa da Mulher Brasileira e das demais estruturas municipais voltadas às mulheres.
Mariza Angélica está à frente da Casa da Mulher Brasileira
Mariza Angélica Laitano Bessa é diretora da Casa da Mulher Brasileira de São Paulo, segundo a estrutura oficial da Prefeitura. O nome dela também aparece na Coordenação de Políticas para as Mulheres da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania.
Na entrevista ao NC News, ela fala sobre sua trajetória profissional, a experiência na gestão pública e os desafios de administrar um equipamento que recebe mulheres em diferentes situações de vulnerabilidade.
A conversa também reforça a importância de uma mensagem que ultrapassa o atendimento institucional: a mulher que vive uma situação de violência precisa saber que pode procurar ajuda, encontrar orientação e contar com uma rede de proteção.